Blog do Josias de Souza

Hecatombe da Odebrecht intima o eleitor a agir

Josias de Souza

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Imagine que você é um brasileiro atento ao cenário político e tem uma namorada chamada Janete com quem gosta de trocar ideias sobre a conjuntura. Imagine que você foi às ruas pedir a saída da Dilma e torce pelo Temer. Imagine que você já tem em quem votar na eleição de 2018 e conta com a recuperação da economia para pedir um aumento de salário ao chefe. Depois da hecatombe provocada pela colaboração da Odebrecht, recomenda-se que você telefone imediatamente para sua namorada Janete. Ela pode ser a única coisa que lhe restou.

Os plenários da Câmara e do Senado foram desligados da tomada já na tarde de terça-feira. O Planalto vive a neurose do que está por vir. Cercado de ministros e aliados suspeitos e temendo o pior, Temer levou os lábios ao trombone: “Não podemos paralisar o governo”, ele disse. Há cadáveres demais no noticiário. Mas o caráter pluripartidário da autópsia fez desaparecer do necrotério o contraditório. Ninguém se anima a jogar pedras no outro. Sujos e mal lavados estão todos sob o mesmo telhado de vidro.

Digam o que disserem da Odebrecht, não se pode deixar de admirar o seu caráter democrático. O departamento de propinas da empreiteira comprou políticos de todas as ideologias. À medida que forem avançando as investigações você vai conhecer a cotação de cada um. Um Renan vale quantos Padilhas? Os reis da política estão todos nus. A nudez é tão generalizada que corre-se o risco de eles tentarem te convencer de que foi inventado um novo tipo de tecido. Dirão que é belo e resistente, mas completamente invisível para os pessimistas. Não caia nessa. Se encontrar sua namorada Janete discuta com ela o que fazer. O futuro da democracia nunca esteve tão nas mãos do eleitor como agora.