Lula quer convencer Temer a desistir de Chalita
A perspectiva de entrada do tucano José Serra na disputa pela prefeitura de São Paulo vai reabrir um debate que PT e PMDB davam por encerrado. Lula deseja convencer o vice-presidente Michel Temer a desistir da candidatura de Gabriel Chalita, associando-se à coligação petista de Fernando Haddad.
Dois dias antes de internar-se no hospital Sírio Libanês, no sábado (11), Lula dissera a um líder petista que o visitou que voltaria a procurar Temer. Considera um contrasenso que os dois maiores partidos do condomínio governista participem de uma eleição estratégica como a de São Paulo em palanques distintos.
Nesta sexta (17) Lula realiza sua 32a sessão de radioterapia. De acordo com o cronograma dos médicos, será a última. Ele espera receber alta hospitalar nas próximas horas. Nos sete dias em que esteve internado, o cenário da disputa paulistana sofreu uma reviravolta.
Lula programara-se para apressar a aliança do PT com o PSD de Gilberto Kassab. Planejava acertar os derradeiros detalhes ainda em fevereiro, numa conversa com o prefeito. Agora, vê esboroar sua estratégia. Confirmando-se o “fato novo” Serra, Kassab deve acertar-se com o PSDB.
Em consequência, o PT terá de voltar todas as suas atenções para a negociação com os partidos ditos governistas. A cúpula do petismo exclui o PMDB de sua lista. Lula, ao contrário, considera a parceria com a legenda “fundamental”. Agora mais do que antes.
Se for a Temer, como disse que faria, Lula encontrará um osso duro de roer. O vice-presidente trata a candidatura de seu pupilo Chalita como uma espécie de ressurreição do PMDB na cidade de São Paulo. Alega que a legenda exibe um entusiasmo que se irradia para os municípios do interior do Estado.
Diferentemente de Lula, Temer não vê problemas no fato de PT e PMDB apresentarem-se aos eleitores em palanques distintos. Dispõe-se a firmar um compromisso em relação ao segundo turno. Diz que o PMDB não hesitará em apoiar Haddad caso Chalita não chegue ao segundo round. Otimista, espera que a recíproca seja verdadeira.
Na conversa que precedeu sua intennação, Lula insinuara que, mantida a renitência do PMDB, a divisão de forças em São Paulo pode levá-lo a modificar os planos em relação a 2014. Seu apoio à presença de Temer na chapa reeleitoral de Dilma Rousseff não seria automático.
Políticos que integram o grupo de Temer avaliam que a retirada da candidatura de Chalita teria, a essa altura, efeitos ruinosos para o PMDB. Ficaria entendido que o partido virou um “satélite” do PT. Na definição de um dos partidários de Temer, o gesto equivaleria à “humilhação suprema.”
O próprio Temer costuma dizer que a força do PMDB em Brasília depende da musculatura que a legenda for capaz de exibir nos Estados e nos municípios. Assim, não faria o menor sentido renunciar ao direito de apresentar um projeto próprio na maior, mais rica e mais importante cidade do país.
De resto, o PMDB já começou a estruturar a coligação de seu candidato. Chalita acertou-se em termos formais com o PSC. Temer já ofereceu a posição de vice ao DEM. E a legenda gastou nacos generosos de sua propaganda institucional no rádio e na tevê para difundir o rosto de Chalita. Apoiar Haddad agora significaria jogar todo esse esforço na lata de lixo. Iria junto a imagem do partido.

