Blog do Josias de Souza

Arquivo : agosto 2015

Para Temer, saída do PMDB do governo aproximaria economia de quadro caótico
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Josias de Souza

Para se contrapor aos radicais do PMDB, que defendem o rompimento com Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer passou a brandir internamente a tese do caos econômico. Sustenta que o desembarque imediato do partido produziria tamanha instabilidade política que os efeitos sobre a economia seriam devastadores.

Nessa avaliação, a saída formal do PMDB atearia nos agentes econômicos a percepção de perda da capacidade do governo de recompor sua maioria no Congresso. Os reflexos seriam instantâneos sobre as cotações da Bolsa e do câmbio. Os investidores, hoje hesitantes, se trancariam no cofre. E a perspectiva de retomada do crescimento econômico iria para as calendas.

Beneficiário direto de um eventual impeachment, o número 2 de Dilma equilibra-se sobre o fio da navalha. Aos interlocutores da oposição, Temer informa nos subterrâneos que não hesitará em cumprir suas responsabilidades constitucionais sempre que demandado. Aos correligionários do PMDB, diz que não convém à legenda sacrificar sua condição de esteio da governabilidade.


FHC não exclui hipótese de Lula ir para a cadeia
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Josias de Souza

Em nota divulgada neste sábado, Fernando Henrique Cardoso explicou o teor de entrevista concedida à revista alemã Capital. Nessa conversa, ele atribuíra a Lula a responsabilidade política pela corrupção na Petrobras. Mas soara contrário à prisão do rival petista. Ao se explicar, FHC disse que não costuma falar mal de políticos brasileiros quando se dirige ao estrangeiro. E deixou claro que não exclui a hipótese de Lula ser preso. “Se o merecer, quem dirá será a Justiça e é de lamentar, porque terá jogado fora (coisa que vem fazendo aos poucos) sua história.”

A entrevista à revista alemã circulou neste sábado. Mas em notícia reproduzida na véspera pelo UOL, a agência de notícias alemã Deutsche Welle havia antecipado alguns trechos. Perguntou-se a FHC se acha que Lula está envolvido na roubalheira da Petrobras. E ele: “Não sei em que medida. Politicamente responsável ele é com certeza. Os escândalos começaram no governo dele.” Sobre a prisão de Lula, foram realçadas duas frases:

1. “Para colocá-lo atrás das grades, é necessário haver algo muito concreto. Talvez ele tenha que depor como testemunha. Isso já seria suficientemente desmoralizante.”

2. “Isso dividiria o país. Lula é um líder popular. Não se deve quebrar esse símbolo, mesmo que isso fosse vantajoso para o meu próprio partido. É necessário sempre ter em mente o futuro do país.”

As declarações de FHC renderam-lhe críticas nas redes sociais. Houve incômodo também no PSDB. Daí a nota divulgada neste sábado. Nela, FHC insinua que suas declarações estão defesadas: “A entrevista foi dada há algum tempo, não me recordo os termos que usei.” E alega que seu estilo é diferente do de Lula e do PT: “Ao falar ao estrangeiro cuido sempre de não ser agressivo com políticos brasileiros.
 Por outro lado, não falo, ao estilo lulopetista, desconhecendo o 
passado e negando fatos.”

“Lula, gostemos ou não dele e de suas 
políticas, foi o primeiro líder operário a chegar à Presidência, o que tem inegável peso simbólico”, anotou FHC, antes de tratar do tema que motivou a divulgação da nota: “Por que haveria eu de dizer ao exterior que merece cadeia? Se o merecer, quem dirá será a Justiça e é de lamentar, porque terá jogado fora (coisa que vem fazendo aos poucos) sua história.”

Noutra referência ao estilo agressivo de Lula, FHC escreveu: “Não se constrói o futuro com amargor, nem desmerecendo feitos.
Tampouco poderá ele se erigir tapando o sol com a peneira. Mas nas democracias não é o interesse de pessoas ou de partidos quem dá a palavra final. É a Justiça. Podemos até torcer para que ela atue. Mas o bom senso de cada líder deverá conter seus naturais impulsos por ‘justiça já’, ou a qualquer preço, em favor da moderação e do respeito às regras do jogo. O fato dos adversários não se comportarem assim não deve nos levar a que nos igualemos com eles.”

Na entrevista à revista alemã, FHC fizera comentários também sobre Dilma. Indagado se acredita no envolvimento dela com corrupção, dissera: “Não, não diretamente. Mas o partido dela, sim, claro. O tesoureiro está na cadeia.” Acrescentara: “Eu a considero uma pessoa honrada, e eu não tenho nenhuma consideração por ódio na política, também não pelo ódio dentro do meu partido, [ódio] que se volta agora contra o PT.” Sobre esses trechos, FHC não fez nenhum reparo em sua nota de esclarecimento.


Renato Duque ameaça tirar o PT de sua ficção
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Josias de Souza

Logo que explodiu a Lava Jato, o PT criou para si um Brasil alternativo. Um país fictício em que nada acontecera. Escaldados com o fracasso do discurso de que o mensalão não passara de caixa dois, dirigentes do partido e Lula propuseram e aceitaram a tese de que as propinas do petrolão eram doações legais, que o partido não tinha nada a explicar e que o assunto estava encerrado. Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, ameaça implodir essa ficção.

Caciques do PT e auxiliares petistas de Dilma Rousseff vivem a síndrome do que está por vir se o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, homologar o acordo de delação premiada que Duque alinhavou, ponto por ponto, com procuradores. O que mais inquieta o petismo é a sensação de que Duque, um delator tardio, terá de se aprofundar nas podridões para se credenciar às recompensas judiciais. A essa altura, com mais de duas dezenas de delatores, os investigadores já podem se dar ao privilégio de dispensar confissões rasas —dessas que uma formiga atravessa com água pelas canelas.

Desde que foi levado ao microondas pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Robeto Costa, como o homem dos “3% para o PT”, Renato Duque fazia o tipo durão. Foi amolecido pelo sítio das delações alheias e pela prisão longeva —foi em cana no dia 14 de novembro de 2014. Encanta-se com a possibilidade de ganhar uma tornozeleira eletrônica e migrar de um xilindró de oito meses e meio para uma prisão domiciliar. Para que isso ocorra, Duque terá de arrancar o PT da fantasia do dinheiro sujo lavado na Justiça Eleitoral.

Renato Duque empregou-se na Petrobras como engenheiro, em 1978. Virou diretor em 2003, no alvorecer da Era Lula. Os 25 nos de casa não lhe bastaram. Para subir do escalão gerencial para a diretoria, precisou do velho e bom apadrinhamento político. Bancou-o José Dirceu, nessa época o todo-poderoso chefe da Casa Civil de Lula.

Quem cuidou dos detalhes foi Silvio Pereira, então secretário-geral do PT. O mesmo Silvinho que, em 2004, ganharia de um fornecedor da Petrobras uma Land Rover. Pilhado em 2005 na direção do carro-propina, o companheiro virou réu no processo do mensalão. Num acordo com o Ministério Público, trocou o risco de condenação por mais de 700 horas de serviços comunitários. Se Lula e o PT tivessem acordado nessa época, tomando outro rumo, Renato Duque não lhes tiraria o sono agora.


Pacto!
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Josias de Souza

– Charge do Paixão, via Gazeta do Povo.


Aécio: ‘O governo Dilma se habituou à mentira’
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Josias de Souza

“Estamos sendo governados por um governo mitômano”, disse ao blog o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, nesta sexta-feira (31). “O governo se habitou tanto a conviver com a mentira que já não consegue viver sem ela. Recorre à mentira mesmo quando ela é desnecessária e escancarada a ponto de ser desmascarada no dia seguinte.”

Os comentários de Aécio foram feitos em reação à falsa notícia veiculada pela Presidência da República sobre a reunião de Dilma Rousseff com os governadores, no Palácio do Alvorada. No texto, informou-se que os visitantes “fizeram uma defesa clara […] da manutenção do mandato legítimo da presidenta Dilma”. Conforme noticiado aqui, o tema não foi sequer discutido no encontro.

Para Aécio, Dilma “perdeu mais uma oportunidade de fazer um mea-culpa sincero. E essas oportunidades não aparecem todo dia.” O senador acrescentou: “Ela só resgatará minimamente sua condição de governabilidade se começar a dizer a verdade.”

Adversário de Dilma na eleição presidencial do ano passado, Aécio lamentou que a presidente “não tenha assumido sua responsabilidade pela crise” econômica. “Para ela, a culpa continua sendo exclusivamente da conjuntura internacional, do preço das commodities, da seca do Nordeste. Tudo, menos os erros dela. Muitos governadores saíram do encontro desanimados com esse teatro de faz de conta.”

Aécio ironizou o trecho do discurso de Dilma em que ela disse que cumprirá os compromissos assumidos na campanha “ao longo do nosso período de governo de quatro anos, portanto, até 2018.”

“Pela primeria desde a redemocratização do país uma presidente da República inclui o prazo do seu mandato num discurso”, disse Aécio. “Ela está tão fragilizada que se sentiu obrigada a lembrar até quando vai o seu mandato. ‘Meu mandato vai até 2018, viu, gente?’”

De resto, Aécio declarou que “Dilma precisa se preocupar mais com sua própria base de apoio” do que com a oposição. “Os apelos da presidente têm de ser dirigidos aos seus apoiadores, que estão permitindo que as pautas que a desagradam avancem. Nós estamos em minoria no Congresso.”