Blog do Josias de Souza

Dirceu carrega no rosto os vincos da perversão
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Josias de Souza

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Há 12 anos, quando tomou posse na Casa Civil da Presidência da República, José Dirceu era visto como alguém capaz de dar a vida por um ideal. Hoje, recolhido a uma cadeia paranaense, Dirceu dá apenas bocejos. Entre um momento e outro, passaram-se 12 anos. O vídeo acima mostra os efeitos do tempo no semblante do protagonista dos escândalos do mensalão e do petrolão. O tempo já não existe para Dirceu. Para ele, só existe o passar do tempo.


Memorial da Democracia de Lula omite escândalos e os erros históricos do PT
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Josias de Souza

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Lançado na noite de terça-feira, o museu virtual do Instituto Lula, chamado de ‘Memorial da Democracia’, tem a pretensão de contar a “história das lutas do povo brasileiro pela liberdade e pela justiça social”. Pratica, porém, uma historiografia caolha. Só vê a metade. O acervo do site omite dos fatos históricos todos os grandes erros e os escândalos protagonizados pelo PT.

Por ora, o museu aberto pelo Instituto Lula na internet oferece como acervo um vídeo e duas “linhas do tempo” com ilustrações: 1964—1985 e 1985—2002. Nelas, recorda-se que a eleição indireta de Tancredo Neves pôs fim a uma ditadura militar de 21 anos. Mas omite-se o fato de que o PT se recusou a participar desse momento histórico, abstendo-se de comparecer ao colégio eleitoral.

Quem visita o memorial do Instituto Lula fica sabendo que a Constituinte de 1988 resultou numa nova constituição cujo texto serviu de base para a transição do Brasil para a democracia. Mas não há no museu virtual uma mísera informação sobre o fato de o PT ter se recusado a subscrever a Carta que Ulysses Guimarães chamou de “Constituição Cidadã”.

O museu petista reconhece que foi graças ao Plano Real que o Brasil venceu a batalha contra a inflação. Esquece de mencionar, porém, que o PT votou contra as medidas lançadas sob Itamar Franco e implementadas no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. De resto, cuida de diminuir o feito com observações pouco lisonjeiras.

Coisas assim: o Real “foi uma conquista importantíssima, mas infelizmente na cartilha do neoliberalismo, dominante na época, o povo não passava de um detalhe…” Ou assim: o Plano Real “foge do script dos anteriores e estabiliza a moeda, mas o país paga um alto preço.”

O museu é pródigo nas menções desairosas sobre a era FHC. Apresenta os dois governos tucanos como uma época de escândalos —do caso Sivam à compra de votos da reeleição—, de privatizações danosas, de generosidade com os bancos e de ruína econômica e social.

“Era o país do desemprego, baixos salários, falta de oportunidades, confinamento da população pobre e preta nos guetos. Foram tempos de grande bronca social e forte revolta política. O Brasil parecia estar à beira do abismo. Mas graças à democracia encontrou forças para avançar…”

Em contraposição a tudo isso, a chegada de Lula ao poder é esquematicamente apresentada como uma espécie de portal de acesso ao Éden: “Em 2002, o país elegeu o primeiro operário. E reelegeu em 2006. Em 2010, também pela primeira vez em nossa história, entregou a uma mulher o comando do país. Ela foi reeleita em 2014. Tempos de esperança, tempos de oportunidade, tempos de mais democracia…”

Por mal dos pecados, o museu virtual do Instituto Lula, por zarolho, ainda não enxergou a história dos governos petistas. Seu relato se encerra na posse de Lula. O texto do último quadro da linha do tempo conclui, enigmático: “Mais democracia, mais oportunidades. Em breve aqui.” E nada de mensalão. Nem sinal do bordão “eu não sabia”. Nenhum vestígio da passagem da cúpula do PT pela cadeia. Nenhuma menção à pilhagem da Petrobras, ao estelionato eleitoral de 2014 e ao fiasco gerencial de Dilma.

Há outras excentricidades no acervo. Cita a gestão de Celso Pitta na prefeitura de São Paulo, “marcada pela corrupção”, como o início do “declínio do malufismo”. Menciona também o impeachment de Fernando Collor. Só não diz que Paulo Maluf e Collor tornaram-se heróis da resistência dos governos petistas. Collor foi além: virou sócio do petismo na pilhagem da Petrobras.


Dilma pede, mas Temer não volta à articulação
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Josias de Souza

Em almoço no Palácio da Alvorada, Dilma Rousseff fez um apelo nesta quarta-feira para que Michel Temer se mantivesse à frente da articulação política do governo. O vice-presidente respondeu que não cogita retomar a rotina de reuniões com líderes partidários, para acompanhar a pauta de votações do Congresso. Também não deseja voltar à “pequena política” da distribuição de cargos e verbas.

Temer colocou-se à disposição de Dilma para auxiliar o governo naquilo que chama de “macropolítica”. Fará isso pontualmente, sempre que acionado pela presidente. Mas deixou bastante claro que não reassumirá as atribuições de articulador, das quais se afastou há dez dias.

O vice-presidente foi à residência oficial da presidente a convite dela. Durante o almoço, Dilma direcionou a conversa para o Orçamento da União de 2016, que o governo acaba de enviar ao Congresso com um rombo de R$ 30,5 bilhões. Coube a Temer a iniciativa de tratar da articulação.

Temer foi direito ao ponto. Disse que gostaria de saber o que Dilma esperava dele, já que ainda não haviam conversado depois de sua saída da articulação política. Sobreveio o apelo. A presidente disse que a ajuda do vice vinha sendo inestimável. Preciso que continue me ajudando, ela afirmou. Temer respondeu que ajudará. Mas não mais como articulador político.

Para Temer, sua passagem pela articulação foi concluída com a aprovação de todas as medidas provisórias e projetos do chamado ajuste fiscal do governo. Ele aproveitou para se queixar. Disse ter sido vítima de muita intriga palaciana. E reiterou que não quer mais fazer parte do roteiro de futricas.

A conversa foi franca. A certa altura Temer afirmou que sua volta à articulação não funcionaria. Queixou-se de não ser informado das decisões do governo. Recordou o episódio da CPMF. Soube pelo noticiário que o governo cogitava recriar o imposto sobre o cheque. Quando Dilma lhe telefonou para informar sobre a novidade, às 16h30 de quinta-feira da semana passada, o vice já havia declarado em entrevista que se tratava de “burburinho.”

Temer disse a Dilma que teria poupado o governo do desgaste, desaconselhando a opção pela CPMF. Acha que ajudou a evitar o pior ao sugerir que o projeto de lei de Orçamento de 2016 fosse enviado ao Congresso sem a CPMF. Para Temer, a derrota do governo seria incontornável.

Dilma informou a Temer que fará uma reunião no domingo, para discutir com os ministros econômicos saídas para cobrir o rombo de R$ 30,5 bilhões do Orçamento de 2016. Pediu a Temer que participe desse encontro. O vice disse estará presente.


Rejeitado pedido de Lula contra procurador
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Josias de Souza

O Conselho Superior do Ministério Público indeferiu nesta terça-feira pedido de Lula contra o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes. Lula irritara-se com a decisão do procurador de requisitar investigação contra ele por suposto tráfico de influência em favor da Odebrecht. O ex-presidente petista acusava-o de agir com base apenas em recortes de notícias.

Em maio, outro colegiado, o Conselho Nacional do Ministério Público, abrira uma reclamação disciplinar contra o procurador Anselmo. Mas o procedimento descera ao arquivo no último dia 20 de agosto. O corregedor nacional do Ministério Público, Cláudio Portela, concluíra que reportagens podem, sim, servir de base para a requisição de apurações criminais.


Para Lula, ‘irracionalidade’ leva pessoas às ruas
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Josias de Souza

Lula discursou na noite desta terça-feira no lançamento de um site chamado ‘Memorial da Democracia’. Falou sobre os protestos anti-Dilma. Isinuou que as manifestações ocorrem porque um pedaço da sociedade brasileira sofre de “irracionalidade emocional”.

Munido de seus autocritérios sobre a racionalidade, Lula enxerga nas manifestações contra a corrupção e a favor do impeachment de Dilma Rousseff coisas que o comum dos mortais não vê. Para ele, o asfalto ronca contra a democracia, a favor do congelamento do salário mínimo, pela eliminação dos direitos das empregadas domésticas e por menos negros nas universidades.

Lula comparou as manifetações contemporâneas às passeatas do passado, frequentadas por vários dos militantes que escutavam o seu discurso, feito num sindicato, em São Bernardo. Tomado pelas palavras, o morubixaba do PT acha que não se fazem mais protestos como antigamente.

“[…] Aqui, neste sindicato, ninguém pode reclamar, porque todo mundo já xingou alguém e já carregou uma faixa contra alguém. Então, a gente não pode estar nervoso por manifestações contra nós. Temos de encarar isso com uma certa normalidade”, disse Lula.

Ele prosseguiu: “Agora, a gente tem de saber por que eles estão se manifestando. Aqui tem gente que foi presa, que foi torturada, e em torno de que a gente lutava? Sempre que fomos para a rua, fomos reivindicar melhores condições de vida para o povo brasileiro”.

Nesse ponto, Lula comparou as agendas das velhas passeatas e dos protestos que fustigam Dilma, o PT e ele próprio:

“A gente ia para a rua para valorizar o salário mínimo; tem gente agora indo pra rua contra o aumento do salário mínimo. Nós cansamos de ir pra rua tentando melhorar a condição de vida da empregada doméstica; tem gente indo à rua agora contra as melhorias para as empregadas, que eles preferem chamar de secretária, mas não querem pagar direitos. Fomos para a rua defender as cotas para o povo negro nas faculdades. Tem gente indo para a rua contra.”

Lula estimulou a militância petista a pegar em lanças: “Contra esses, a gente tem que lutar. Se a gente não fizer esse debate, estaremos enfraquecendo o processo democrático neste país.”

Numa versão planetária do ‘nós contra eles’, o sábio da tribo do PT grudou nos brasileiros que descem ao meio-fio a pecha de elite preconceituosa: “Vocês estão vendo o que está acontecendo com a crise de imigração na Europa, e aqui no Brasil também, com os haitianos. Existe uma política de preconceito contra as pessoas mais humildes do mundo inteiro.”

Lula ironizou os panelaços que soam nas noites de transmissão de pronunciamentos de Dilma e de propagandas do PT na televisão. “As pessoas baterem panela quando tem pronunciamento nosso é um ato democrático. Não incomoda ninguém, não atrapalha tanto. O problema é que a empregada depois vai lavar a panela e aí é difícil. Se tiver amassada, vai ser complicado.''

Numa rara concessão à irracionalidade, Lula admitiu a certa altura que talvez seja o caso de o petismo fazer uma concessão à autocrítica: “A única coisa é que temos que medir […] se nós estamos fazendo aquilo que nos propusemos a fazer. Se a gente está certo ou se a gente está fazendo tudo ou se tem alguma coisa para a gente fazer. E a gente tem que medir a pressão para saber também por que eles estão se manifestando.''

Lula reconheceu que os petistas também estão sujeitos à condição humana. “Temos que levar em conta que cometemos erros. Temos defeitos.” Mas logo recobrou a racionalidade plena: “Ninguém fez mais o que nós fizemos por esse país.''

Onde Lula enxerga “erros”, a Polícia Federal, também às voltas com um surto de “irracionalidade emocional”, enxerga crimes. Horas antes de o cacique do PT discursar em São Bernardo, a PF indiciara em Curitiba mais 14 investigados na Operação lava Jato. Entre eles dois “gerreiros do povo brasileiro”: José Dirceu e João Vaccari Neto.

Dirceu foi indiciado por formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Vaccari coleciona as mesmas imputações, além de uma outra: integrar organização criminosa. Sobre os indiciamentos dos dois amigos, Lula não disse nada. Ainda assim, deve-se torcer para que o orador mantenha o seu maravilhoso esforço para atingir a lucidez que falta às ruas.

Mantendo-se do lado racional da vida, Lula não tardará a descobrir a identidade do sósia que enlameou seus dois mandatos. Está claro que alguém muito parecido com o líder máximo do PT privatizou a Petrobras, entregando-a ao conluio que juntou burocratas, políticos e empreiteiros numa pilhagem nunca antes vista na história desse país.

Se conseguir achar o sósia que se fez passar por ele, Lula desfrutará do benefício adicional de ter alguém para responsabilizar pela irracionalidade de ter vendido Dilma ao eleitorado como uma gerentona infalível.


Rombo!
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Josias de Souza

– Via Nani.