Blog do Josias de Souza

STF instaura inquérito contra Paulinho da Força
Comentários 16

Josias de Souza

Agência Câmara

O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a instauração de inquérito contra o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP). Conhecido como Paulinho da Força Sindical, o parlamentar é suspeito de corrupção. Acusam-no de comercializar 'cartas sindicais', como são chamadas as autorizações do Ministério do Trabalho para a criação de sindicatos.

A abertura do inquérito foi requerida pela Procuradoria Geral da República. O ministro Gilmar Mendes ordenou à Polícia Federal que realize diligências. Apura-se se Paulinho participou de esquema que vendia 'cartas sindicais' por R$ 150 mil. Deve-se a denúncia ao repórter Claudio Dantas Sequeira. Ele noticiou o caso em agosto de 2011.

Nessa época, o ministro do Trabalho era Carlos Lupi, do PDT, o mesmo partido de Paulinho. Engolfado por outras denúncias, Lupi deixou o ministério em dezembro de 2011. Hoje, é candidato a senador pelo Rio de Janeiro, com o apoio de Dilma Rousseff. Paulinho era um feliz integrante da bancada governista. Fundou um partido novo, o Solidariedade. Deixou o PDT e associou-se ao projeto presidencial do tucano Aécio Neves.


Graça Foster envia ao TCU dados imobiliários
Comentários 8

Josias de Souza

Sob investigação do Tribunal de Contas da União, a presidente da Petrobras, Graça Foster, enviou ao órgão os papeis relativos à transferência de três imóveis que doou aos filhos. Ela entregou a documentação voluntariamente, antes que lhe fosse solicitada. Fez isso nesta quinta-feira (21).

No mesmo dia, o presidente do TCU, ministro Augusto Nardes, encomendou aos técnicos responsáveis pelo processo sobre a refinaria de Pasadena uma pesquisa cartorial. Os auditores vão requerer aos cartórios do Rio os registros das doações de imóveis de Graça Foster e do ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró aos respectivos parentes.

Apura-se a suspeita de “dissimulação” para escapar ao bloqueio de bens no processo que apura os prejuízos causados à Petrobras pela aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas. No caso de Cerveró, o bloqueio patrimonial já foi determinado. Quanto a Graça, o TCU decidiria nesta semana. Adiou a providência depois que o Globo veiculou a notícia sobre as doações imobiliárias a parentes.

Graça Foster admite que doou três imóveis aos filhos. Sustenta, porém, que as transações nada tiveram a ver com o caso de Pasadena. Entre os papeis que repassou ao TCU há avaliações das propriedades, escrituras e registros cartoriais. Ela sustenta que as transações foram deflagradas em junho de 2013, antes de Pasadena ser pendurada nas manchetes na forma de um escândalo.


Mulher ganha dentes antes de gravar com Dilma
Comentários 6

Josias de Souza

Diz-se que o tempo de propaganda eleitoral de Dilma Rousseff é descomunal. Engano. Deveria ser maior. O ideal seria que as peças eleitorais dos candidatos governistas durassem os 365 dias do ano. Dentro delas mora a felicidade suprema. Em depoimentos eloquentes, todos expressam admiração pelos feitos do governo —ricos, pobres, jovens e velhos. Todos.

A trabalhadora rural Marinalva Gomes Filha, por exemplo, exibiu seu contentamento numa gavação com Dilma e Lula. Foi ao ar nesta quinta-feira. Nalvinha, como é chamada, mora na área rural do município baiano de Paulo Afonso. Beneficiária do programa Água para Todos, ela ganhou duas razões adicionais para verter sua satisfação diante das câmeras.

O repórter João Pedro Pitombo conta que Nalvinha recebeu uma prótese dentária um dia antes de contracenar com Dilma e Lula. Implantaram-lhe nas gengivas um par de dentes frontais. Foi um presente de Dilma, disse a sertaneja. “Tudo que tenho aqui foi Dilma que me deu'', ela enfatizou.

Depois que o repórter procurou o comitê de Dilma, Nalvinha ajustou sua história. Declarou que fora chamada a comparecer num centro odontológico da prefeitura de Paulo Afonso. Ali, um dentista lhe informou que ganharia dentes novos “para receber a presidente Dilma.”

Ah, que país formidável seria o Brasil se todos os brasileiros vivessem num horário eleitoral eterno!


Márcio França cuidará do caixa de Marina Silva
Comentários 21

Josias de Souza

Candidato a vice-governador de São Paulo na chapa do tucano Geraldo Alckmin, o deputado federal Márcio França, do PSB, será o novo coordenador financeiro da campanha presidencial de Marina Silva. Ele terá como adjunto Bazileu Margarido, indicado pela candidata para representar a Rede Sustentabilidade na escrituração do comitê eleitoral.

Roberto Amaral já comunicou a Marina sobre a escolha de Márcio França. Deu-se na noite passada. Correligionários do novo coordenador financeiro informam que a candidata não se opôs à indicação. Receava-se que a aversão de Marina à parceria que uniu o PSB paulista ao PSDB de Alckmin, pudesse levá-la a torcer o nariz.

Pela lei, encerrada a campanha, eventuais débitos devem ser transferidos do comitê eleitoral para a tesouraria do partido. No organograma do PSB, Márcio França comanda a tesouraria. Daí a preferência do partido por ele.


Marina diz que, eleita, só governará por 4 anos
Comentários 364

Josias de Souza

Até a semana passada, Marina Silva era vice de um presidenciável estacionado abaixo dos 10% nas pesquisas de opinião. Decorridos oito dias da morte de Eduardo Campos, ela reuniu os presidentes de cinco partidos de sua coligação. Esboçou a estratégia que adotará para passar ao segundo turno e vencer a eleição. Disse que busca uma aliança com a sociedade, não com as forças políticas tradicionais. Informou que, se prevalecer, governará o Brasil apenas por quatro anos. Não há hipótese de concorrer à reeleição, realçou.

O encontro ocorreu nesta quinta-feira (21), em Brasília. Compareceram representantes do PSB, PPS, PPL, PHS e PRP. O PSL, que hesita em permanecer na coligação, não deu as caras. A conversa foi franca. A certa altura, o deputado Roberto Freire, que preside o PPS, disse que um dos objetivos da coligação, que era o de levar a eleição para o segundo round, já foi alcançado. Acrescentou que, diante da chance real de Marina medir forças com Dilma Rousseff, era preciso começar a considerar a necessidade de costurar alianças futuras.

Marina evocou a sucessão de 2010, quando obteve quase 20 milhões de votos cavalgando apenas a estrutura do PV. Freire ponderou que, a despeito do desempenho surpreendente, Marina não disputava com chances reais de êxito. Agora é diferente, ele disse. A hipótese de chegar ao Planalto deixou de ser um sonho. E as alianças já não têm utilidade apenas eleitoral. Acha que Marina precisa equipar-se para governar o país. Disse acreditar que é possível negociar acordos sob as regras da política tradicional sem trair princípios caros à candidata.

Conforme relatos de participantes do encontro, Marina mencionou o descrédito da velha política junto à opinião pública. E insistiu: a aliança que importa no momento é com a sociedade, não com os partidos. Levado à reunião por Roberto Amaral, presidente do PSB, o deputado “socialista” Márcio França, candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin, afirmou que Marina não precisa escalar o palanque do governador tucano. Mas disse que, num segundo turno, um entendimento com Alckmin, principal liderança de São Paulo, seria incontornável. Marina silenciou.

Minutos antes, Marina dissera que “o doutor Márcio França” pronunciara a melhor frase sobre o comportamento a ser adotado por ela depois de ter substituído Eduardo Campos na cabeça da chapa da coligação comandada pelo PSB. Ecoando França, Marina disse que não irá a nenhum lugar que já não iria antes. Ou seja: nos Estados, só fará campanha ao lado de políticos com os quais esteja afinada. Alguns dos presentes enxergaram nas entrelinhas de declarações feitas por Marina no encontro espaço para uma evolução das posições políticas da candidata.

Por exemplo: Marina declarou que a morte de Eduardo Campos deixara lições. Um de seus legados foi a mobilização do povo para ideais positivos. Algo que ela pretende honrar e potencializar. Acrescentou que, constrangidos, os representantes da velha política não compareceram ao velório do ex-companheiro de chapa. Vivo, Campos dizia que mandaria para a oposição as “raposas da política”. Citava expressamente os peemedebistas Renan Calherios e José Sarney, que não estiveram no seu entrerro.

Num esforço de interpretação, alguns dos participantes da conversa concluíram que Marina deixou subentendido que exclui do rol das lideranças arcaicas os personagens que foram ao funeral. Entre eles os tucanos Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves, além do petista Lula. De resto, Marina repetiu durante a conversa algo que já dissera sob holofotes. Acha possível governar o país com os melhores quadros partidários, inclusive os do PT e do PSDB. Mesmo no PMDB há pessoas valorosas, ela afirmou, aparentemente referindo-se a gente como Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos.

Marina disse mais: chegando à Presidência, não pretende ser uma mera gerente. A Dilma é uma gerente, afirmou, e veja no que deu. Entregará o país pior do que recebeu, declarou, ecoando uma das frases preferidas de Eduardo Campos. Na sequência, Marina insinuou que, eleita, buscará inspiração em três personagens. O Itamar Franco, sob cuja presidência o Plano Real foi concebido, não era um gerente, afirmou. O Fernando Henrique Cardoso também não era um gerente, acrescentou. O Lula tampouco foi um mero gerente, finalizou.

Como que decidida a demonstrar que não tem aversão gratuita pelo tucanato, Marina recordou que, na sucessão de 2010, reconheceu a importância histórica do “professor Fernando Henrique” num momento em que até o PSDB o ignorava. As observações da candidata deixaram uma impressão positiva nos seus interlocutores. Restou a sensação de que a “nova política” de Marina não resultaria num governo sectário, avesso a composições.

A reunião ocorreu contra um pano de fundo envenenado. Secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira deixou o recinto para informar, sob refletores, que rompeu com Marina. Alegou que a substituta de Eduardo Campos fora grosseira com ele na véspera. Criticou-a asperamente por querer “mandar no partido” que a hospedou. E anunciou que decidira deixar a coordenação-geral da campanha.

Respirava-se na sede brasiliense do PSB um ar pesado. Que foi sendo dissolvido ao longo do dia num caldeirão que misturava dados de pesquisa interna feita pelo partido e notícias sobre as reações dos comitês rivais de Dilma e Aécio. Sondagem telefônica nacional encomendada pelo PSB informou: 1) Marina já estaria empatada com Dilma no primeiro turno; 2) Aécio definha. Levantamentos análogos feitos pelo petismo e pelo tucanato também já teriam detectado a súbita conversão de Marina em fenômeno eleitoral.

À tarde, o deputado Beto Albuquerque, vice na chapa de Marina, negou que a candidata tivesse tratado o correligionário Carlos Siqueira desrespeitosamente. E informou que se oferecera para exercer a coordenação-geral da campanha temporariamente, até que o PSB encontrasse um substituto para Siqueira. Nem precisou. À noite, Roberto Amaral, o presidente da legenda, informou por meio de nota oficial que a deputada Luiza Erundina, por quem Marina tem grande apreço, será a nova coordenadora.

Antes da divulgação da nota, Roberto Amaral, Márcio França e o próprio Carlos Siqueira tropeçaram casualmente em Marina no aeroporto de Brasília. Todos voariam para São Paulo. Por coincidência, no mesmo avião. Siqueira tomou distância. Amaral e França trocaram um dedo de prosa com a candidata. No interior do avião, dispersaram-se —Marina sentou-se no fundão. A troica do PSB ficou mais à frente.

A candidata foi festejada por eleitores em todos os estágios da viagem —antes do embarque, dentro da aeronave e no desembarque. A disposição do PSB para a briga diminui na proporção direta do crescimento do prestígio de Marina.


Pós-sal!
Comentários Comente

Josias de Souza

- Charge do Paixão, via 'Gazeta do Povo'. Aqui, uma notícia sobre o tema.


Luiza Erundina coordenará campanha de Marina
Comentários 9

Josias de Souza

Em nota divulgada na noite desta quinta-feira (21), o presidente do PSB, Roberto Amaral, informou que a deputada Luiza Erundina (SP) será a nova coordenadora-geral da campanha presidencial de Marina Silva.

Erundina substituirá Carlos Siqueira, secretário-geral da legenda, que rompeu com Marina e abandonou o posto. Com a escolha de Erundina, o deputado gaúcho Beto Albuquerque, vice de Marina, não precisou assumir o posto. Mais cedo, Beto se dispusera a exercer temporariamente a coordenação.


Vice de Marina Silva deve assumir coordenação
Comentários 82

Josias de Souza

Líder do PSB na Câmara e candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada por Marina Silva, o deputado Beto Albuquerque deve assumir a coordenação-geral da campanha. Planeja permanecer no posto temporariamente, até que seu partido escolha um substituto para Carlos Siqueira, que rompeu com Marina, criticou-a duramente e abandonou a coordenação nesta quinta-feira.

“Estou pretendendo assumir provisoriamente a coordenação da campanha”, disse o próprio Beto ao blog. “Quero me apresentar ao presidente do nosso partido, Roberto Amaral, para ser o coordenador e fazer a travessia nesse período de estresse que estamos vivendo. Serenados os ânimos, faremos a escolha de um coordenador definitivo.”

Beto já consultou Marina, que concordou. Conversou também com o deputado Walter Feldmann, indicado pela candidata para representar a Rede no núcleo de coordenação da campanha. Só falta bater o martelo com Roberto Amaral.

Afinal, a coordenação-geral será exercida pelo PSB ou pela Rede?, quis saber o repórter. E Beto: “Isso está entendido desde ontem. Não tem dúvida. Marina deixou claro que o PSB permaneceria na coordenação. Carlinhos era o coordenador. O Feldmann ficaria como adjunto.”

Carlos Siqueira exagerou ao dizer que Marina foi grosseira com ele? “Respeito muito o Siqueira”, disse Beto. “Ele sempre foi e vai continuar sendo um pilar da estrutura do nosso partido. Mas eu estava na reunião. Posso dizer que não houve grosseria. Não é do feitio da Marina. O que houve foi uma incompreensão do que foi dito. Algo que atribuo ao estresse que todos vivemos nos últimos dias.”

Nas palavras de Beto Albuquerque, o que houve na conversa que resultou no desentendimento foi o seguinte: “A Marina quis dizer que a coordenação deveria permanecer com o PSB. Elogiou o Carlinhos. E disse que, nessa nova fase, caberia ao PSB decidir quem seria o coordenador. O Carlinhos se ofendeu. Achou que ela estava demitindo ele. Não é verdade. Estamos todos estressados, mas não vamos transformar isso numa crise. É desproporcional.”

- Atualização feita às 23h41 desta quinta-feira (21): Roberto Amaral, presidente do PSB, informou em nota que a deputada Luiza Erundina (SP) será a nova coordenadora-geral da campanha de Marina. Com isso, Beto Albuquerque desobrigou-se de assumir o posto.