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Josias de Souza

FHC diz que Lula tornou-se ‘presidente adjunto’

Josias de Souza

23/02/2013 03h30

Ao final de uma semana em que PT e PSDB arrastaram 2014 para dentro de 2013, Fernando Henrique Cardoso recuou a 2002. Recordou que Lula o aconselhara a desfrutar da ex-presidência com discrição. Acha que o conselheiro, agora também de pijamas, esqueceu de seguir o próprio conselho.

"Ele está tão ligado às coisas do governo que dá impressão que é um presidente adjunto", bicou o grão-tucano. "Não acho que isso seja institucionalmente bom. Pergunta lá em São Paulo se eu indiquei alguém para o governador. Se o presidente Lula quer fazer isso, não é ilegal. Só acho um pouco estranho."

Para FHC, as intromissões de Lula projetam sobre Dilma Rousseff "uma sombra." Sombra "grande" e desnecessária. "Ele devia fazer o que ele me aconselhou a fazer. Eu opino de vez em quando." Sobre os ataques do petismo e de Lula à era FHC, o alvo comentou: "Para o bem do Brasil é preciso que as pessoas respeitem as regras. E que entendam que não podem tratar o adversário como inimigo."

Prosseguiu: "Infelizmente, a tática toda a vida do PT tem sido oposta a isso: nós somos bons, vocês são maus." FHC acha que, no campo da ética, a dicotomia já não cola. Por quê? Os petistas agora "têm o mensalão na testa." Irônico, disse que a fixação de Lula e Cia. por tudo o que se relaciona a ele pede um divã.

"A relação do PT comigo pessoalmente e com meu governo é de psicanálise. Tem que tirar o pai da frente. Eles sabem que quem fez a estabilização fomos nós, quem começou as políticas sociais fomos nós. Não é que eles não tenham melhorado, mas por que precisa dizer que a gente não fez nada?"

Tentativa de psicosíntese: mais parecidos do que se imagina, petistas e tucanos são espécimes incuráveis. Na aparência, assemelham-se aos outros seres humanos. Algo, porém, os distingue da malta: o ego vaza-lhes por cima. Dada a complexidade de suas personalidades, não é possível reuni-los num único complexo.

– Ilustração via 'Fraga Caricaturas'.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.