Blog do Josias



CPI do Cachoeira ouviu só 8% dos convocados

Josias de Souza

Suposto criador da dialética, Zenão desenvolveu uma teoria interessante: um objeto móvel que se desloque de um ponto para outro realiza um movimento impossível. Para atingir seu alvo terá, antes, que percorrer metade do caminho. Em seguida, terá de percorrer a metade da metade que sobrou. Depois, a metade dessa outra metade. E estará sempre à metade de sua meta, no tempo infinito.

Quem já recebeu uma flechada no peito ou um tiro na cara sabe que Zenão nem sempre pode ser tomado ao pé da letra. Mas quem observa o ritmo da CPI do Cachoeira fica com a incômoda sensação de que a comissão caminha em ritmo pré-dialético. Está sempre aquém da metade da metade da metade do caminho a ser percorrido.

A CPI começou a funcionar no final de abril. Tem seis meses para atingir sua meta. Se quiser, pode esticar o prorrogar o prazo por igual período. Mas o relator Odair Cunha (PT-MG) não trabalha com essa hipótese. Quer dizer: a CPI está na bica de alcançar a metade de sua vida útil.

Por ora, foram convocadas 109 pessoas, das quais apenas 24 compareceram à CPI. Apenas nove abriram o bico. Num movimento inaugurado por Carlinhos Cachoeira, nada menos que 15 depoentes lançaram mão do direito constitucional ao silêncio. Ou os parlamentares fazem falar os documentos confidenciais guardados na sala-cofre da CPI ou logo, logo a investigação legislativa vai chegar a lugar nenhum.

- Ilustração via Orlandeli.