Blog do Josias



Chalita entra no jogo com mensagem anti-Serra

Josias de Souza

O bom de uma candidatura com baixos índices nas pesquisas e ignorada pelos rivais é que nada pior pode acontecer ao candidato. É nessa condição que se encontra Gabriel Chalita, oficializado neste domingo (24) como postulante do PMDB à prefeitura de São Paulo.

No esforço para fazer-se notar, Chalita atira para o alto. Alveja o desafeto tucano José Serra, por ora o antagonista mais bem posto nas sondagens eleitorais. No jingle, apresenta-se como candidato que “tem palavra e cumpre com seu juramento, é São Paulo em primeiro lugar, é São Paulo 100%.”

A alusão ao calcanhar do tucano é explícita. Na campanha de 2004, Serra assinara um compromisso de cumprir a integralidade do mandato. Eleito, trocou a prefeitura pelo governo do Estado em 2006. “Não vamos fazer de São Paulo o trampolim para outros cargos”, cutucou Chalita. “A cidade já perdeu tempo demais com políticos que têm ambições nacionais.”

Numa convenção realizada a céu aberto, na Praça da Sé, o candidato do vice-presidente Michel Temer condenou também o uso eleitoral da máquina pública. Serra, como se sabe, dispõe do apoio dos operadores de duas máquinas poderosas: o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab.

Tomado pelas palavras, Chalita dá de barato que as engrenagens do Estado e do município já se encontram a serviço de Serra. “Esse uso é indecente, incorreto e criminoso. A máquina pública deveria ser usada para cuidar das pessoas, e não para fins eleitoreiros.”

O petista Fernando Haddad também se serve de uma máquina, a federal. Mas as críticas ao dodói de Lula foram como que terceirizados ao presidente em exercício do PMDB, senador Valdir Raupp (RO): “Chalita não tem dinheiro ou cargos para oferecer a outros partidos, mas tem propostas.”

Em troca do apoio a Haddad, Paulo Maluf, mandachuva do PP paulista, acomodou um apadrinhado numa poltrona da Esplanada de Dilma Rousseff –uma secretaria do Ministério das Cidades. Daí a alfinetada de Raupp.

Chalita faz o que lhe resta. Com 6% na última pesquisa, tenta convencer os outros 94% inquiridos pelo Datafolha de que eles não sabem o que fazem. Para fugir da invisibilidade, alveja o concorrente mais conhecido. Coisa prevista em todos os manuais de campanha.