Blog do Josias

Cabral acerta com Dilma uso do Exército no Rio

Em conversa telefônica com Dilma Rousseff, na noite desta quinta-feira (9), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), combinou o emprego de forças federais para garantir a ordem no Estado.

Em diálogos anteriores, Dilma já havia colocado à disposição de Cabral o Exército e a Força Nacional de Segurança. O governador, porém, dissera acreditar que não seria necessário. Nesse último contato, mudou o tom.

Reunidos em assembléia, os bombeiros, a PM, a Polícia Civil e os agentes penitenciários do Rio decidiram cruzar os braços a partir de 0h. Juntas, as três categorias reúnem cerca de 70 mil pessoas. Desse total, apenas 2.500 compareceram ao encontro que decidiu pela greve.

Um auxiliar Cabral conta que o governador ainda acalentava na noite passada a expectativa de que o grosso das corporações não vai aderir à paralisação. Mas, na dúvida, viu-se compelido a reconhecer a hipótese do emprego de reforço federal.

Em combinação com o Planalto, o Exército já havia acionado o Comando Militar do Leste. Encontram-se de prontidão 14 mil soldados. O plano de ação prevê o suporte logístico da Marinha e da Aeronáutica. Tudo isso a uma semana do Carnaval.

Em viagem ao Marrocos, o ministro Celso Amorim (Defesa) foi iformado dos detalhes pelo telefone. À noite, embarcou de volta para o Brasil. Dilma espera que ele dê expediente em Brasília nesta sexta (10).

Cabral relutava em admitir o uso de forças federais porque imaginava que a greve seria evitada por um projeto que enviara às pressas à Assembléia Legislativa do Rio. Prevê a antecipação para fevereiro de reajuste que seria pago em 11 parcelas de 0,915% ao longo do ano. O texto foi aprovado. Mas não evitou a greve.

Bombeiros, PMs e policiais civis do Rio reivindicam um piso salarial de R$ 3.500. Uma cifra bem acima do que o governo se dispõe a pagar. Na conta oficial, os contracheques serão de R$ 2.077 em fevereiro de 2013.

Em entrevista concedida horas antes da decretação da greve, Cabral soara confiante: “Tenho certeza que os profissionais da segurança estão comprometidos com a nossa população e sabem que esse nao é o melhor método para uma discussão civilizada.”

Dissera que, considerando-se os reajustes concedidos nos últimos três anos, o governo do Estado comprometeu R$ 1,8 bilhão –“a maior recuperação salarial dada a uma categoria no serviço público na história do Rio”. No exercício do seu segundo mandato, Cabral atacara os antecessores:

“Eles reconhecem que o nosso governo fez muito nesses anos. Se toos os que me antecederam tivesem feito o mesmo, o padrão salarial do profissional do Rio – bombeiro, policial civil e policial militar— seria o melhor da América Latina, um dos melhores do mundo. Mas não fizeram antes de mim.” (assista abaixo).

- Atualização feita às 17h56 desta sexta (10): Policiais e bombeiros grevistas foram presos no Rio. As autoridades do Estado declaram que a adesão à greve deflagrada na noite passada foi pequena. Consideram que, por ora, não há necessidade de recorrer às forças federais.

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