Embolamento de SP revela limitações de Lula e avarias na imagem de Serra como líder regional
Seja qual for o resultado do primeiro round da briga pela prefeitura paulistana, Lula e José Serra devem receber más notícias do eleitorado. O principal ator político do PT será informado de que seu prestígio continua sendo menor em São Paulo do que em outros pedaços do mapa brasileiro. A estrela do PSDB será avisada de que seu brilho como liderança regional é cadente.
Considerando-se os dados trazidos à luz pelo Datafolha e pelo Ibope horas antes do encontro com as urnas, há uma única certeza: haverá segundo turno em São Paulo. No mais, tudo é dúvida. As duas pesquisas não descartam a hipótese de Celso Russomanno passar à segunda fase. Seu rival pode ser Serra ou Fernando Haddad. Tampouco foi descartada a possibilidade de um embate direto entre Serra e Haddad.
Contabilizando-se apenas os votos válidos (sem os brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos), o Ibope farejou um empate triplo em 26%. No Datafolha, o empate é técnico: Serra aparece com 28%, Russomanno com 27% e Haddad com 24% dos votos válidos. Nessa sondagem, a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Entre todos os candidatos, Serra é o mais conhecido. Natural. Já foi deputado, senador, ministro, governador, já concorreu à Presidência um par de vezes. Se o Datafolha estiver mais próximo da realidade, as chances de Serra sobreviver na disputa municipal são maiores do que as de Haddad. Porém…
O simples fato de o tucano estar emparelhado com Russomanno, um antogonista de biografia enxuta e duvidosa, já diminui Serra. Ficou entendido que um pedaço do eleitorado quer renovação. Pior: na busca pela novidade, uma boa quantidade de eleitores flerta com a ideia de trocar a experiência de Serra pelo imponderável que se esconde atrás de Russomanno. Não é algo negligenciável. Longe disso. A eventual ausência de Serra no segundo turno teria o peso de uma lápide.
Quanto a Lula, houve um impressionante rebaixamento de expectativas. O puxador de votos do petismo imaginou-se capaz de repetir com Haddad-2012 o triunfo de Dilma-2010. Vai ficando demonstrado que, em São Paulo, o pé direito do prestígio de Lula é mais baixo. Tomado pelas pesquisas, o ex-soberano não conseguiu levar Haddad nem aos patamares históricos do PT. Na capital paulistana, o petismo costuma amealhar pelo menos um terço dos votos.
Submetido ao choque de realidade, Lula viu-se compelido a admitir dois dias atrás: esta é a "eleição mais complicada" em que já se meteu em São Paulo. A complicação, de fato, não é pequena. O PT já enfrentou disputas duras em São Paulo. Candidato à reeleição em 2006, o próprio Lula perdera para Geraldo Alckmin na cidade e no Estado. Em 2010, Dilma também teve menos votos do que Serra entre os paulistas. A novidade está no percentual atribuído a Haddad, distante do histórico nível dos 30%.
O constrangimento para o PT e, sobretudo, para Lula será maior se Haddad não for ao round final. Segundo turno sem um petista é coisa nunca antes vista na cidade de São Paulo desde que passou a vigorar no país a eleição em dois turnos, há duas décadas. Materializando-se o desastre, o petismo terá de lamber duas feridas: a inferioridade em relação ao tucanato e a conversão do dodói de Lula numa espécie de sub-Russomanno. Deve ter muita gente rezando nesta madrugada de sábado para domingo.
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