Blog do Josias de Souza

‘Desvio de dinheiro é natural’, afirma Cid Gomes
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Josias de Souza

Célebre por suas declarações inusitadas, o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), soou esquisito ao sair em defesa do petista Camilo Santana. Candidato a governador, Camilo é personagem de uma polêmica sobre desvios de verbas destinadas à construção de banheiros.

“Desvio de dinheiro é natural e intrínseco ao serviço público”, disse Cid. “Desde que existiu o dinheiro, existe quem procure roubar o dinheiro. A diferença entre um governo sério e um governo conivente, é que o governo sério, quando descobre, pune. E foi o que o Camilo fez quando assumiu a secretaria [de Cidades] e viu que tinha um escândalo. Antes desse escândalo ser denunciado, ele já tinha demitido o responsável lá e tomou todas as providências”.

Gestor público que tacha de “natural” o desvio de dinheiro público corre o risco de não encontrar o sabonete na hora em que for lavar as mãos.


Ruína de Marina surge na taxa de rejeição: 25%
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Josias de Souza

No Datafolha fechado em 15 de agosto, dois dias depois da morte de Eduardo Campos, Marina Silva era uma presidenciável promissora. Tinha 21% das intenções de voto, contra 20% de Aécio Neves e 36% de Dilma Rousseff. A taxa de rejeição, por mixuruca, prenunciava o crescimento de Marina. Apenas 11% do eleitorado dizia que jamais votaria nela. Um índice bem menor que o atribuído a Dilma e a Aécio, refugados respectivamente por 34% e 18% dos eleitores.

O Datafolha veiculado nesta terça-feira, 30 de setembro, traz o retrato de outra Marina, uma candidata em apuros. Depois de ter saboreado um empate em 34% com Dilma no final de agosto, Marina oscilou negativamente em quatro pesquisas. Hoje, a cinco dias da eleição, bateu em 25%. Deixou de ser uma ameaça para Dilma (40%) e passou a ser ameaçada por Aécio (20%).

Pior: a taxa de rejeição de Marina, aquela que era de 11% há um mês e meio, bateu em 25%. Agora, a ojeriza a Marina já é numericamente superior à antipatia a Aécio (23%). Até a taxa de rejeição de Dilma oscilou para baixo. No mesmo período, foi de 34% para 31%. O maior aliado de Marina no momento é o calendário. Se a eleição não estivesse tão próxima, a ultrapassagem de Aécio seria uma certeza, não uma interrogação.

No comitê de Dilma, o índice mais festejado é justamente a rejeição de Marina. O índice indica que o marketing depreciativo urdido por João Santana vai surtindo todos os efeitos desejados pelo petismo. Além de medo, o terrorismo eleitoral contra Marina instilou num pedaço do eleitorado repugnância a Marina, um sentimento mais difícil de ser revertido.

Alheios a qualquer tipo de prurido ético-existencial, Dilma e seus operadores tomaram gosto pela tática da demolição. Na marretada mais recente, o comitê oficial levou ao ar um comercial que vincula Marina a aos ex-pefelês Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes (assista abaixo). Quem acha exagerado deve se preparar o segundo turno. Seja qual for o adversário, o marketing de Dilma pegará pesado. Será necessário tirar as crianças da sala.


Marina Silva acusa Dilma de mentir sobre ‘roubo’
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Josias de Souza

Em encontro com apoiadores e representantes dos partidos de sua microcoligação, Marina Silva subiu o tom. Acusada por Dilma Rousseff de mentir, ela se disse “indignada”. E devolveu: “Não me venha chamar de mentirosa! Mentira é quem diz que não sabe que tinha roubo na Petrobras. Mentira é quem diz que não sabe o que está acontecendo na corrupção desse país. Mentira é quem diz que ia fazer 6.000 creches e faz apenas 400.”

Marina reuniu-se com seus aliados em São Paulo. Num discurso inflamado, transmitido ao vivo pela internet, ela insinuou que membros do comitê de Dilma perscrutam sua vida. Estimulou-os a prosseguir: “Fiquei sabendo que tem uma CPI paralela vasculhando a minha vida dentro do Senado. Podem vasculhar. E tenho certeza, tem gente que não vai entender.”

O processo legislativo é complexo, disse Marina, como a justificar as duas ocasiões em que votou contra a CPMF, apesar de dizer que se posicionara a favor do tributo sobre movimentação financeira. “Tem coisa que a gente vota no principal e depois não vota com as emendas; vota com as emendas, mas não vota no principal”, disse, antes de pegar novamente em lanças: “Quem não foi nem vereadora e vira presidente do Brasil, não entende isso.”

Nas palavras de Marina, Dilma “come pela boca do marqueteiro, come pela boca do assessor.” A certa altura, a substituta de Eduardo Campos na corrida presidencial repetiu três vezes: “Nós estamos no segundo turno, nós estamos no segundo turno, nós estamos no segundo turno. Escrevam isso.”

Para ela, o eleitorado já desfez o antigo Fla-Flu que vinha transformando as disputas presidenciais nos últimos 20 anos em gincanas monopolizadas por petistas e tucanos. “As forças que querem a polarização estão fazendo de tudo para dizer que vai continuar entre os mesmos”, disse a ex-petista Marina. “Não será entre os mesmos.”

Aferrada a autocritérios, Marina apresentou-se como representante do pedaço da sociedade que foi às praças em junho do ano passado para dizer que não se sentiam representadas. A atual disputa, disse ela, “será entre a sociedade brasileira e eles. Eu sou o melhor pretexto que a sociedade tem para colocar as coisas no contexto da mudança da história, com a altura e a profundidade que os brasileiros merecem.”

Minutos antes, Marina entusiasmara a plateia ao afirmar que aqueles que a sociedade não considera como seus representantes “pararam de apostar nas virtudes.” Ela ironizou a insistência com que Dilma afirma que, no governo dela, a Polícia Federal investiga.

“Eu acho muito interessante dizer que a Polícia Federal está investigando. É como se a Polícia Federal estivesse investigando a pedido do governo. Como se a Polícia Federal fosse um órgão do governo, do partido. Não é. É do Estado brasileiro. É o Estado brasileiro que está investigando.''

Marina lamentou que os ataques à sua candidatura sejam patrocinadas por outra mulher. “Aliás, mesmo tendo perdido, eu celebrei quando esse país a elegeu a primeira mulher presidente do Brasil. Quinhentos anos de história! Eu nunca pensei, que uma mulher pudesse permitir fazer o que estão fazendo para destruir a biografia honrada de uma outra mulher.”

“Amanhã vão dizer: ‘ela é fraca, ela se emociona, ela não serve para governar o Brasil’. Olha, a pior coisa que existe é quando você fere e diz: 'engula o choro, não reclame, finja que não está doendo, mostre que você é forte.' Essa é a pior fraqueza. É você fazer o jogo do dominador. É você se integrar a ele para parecer com ele.” Nesse ponto, a ex-petista Marina elevou o timbre: “Eu não quero me parecer com essa gente.” Ela repetiu: “Não quero me parecer com essa gente.”

Marina disse que esperava participar de uma campanha mais dignificante. “Era para ter uma outra qualidade nas eleições. Eu queria tanto! Já imaginou? A Dilma, eu, o Aécio… Eu, a neta da parteira, dona Júlia, que andava não sei quantas horas [...] para ir fazer uma mulher parir um filho, soprando numa garrafa, tomando chá de manjirioba, pendurada numa corda, nunca perdeu um menino. E o neto do grande Tancredo Neves. E a nossa presidente que foi presa. Olha a qualidade que seria! Eu e Eduardo acreditamos que teria qualidade.”


Marina vai à batalha do 1º turno sem ‘infantaria’
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Josias de Souza

O bombardeio dos rivais e as avarias sofridas nos índices de pesquisas não são os únicos problemas de Marina Silva. A cinco dias da eleição, a campanha da presidenciável do PSB exibe nas ruas da maior parte dos Estados uma estrutura precária. Marina virou uma comandante sem exércitos. Julgando-se desprezados, os candidatos aos legislativos estaduais e ao Congresso cuidam dos seus próprios interesses, sem dar atenção à campanha nacional.

Tomando o caso de São Paulo como exemplo, um aliado de Marina que entende de urnas e sabe fazer contas colecionou os seguintes dados: estão em jogo na disputa paulista 164 cadeiras de deputados federais e estaduais. Há incontáveis postulantes, mas os que têm alguma chance não passam de cinco por vaga. No total, 820 candidatos competitivos em todo o Estado.

Cada um desses 820 candidatos dispõe de pelo menos 300 pessoas contratadas para trabalhar na campanha de rua diariamente. Juntas, somam 246 mil cabeças. Nesta semana, reta final da campanha, esse número é multiplicado por dez. Quer dizer: há hoje nas ruas do Estado de São Paulo cerca de 2,46 milhões de pessoas trabalhando na eleição.

Quantos distribuem santinhos, colam cartazes e transportam cavaletes com propaganda de Marina? Nem mesmo os correlegionários dela. Há no PSB paulista cerca de 160 candidatos. Os mais viáveis somam 20. Mantinham nas ruas algo como 6 mil pessoas. Nesta semana, elevaram o contingente para 60 mil. A grossa maioria ignora Marina.

Por quê? Alegam não ter recebido material de campanha associando suas imagens à de Marina. E sustentam que não obtiveram algo ainda mais trivial: um gesto de apreço da presidenciável.

Um aliado de Marina compara a disputa eleitoral a uma guerra. Começa com o disparo de bombas a partir de navios e aviões. Algo que pode ser feito pelos próprios presidenciáveis e por aliados bem-postos na mídia —de políticos a artistas. Porém, numa disputa acirrada como a atual, afirma o interlocutor do blog, é a infantaria que costuma ganhar a guerra.


Ruffalo, o Hulk, retira o apoio que dera a Marina
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Josias de Souza

Durou pouco, muito pouco, pouquíssimo o apoio do ator norte-americano Mark Ruffalo, intérprete do personagem Hulk, a Marina Silva. Após gravar vídeo em que rasgava elogios à candidata, ele ficou verde ao “tomar conhecimento” de que Marina se opõe ao casamento gay e aos direitos reprodutivos da mulher —leia-se aborto.

Em texto veiculado na internet nesta segunda-feira (29), Ruffalo anotou ter visto debate em que Marina “disse que apoiou o casamento gay.” Mas acrescentou: “Vim a descobrir depois o fato de que seu partido retirou o apoio a esta questão.”

Prosseguiu: “Eu não posso, em sã consciência, apoiar um candidato que tem uma abordagem dura em relação a questões como o casamento entre homossexuais e os direitos reprodutivos, mesmo que o candidato esteja disposto a fazer a coisa certa sobre as questões ambientais.”

Percebe-se que o Incrível Hulk ouviu o galo cantar sobre Marina e tirou suas próprias confusões. Em relação aos homossexuais, como se sabe, sucedeu que a candidata, não o partido, mandou apagar do seu programa o vocábulo “casamento”. O que ela deseja, informa a versão final da peça, é “garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo.”

O diabo é que isso já foi assegurado pelo Supremo Tribunal Federal. A comunidade LGBT, que esperava mais da evangélica Marina, passou a trovejar contra ela. Os estrondos dos raios que a partam chegaram às orelhas de Ruffalo. Que levou o pé atrás. Quanto ao aborto, a posição da candidata é bem conhecida: Marina é contra. Qualquer novidade em relação ao que já está previsto na Constituição, só mediante plebiscito.

“Neste momento, seria bom saber definitivamente como a candidata Silva se posiciona sobre estas questões e em termos inequívocos”, escreveu Ruffalo. “Atualmente, é um pouco obscuro e incerto. Até agora, com base no que eu tenho sido capaz de recolher a partir dos poucos posts aqui, e do que está disponível na internet, estou retirando o meu apoio.”

Categórico, o ator solicitou: “Gostaria de pedir que sua campanha não usasse o meu vídeo de apoio até que ou afirmem o seu apoio para o casamento gay e os direitos reprodutivos das mulheres ou deixem claro como se posicionam sobre estas importantes questões.” Era tarde demais. O vídeo já ganhara o site da campanha.

A equipe de Marina pendurou no Twitter dela mensagens em inglês endereçadas a Ruffalo. Numa, anotou-se que não é verdade que Marina seja contra o casamento entre homossexuais (“gay marriage”). Noutra, informou-se que a posição da candidata consta do programa, que só faz menção à “união civil”, não ao casamento. Quer dizer: no comitê de Marina, as confusões vêm em camadas.

Noutra mensagem, a assessoria terceirizou a urucubaca: “Além disso, @markruffalo, você precisa saber que as eleições brasileiras estão tendo uma enxurada de mentiras e essa é outra sobre Marina.”

Resumo da ópera: o apoio de Mark Ruffalo, ator de segunda linha em Hollywood, tem importância zero para a campanha de Marina. Ainda assim, foi trombeteado pelo comitê da candidata como um troféu. Horas depois, o irrelevante tornou-se um problema. Aos pouquinhos, o nada vai se transformando nos arredores de Marina numa palavra que ultrapassa tudo.


Aécio desiste de divulgar um programa completo
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Josias de Souza

Na última sexta-feira, Aécio Neves anunciou: “A construção do nosso programa de governo, que será divulgado na segunda-feira, deixará claro qual o caminho que nós percorremos para, a partir do resgate das agências reguladoras, do respeito aos contratos, permitirmos um aumento da taxa de investimentos no Brasil, fundamental à geração de empregos.''

Nesta segunda-feira, Aécio declarou: “Eu não vou apresentar um calhamaço que você não vai ler e ninguém vai ler. Vou apresentar um programa para ser debatido. Ao meu ver, essa é a forma mais democrática de apresentar uma peça com essa complexidade. […] Nossa proposta, construída a muitas mãos, começa hoje a ser divulgada, mas eu vou fazer de forma diferente, inédita até agora. Para que o plano de governo não seja um documento meramente acadêmico, que circula na mão de um grupo pequeno e a população não sabe o que está sendo tratado.''

Divulgação diferente? Coisa inédita? Hummmm! Em vez de um programa, Aécio divulgará vagas intenções referents a quatro áreas: 1) “Cidadania plena: direitos do cidadão e da sociedade”; 2) “Desenvolvimento para todos”; 3) “Estado democrático, soberano, solidário e eficiente”; 4) e “Sustentabilidade: semeando o presente para colher o futuro”.

A coisa será servida pelo Facebook, em ritmo de conta-gotas, na conta oficial de Aécio. A primeira fatia vai à web na noite desta segunda-feira, às 21 horas. A última, na sexta-feira, a dois dias da eleição. A cada divulgação, um membro do comitê de Aécio estará a postos para “debater” com internautas o naco do dia. Nesta segunda, a conversa será sobre “sustentabilidade”, com o ambientalista Fábio Feldeman.

Executada na reta final do primeiro turno, essa coreografia parcial e lenta não visa socorrer o eleitor que gosta de analisar o candidato por suas ideias. O objetivo central é evitar que a marquetagem de Dilma Rousseff faça com Aécio o que fez com Marina Silva, cujo programa revelou-se um paiol a serviço da diversão do marqueteiro petista João Santana.


Mark Ruffalo, o Incrível Hulk, apoia Marina Silva
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Josias de Souza

Agora vai! O comitê de Marina Silva divulgou no site da candidata um vídeo novo. Nele, o ator norte-americano Mark Ruffalo, que interpretou Hulk no cinema, declara apoiar a pretensão presidencial de Marina. Ativista das causas ambientais, Ruffalo refere-se a Marina como “uma das mais interessantes e animadoras pessoas no atual cenário político mundial.”

Para o ator, a presidenciável do PSB tem a compreensão de que “a economia, o meio ambiente e a justiça econômica e social são coisas que precisam vir juntas.” Ele acrescenta: “Muitos de nós sentimos que o sistema político, como é hoje, não é sustentável.” Avalia que “existe um clamor no mundo por alguém disposto a ter a coragem e a força para mudar isso.”

Ruffalo arremata: “Eu acredito que Marina Silva é uma dessas pessoas muito, muito especiais.'' Beleza. Resta agora verificar o seguinte: quantos votos o Incrível Hulk conseguiu virar entre os clientes do Bolsa Família que se intimidaram com o lero-lero petista segundo o qual Marina é uma exterminadora de programas sociais?

- Atualização feita às 3h19 desta terça-feira (30): O ator Mark Ruffalo retirou o apoio que dera a Marina Silva. Por quê? Descubra aqui.