Blog do Josias de Souza

Arquivo : julho 2014

Promiscuidade torna a política incompreensível
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Josias de Souza

O PMDB do Rio ofereceu um jantar para Dilma. Mas o governador Pezão, candidato à reeleição pelo PMDB está formalmente coligado no Rio ao PSDB de Aécio. O PT fluminense ficou irritado com a presença da petista Dilma no repasto do PMDB. Mas o senador Lindberg, candidato petista ao governo estadual, carrega em sua coligação o PSB de Eduardo Campos. Que já foi aliado de Dilma, mas hoje é um dos mais ácidos críticos da presidência dela. Você está entendendo?

Façamos mais uma tentativa. PMDB e PT eram aliados no Rio, certo? Nos dois mandatos do peemedebista Cabral, os petistas ocuparam pedaços da máquina estadual. Presidente, Lula abriu as arcas federais para Cabral. Dilma manteve o padrão. De repente, Cabral caiu em desgraça. Lançou Pezão e se recolheu. Autorizado por Lula, o PT rompeu a aliança e apostou em Lindberg. No entanto, em Brasília, PT e PMDB continuam juntinhos na chapa Dilma-Temer. Ficou mais claro?

Tentemos outra vez. No jantar com o PMDB, Dilma afirmou ter descoberto em Pezão “uma grande humanidade.” E Pezão declarou que Dilma foi a “maior amizade” que ele já fez na política: “Nada nos separa”. Mas o PT federal informa: Dilma terá quatro pés no Rio. Um no palanque de Pezão. Outro no de Lindberg. Um no de Garotinho (PR). Outro no de Crivella (PRB). Em resposta, o PMDB dá asas ao híbrido Aezão. E Lindberg diz preferir a companhia de Lula à de Dilma. Entendeu?

Calma, não se desespere. Se você não compreendeu, tranquilize-se. O problema está no modelo político brasileiro, não na sua capacidade intelectual. A isso foi reduzida a chamada política de alianças: a incoerência janta com a ilógica, o pragmatismo abraça a conveniência e a desfaçatez vai para a cama com o oportunismo. Tudo isso sob atmosfera de densa obscuridade.

A dificuldade de enxergar luz no fim do túnel se repete em todos os Estados. A diferença é que, no Rio, o processo tornou-se tão anárquico que já não se vê nem o túnel. Arquirival do PMDB, Cesar Maia, do DEM, um aliado de Aécio, disputa o Senado na chapa de Pezão. Porém, quem discursou no jantar oferecido pelos peemedebistas a Dilma foi Carlos Lupi, que concorre à vaga de senador pelo PDT.

Varrido da pasta do Trabalho por Dilma, em 2011, Lupi recobriu de elogios a presidente que o escorraçou da Esplanada. E a ex-faxineira: Lupi tem “um coração bom”, é “um homem de bem.” Na chapa do petista Lindberg, o postulante ao Senado é Romário, correligionário de Eduardo Campos. Que já foi ministro de Lula e hoje se dedica a espinafrar Dilma.

Cavalgando o socialismo de resultados do seu PSB, Campos se autoproclama uma alternativa “progressista” ao “retrocesso” protagonizado por Dilma e à mudança “conservadora” representada por Aécio. Simultaneamente, Campos tortura sua vice Marina Silva e a lógica aliando-se ao PT no Rio e ao PSDB em São Paulo e no Paraná. A fuzarca seria motivo de risos se não tivesse um efeito devastador.

Os políticos espantaram-se quando a rapaziada vetou a presença de bandeiras partidárias nos protestos que ganharam as ruas em junho de 2013. Alarmaram-se quando as pesquisas revelaram os altos índices de eleitores dispostos a anular o voto ou votar em branco. Num coro puxado por Lula, líderes partidários passaram a defender a atividade política. Hoje, pedem maior engajamento do eleitorado. Como pode a plateia pode engajar-se num processo que não entende?, eis a questão.


As manchetes desta sexta
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Josias de Souza

- Folha: Israel reage a crítica e diz que Brasil é ‘irrelevante’

- Globo: ‘Diplomacia de anão’ – Israel diz que Brasil é irrelevante e criador de problemas

- Correio: Israel e Brasil abrem guerra diplomática

- Zero Hora: Diplomacia também em conflito

- Brasil Econômico: Israel ataca escola da ONU e menospreza diplomacia do Brasil

Leia os destaques de capa de alguns jornais do país.


Dilma ouve frevo que Ariano dedicou a Campos
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Josias de Souza

Adversários na corrida presidencial, Dilma Rousseff e Eduardo Campos se encontaram no velório de Ariano Suassuna, na sede do governo de Pernambuco. A certa altura, a presidente sentou-se ao lado da viúva, Zélia Suassuna.

Os amigos amigos e familiares do escritor puxaram um frevo que Ariano costumava entoar nos comícios de Campos: Madeira que Cupim Não Rói, de Capiba. Diz o refrão: “E se aqui estamos, cantando esta canção/ Viemos defender a nossa tradição/ E dizer bem alto que a injustiça dói/ Nós somos madeira de lei que cupim não rói.”


Na Câmara, Vargas se ‘defende’ com a barriga
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Josias de Souza

Nem André Vargas se anima a defender o deputado André Vargas (ex-PT-PR). Convidado a comparecer ao Conselho de Ética da Câmara três vezes, o amigo do doleiro preso Alberto Youssef não deu as caras. Antes loquaz, Vargas parece ter perdido a língua. Ele agora só se defende com a barriga.

Advogado de Vargas, Michel Saliba informa que seu cliente só admite falar ao conselho depois que forem ouvidas todas as testemunhas arroladas pela defesa. Faltam três. E nenhuma delas esboça a menor intenção de falar. Convidadas quatro vezes, deram de ombros.

Relator do processo contra Vargas, o deputado Júlio Delgado informou que encerrará a fase da coleta de depoimentos na próxima terça-feira (29). Deseja concluir seu relatório nos primeiros dias de agosto, para que o Conselho de Ética possa votá-lo durante o esforço concentrado que a Câmara fará no início do mês.

Desde logo, o advogado de Vargas insinua que deve contestar na Justiça os procedimentos do Conselho de Ética. Deve fazer isso antes que o processo chegue ao plenário da Câmara. Quer dizer: não são negligenciáveis as chances de o amigo do doleiro Youssef continuar pedurado na folha da Câmara até o final da atual legislatura.


No Rio, Dilma ignora o PT e janta com o PMDB
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Josias de Souza

Dilma Rousseff viaja ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira. Ao longo da tarde, cumprirá compromissos de presidente. À noite, já na pele de candidata, jantará com o governador Luiz Fernando Pezão e prefeitos do PMDB, entre eles Eduardo Paes, da capital.

A presidente tenta se contrapor ao chamado ‘Aezão’, movimento que une as campanhas de Pezão ao governo estadual e do tucano Aécio Neves à presidência da República. Para desassossego do petismo local, a agenda de Dilma ignora o senador Lindberg Farias, candidato a governador pelo PT. Menospreza também os candidatos de outras duas legendas aliadas: Anthony Garotinho, do PR; e Marcelo Crivella, do PRB.

Às 14h30, Dilma vai a um estaleiro de Angra dos Reis, o Brasfels. Ali, vistoriará as obras de construção de uma plataforma e de sondas que serão usadas para sugar o óleo do pré-sal. Às 16h30, no bairro carioca da Tijuca, visitará as obras da Vila Olímpica dos Jogos de 2016. O repasto com a turma do PMDB está marcado para as 19h30, na Baixada Fluminense . Dilma mal terá tempo de engolir a comida. Pelo plano de voo original, o avião presidencial decola rumo a Brasília às 20h50.


TSE: ministro suspende comercial da Petrobras
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Josias de Souza

A pedido da coligação partidária do presidenciável tucano Aécio Neves, o ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, do TSE, suspendeu a veiculação de comercial em que a Petrobras anuncia o lançamento de uma nova gasolina. A decisão tem caráter liminar (provisório) e vale até que o plenário do Tribunal Superior Eleitoral julgue o caso. Esta foi a terceira propaganda da estatal petroleira retirada do ar desde o início da campanha eleitoral.

A divulgação de publicidade institucional é proibida nos três meses que antecedem a eleição. A Lei Eleitoral abre exceções apenas para dois casos: propagandas de produtos e serviços com concorrência no mercado e necessidade urgente de esclarecimento público —campanhas de vacinação e de combate a epidemias, por exemplo, desde que autorizadas pela Justiça Eleitoral.

O comercial questionado pela coligação de Aécio dizia: “A Petrobras conhece o brasileiro como ninguém. Por isso, só a gente poderia fazer uma gasolina sob medida para o seu carro e para você. Vem aí a gasolina com nome e sobrenome.” O ministro Tarcísio Vieira acolheu o argumento segundo a propaganda, por genérica, não se encaixa nas exceções previstas em lei.

“A peça publicitária em discussão faz referência demasiadamente genérica a uma futura gasolina, sem indicação precisa se um produto com efetiva concorrência no mercado, autorizando a conclusão, ainda que superficial, que é própria dos provimentos cautelares, sobre não haver abrigo para a sua divulgação”, anotou o relator em sua decisão.

Noutro despacho, o mesmo ministro Tarcísio Vieria indeferiu petição da coligação encabeçada pelo PSDB contra Dilma Rousseff. O comitê de Aécio alegara que a presidente fizera campanha eleitoral antecipada num discurso de 2 de julho, na cidade de Vitória (ES), durante solenidade de entrega de chaves do programa Minha Casa Minha Vida.

No pronunciamento, Dilma prometera dar continuidade a programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Pronatec, além de obras rodoviárias e da construção de novos aeroportos e universidades. O ministro considerou que a presidente “não ultrapassou as balizas da prestação de contas de ato de governo, não caracterizando, pois, propaganda eleitoral antecipada.”

Tarcísio Vieira acrescentou: “A meu sentir, a fala não condiz com propaganda eleitoral antecipada, mas sim com o cumprimento do dever constitucional de publicidade, de ministras, inclusive, informações propiciatórias a um controle social mais eficaz.”


Justiça intima Campos para depor na Lava Jato
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Josias de Souza

Responsável pelo processo da Operação Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, mandou intimar o ex-governador pernambucano Eduardo Campos e o ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra. Ambos foram arrolados como testemunhas de defesa de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, preso em Curitiba sob a acusação de desviar recursos da Refinaria Abreu e Lima, que está sendo construída em Pernambuco.

Antes de determinar as intimações, o juiz exigira dos advogados do ex-diretor da Petrobras que esclarecessem os motivos da inclusão de Campos e Bezerra no rol de testemunhas. Foi informado de que, no entendimento da defesa, a dupla pode ajudar a explicar por que a obra da refinaria ficou mais cara do que o previsto. Embora não estivesse convencido da utilidade dos depoimentos, o magistrado deferiu o pedido em respeito ao princípio da ampla defesa.

“Na perspectiva deste Juízo, a prova requerida não é necessária ao julgamento”, anotou Sérgio Moro em seu despacho. “De todo modo, a bem da ampla defesa, defiro a prova para a oitiva de tais testemunhas.” O juiz deixou claro, porém, que não cogita esperar indefinidamente pelos depoimentos.

Lembrou que não será trivial ouvir Campos e Bezerra, candidatos a presidente da República e a senador pelo PSB, respectivamente. “…Será muito difícil a oitiva de referidas testemunhas em período de campanha eleitoral, concorrendo ambos a cargos eletivos, o primeiro presidencial.”

O juiz realçou, de resto, que não atribui tanta importância à oitiva da dupla. “Não se perquire aqui os motivos do superfaturamento da Refinaria Abreu e Lima, mas sim sobre a suposta lavagem de dinheiro no fluxo de numerário da Petrobras até os depósitos na empresa MO Consultoria”, anotou Sérgio Moro, numa referência à empresa de propriedade do doleiro preso Alberto Youssef, outro acusado no processo da Lava Jato.