Blog do Josias de Souza

Viúva de Campos vai à TV: ‘Eduardo está vivo…’
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Josias de Souza

Renata Campos estrelou nesta segunda-feira (22) a propaganda eleitoral de Paulo Câmara (PSB), candidato lançado por seu marido ao governo de Pernambuco. “Eduardo está vivo”, disse a viúva a certa altura. “E vai permanecer vivo, através de suas realizações e do seu trabalho. E essa bandeira a gente vai levar adiante.”

Desconhecido do eleitorado, Câmara patinava nas pesquisas abaixo dos dois dígitos. Depois da morte de seu padrinho, em 13 de agosto, o candidato tomou o elevador. Na última pesquisa do Datafolha, ele apareceu seis pontos à frente do ex-favorito Armando Monteiro (PTB): 39% a 33%.

Os operadores da campanha, 100% escorada na imagem do líder morto, esperam que a aparição de Renata consolide a dianteira de Paulo Câmara, ampliando-a. No seu esforço para tonificar o candidato, a viúva de Campos chegou mesmo a citar o avô dele, Miguel Arraes.

“Paulo começou cedo a acompanhar Eduardo, como Eduardo acompanhou Arraes”, disse Renata Campos na propaganda. “Paulo não chegou agora. A população não o conhece, mas a gente o conhece há muito tempo. Eu confio em Paulo Câmara.”


STF autoriza Delúbio a cumprir a pena em casa
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Josias de Souza

Sérgio Lima/Folha

O ministro Luis Roberto Barroso, do STF, autorizou Delúbio Soares a cumprir o resto da pena em casa. Condenado pelo STF a 6 anos e 8 meses de prisão, o ex-tesoreiro do PT está preso há menos de um ano. Mas, pelas contas do Supremo, descontando-se 117 dias de trabalho externo, ele já teria cumprido um sexto da pena. O que lhe dá o direito de migrar do regime semiaberto à prisão domiciliar.

A lei prevê o abatimento de um dia da pena para cada três dias trabalhados. Coube à defesa de Delúbio requerer a progressão de regime. Responsável pelo acompanhamento da execução das penas do mensalão, Barroso requisitou a opinião do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Que se manifestou a favor do deferimento do pedido.

Antes de Delúbio, outros três mensaleiros haviam obtido autorização judicial para migrar do regime semiaberto para a prisão domiciliar: o ex-presidente do PT José Genoino e dois filiados do extinto PL, hoje PR: o ex-deputado federal Bispo Rodrigues e o ex-tesoureiro da legenda Jacinto Lamas.

Estima-se que o grão petista José Dirceu poderá requerer a progressão para a prisão domiciliary em novembro. Valdemar Costa Neto, mandachuva do PR, deve fazer o mesmo no final de dezembro. E o ex-presidente petista da Câmara, João Paulo Cunha, em fevereiro de 2015.


Para Armínio, economia passa por ‘septicemia’
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Josias de Souza

Apontado como ministro da Fazenda de um hipotético governo de Aécio Neves, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga utilizou uma metáfora forte para qualificar o atual estágio da economia brasileira. Para ele, o diagnóstico é de infecção generalizada. “É uma septicemia, não é uma verruga que você precisa tirar. É grave mesmo.'' Quer dizer: se fosse eleito, Aécio não prescreveria uma aspirina.


Juiz nega à CPI acesso a delação da Petrobras
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Josias de Souza

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, indeferiu nesta segunda-feira o pedido da CPI da Petrobras para ter acesso aos depoimentos prestados pelo delator Paulo Roberto Costa. Negou também pedidos análogos feitos pela própria estatal petrolífera e pela Controladoria-Geral da União.

Responsável pelos processos da Operação Lava Jato, o magistrado referiu-se ao acerto do ex-diretor da Petrobras com os investigadores como um “suposto acordo”. Anotou que “os eventuais depoimentos” de Paulo Roberto Costa ainda não foram submetidos pelo Ministério Público Federal à “homologação judicial”, pré-condição para que a delação premiada seja formalizada. Moro liberou para a CPI apenas o depoimento de Meire Pozzo, que trabalhou como contadora do doleito Alberto Youssef.

De acordo com o juiz, a legislação não permite o compartilhamento de dados na atual fase do processo. Sérgio Moro não excluiu a hipótese de liberar as informações no futuro. Como Paulo Roberto encrencou vários congressistas e pelo menos um ministro, o caso terá de subir para o STF. Ali, quem cuida do caso é o ministro Teori Zavascki.


Petrobras: delação faz Dilma exagerar no teatro
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Josias de Souza

Sob a alegação de que precisa de “informações oficiais” para tomar providências, Dilma Rousseff exige receber uma cópia dos depoimentos do delator Paulo Roberto Costa. Requereu os papeis à Polícia Federal. Nada feito. Reiterou o pedido ao procurador-geral da República Rodrigo Janot. Nem pensar. Anunciou que baterá à porta do gabinete do ministro Teori Zavascki, que cuida do caso no STF. Qualquer resposta diferente de um categórico indeferimento será absurda.

Como presidente da República, Dilma é parte do problema, não da solução. Como candidata à reeleição, ela é devedora de explicações, não credora de informações. Pode começar explicando à plateia por que fala em adotar agora, sob pressão, providências que não adotou antes por opção.

Ninguém imagina Dilma e Lula com os pés em cima da mesa —ela com uma taça de champanhe, ele com um charuto entre os dedos— combinando os termos da transição: “Na Petrobras, não mexa no Paulinho e nos outros diretores sem combinar com a turma do Congresso. Você sabe: a governabilidade tem seu preço.” Do mesmo modo, é difícil imaginar que a Petrobras tenha sido entregue a saqueadores sem o conhecimento de Dilma.

Embora não seja a gerentona que Lula inventara em 2010, Dilma mantém a bolsa limpa, até prova em contrário. Mas o fato é que, por seu estilo e seu discurso, não pode alegar desconhecimento e transferir responsabilidades. Ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, sempre jactou-se das maravilhas do setor petrolífero. Se a estatal virou essa bomba que ameaça explodir no seu colo, Dilma só pode culpar o antecessor e a si mesma. Ou a quem colocou ou permitiu que ficasse no comando.

Abalroada pelo escândalo em plena campanha eleitoral, Dilma decidiu seguir duas linhas de defesa: a linha “não sabia” e a linha “me dêem as provas que eu passo a vassoura.” Às vezes exagera no teatro. Como na entrevista em que ela se irritou ao ser indagada, na semana passada, sobre a propina de R$ 1,5 milhão que Paulo Roberto Costa teria mordido na compra da refinaria de Pasadena.

“…Sou a favor de investigar, nada de colocar para debaixo do tapete”, disse Dilma. “Acho que o maior mal atual é a impunidade. Investiga-se, descobre-se o malfeito e não condena, cria a sensação de que não teve pena nenhuma. Sabe por que protege com a impunidade? Porque você não prende, não pune e só tem um jeito: tem que punir. Por isso é que se diz: tolerância zero.” Conversa mole.

Se Dilma fechasse as usinas de escândalos, haveria menos matéria-prima para investigações. Desde que a cúpula do PT foi enviada para a Papuda, a impunidade deixou de ser o maior mal. Ficou demonstrado que já é possível julgar, condenar e prender. O que atrapalha é a inclusão dos presidiários no rol dos herois do PT. E a ilimitada tolerância com o apadrinhamento de bandidos para postos de comando.

Entre os beneficiários do petrolão, Paulo Roberto Costa teria mencionado o ministro Edison Lobão. Dilma alega que não pode afastar o afilhado de José Sarney sem que lhe sejam providas as “informações oficiais”. A questão é outra: por que nomeou um neófito? Com uma biografia tão precária no comando da pasta de Minas e Energia e a Petrobras de ponta-cabeça, uma coisa é certa: o pedido de Dilma para ter acesso ao teor da delação, por teatral, não merece ser levado a sério.