Mercosul veta Paraguai em sua próxima reunião
Josias de Souza
Os países-membros do Mercosul decidiram “suspender” o direito do Paraguai de participar da próxima reunião do bloco. O encontro começa nesta segunda (25) e vai desaguar numa reunião de cúpula, no próximo final de semana, com a presença dos chefes de Estado. Entre eles Dilma Rousseff. Tudo isso na cidade argentina de Mendoza.
Coube à anfitriã anunciar o veto à participação do Paraguai. Em comunicado oficial, a chancelaria da Argentina anotou que os países que compõem o Mercosul manifestaram “sua mais enérgica condenação à ruptura da ordem democrática na República do Paraguai, por não ter sido respeitado o devido processo.”
Assim, em resposta à deposição sumária de Fernando Lugo, “suspender o Paraguai de forma imediata e, por este ato, do direito de participar da Reunião do Conselho do Mercado Comum e da cúpula de presidentes do Mercosul.”
O gesto é prenúncio do que está por vir. O Paraguai deve ser suspenso do Mercosul e também da (União de Nações Sul-Americanas) enquanto durar o mandato-tampão de Federico Franco, o vice que assumiu no lugar do defenestrado Lugo.
A providência tem um significado mais político do que econômico. Note-se que o vocábulo utilizado é “suspensão”, não expulsão. A próxima eleição presidencial paraguaia ocorrerá em abril de 2013.
Quer dizer: se o processo for regular e as urnas puderem ser consideradas legítimas, a coisa volta ao normal daqui a nove meses. A Unasul é um conglomerado político. Mas o Mercosul é mais do que isso. Envolve tratados comerciais. A exclusão do Paraguai causaria transtornos indesejáveis.