Blog do Josias

Arquivo : maio 2013

Aécio adia para 2014 programa que seria para já
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Josias de Souza

 

O vídeo acima é parte de uma entrevista veiculada aqui há três meses, em 22 de fevereiro. Nela, Aécio Neves anunciara que o PSDB apresentaria neste mês de maio “uma proposta alternativa ao que está aí.” Mencionara “um conjunto de ideias-força”. Neste sábado (18), ao discursar na convenção em que foi alçado ao posto de presidente do partido, Aécio não formalizou nenhuma proposta. Tomado pelas palavras, já não cogita fazê-lo tão cedo.

“O PSDB se apresentará no momento certo, e ainda não é hora de tratarmos disso, porque isso deve acontecer em 2014, com um projeto alternativo a esse que está aí”, discursou Aécio. Sem as “ideias-força” de que falava em fevereiro, o pronunciamento do presidenciável tucano teve mais retrovisor do que parabrisa. Disso resultou um paradoxo: Aécio vende o futuro olhando para trás.

Falou do Bolsa Família como “um projeto incorporado, enraizado na paisagem econômica e social.” Deve ser “mantido”, disse. Mas já não dá para se contentar apenas com “a administração diária da pobreza”. No mesmo discurso, jactou-se de realizações tucanas tão incorporadas à paisagem quanto o Pão de Açúcar: a estabilidade do Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo.

Evocando Arthur Virgílio e FHC, que foram ao microfone antes dele, Aécio deu-lhes razão: “É preciso, sim, ter utopia. E nós temos.” Qual? “Queremos tirar o país das garras de um partido político que se esqueceu de suas origens e da sua história.” Para quem já teve o Real, parece pouco.

Aécio discorreu sobre educação, saúde e segurança com a ligeireza de quem corre sobre brasas. Olhos grudados no retrovisor na maior parte do tempo, citou experiências do governo FHC, da sua administração em Minas e do governo paulista de Geraldo Alckmin.

Acha que, hoje, o papel do PSDB é o de “devolver ao país um governo que pense nas futuras gerações, que tenha coragem para fazer as reformas que este governo não fez até aqui.” Que reformas? Bem, “o PSDB apresentará ao país, dentro de pouco tempo, área por área, seu plano, suas propostas.”

Na sucessão de 2002, quando José Serra perdeu a disputa presidencial para Lula, os tucanos começaram a falar em atualização do ideário do PSDB. Em 2006, quando Geraldo Alckmin perdeu para o mesmo Lula, falava-se até em “refundar” a legenda. Em 2010, quando Serra foi batido pela então ‘poste’ Dilma Rousseff, informou-se que o partido encontraria seu rumo num ciclo de seminários. Por ora…


39 ministérios custam o dobro do Bolsa Família
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Josias de Souza

“Penso, logo existo!” Beleza. Mas que cartesianismo explica a existência desses ministérios todos no Brasil? O bom da lógica governamental é que ela tem cara de lógica, rabo de lógica, patas de lógica, mas é ilógica pura.

Niemeyer plantou na Esplanada dos Ministério 19 prédios. Em 2002, FHC legou para Lula 24 pastas. Em 2010, Lula deixou para Dilma 37 ministérios. Agora, já são 39. As repórteres Luiza Damé e Catarina Alencastro foram à máquina de calcular.

Verificaram que, para bancar a estrutura e a folha das 39 pastas, a Viúva gasta pelo menos R$ 58,4 bilhões por ano. É mais do que o dobro da verba destinada ao programa Bolsa Família, que custará R$ 24,9 bilhões em 2013.

O que permite a Brasília subverter Descartes é a noção de que o dinheiro público é dinheiro grátis. O governo não pensa porque o seu, o meu, o nosso bolso existem.


As manchetes deste domingo
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Josias de Souza

- Globo: Recorde de Ministérios custa R$ 58 bi ao país

- Folha: Aécio afirma que PSDB errou ao esconder FHC

- Estadão: Aécio é eleito presidente do PSDB e líderes pregam união

- Veja: Câncer de mama: A escolha de Angelina

- Época: Foi a decisão certa?

- IstoÉ: Exclusivo: Provas da chantagem boliviana

- IstoÉ Dinheiro: O Brasil das Arábias

- CartaCapital: Um dia na vida de um professor

- Zero Hora: Falta de transparência é regra na maioria dos Legislativos estaduais

Leia os destaques de capa de alguns jornais e revistas do país.


Serra aniquila pregação da unidade do tucanato
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Josias de Souza

José Serra prega ‘unidade das oposições’. Ao fundo, FHC e um Aécio Neves de cenho crispado

Após colecionar três derrotas federais, o PSDB já está cansado de saber quais são os seus dilemas. O principal dilema do tucanato, aquele que condiciona todos os outros é: ou a unidade ou a certeza da derrota. Pois o balé de José Serra na convenção que empurrou Aécio Neves para a ante-sala da candidatura presidencial deixou claro que a unidade do PSDB, tal como o partido a trombeteia, não existe.

Muitos falaram de improviso. Serra leu um discurso estudado. Pintou o poder petista como uma ameaça à democracia. E defendeu a união. Do PSDB? Não, das “forças políticas de resistência democrática.”  Acha imprescindível “buscar a convergência.” No partido? “Não apenas no PSDB, mas com todos que estiverem dispostos a marchar com a decência e a justiça.”

Quanto a 2014, Serra declarou que vai “continuar a atuar em favor da unidade”. Do tucanato? Não, não, “das oposições e de quantos entendam que é chegada a hora de dar um basta a essa incompetência incrível, porque eles são orgulhosamente incompetentes.” Quer dizer: numa hora em que o PSDB tenta concentrar-se em Aécio, Serra informa que, na sua moldura, cabem muitos outros rostos –o de Eduardo Campos e o dele próprio, por exemplo.

Num rasgo de generosidade, Serra dirigiu a Aécio um singelo “boa sorte” no exercício da presidência. Da República? Não, não. Referia-se à presidência do partido. Num evento em que Aécio era a estrela, Serra não pronunciou nenhuma palavra que pudesse soar como um elogio ao novo presidente da legenda. Preferiu enaltecer a experiência dos demais membros da Executiva –quatro dos quais ligados a ele.

“A esta presidência, a esta Executiva, a ela nós atribuímos a responsabilidade pela construção das nossas forças de oposição”, acrescentou Serra, como que lavando as mãos. “A ela atribuímos a responsabilidade de conduzir nosso partido, e as oposições no Brasil, à vitória que o povo brasileiro merece no ano que vem.”

O PSDB fretara um avião para trazer a Brasília sua caciquia de São Paulo. Convidado a embarcar no voo na companhia do amigo FHC e de Geraldo Alckmin, Serra refugou a oferta. Antes de rumar para a convenção, Aécio reuniu em seu apartamento os tucanos que chegariam junto com ele ao evento. Chamado, Serra preferiu se abster.

Aécio chegou à convenção junto com FHC, Alckmin e o senador Aloysio Nunes Ferreira. Embora já estivesse na cidade, Serra não regulou seu relógio pelos ponteiros dos outros. Impôs aos demais uma espera de cerca de 30 minutos. Ao chegar, recebeu aplausos exclusivos.

“Eu vou lutar como sempre”, disse Serra a alturas tantas. “Com clareza, com lealdade, sem ambiguidades ou palavras de sentido impreciso. Porque esse é meu estilo. Não tenho porta-vozes. Não tenho intermediários. Não tenho intérpretes. Quem quiser saber o que penso tem só uma fonte confiável: eu mesmo. E conto com lealdade recíproca.”

Sem porta-vozes, fica difícil saber que culpas Serra atribui a Aécio por sua derrota na sucessão de 2010. Mas parece evidente que o ex-rival de Dilma Rousseff carrega nos fundões da alma íntimos e insondáveis pântanos.

 


PMDB cansou dos seus ‘ministros de mão única’
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Josias de Souza

O Planalto e parte de sua ‘base aliciada’ enfrentam uma crise de conceitos. Dilma Rousseff acredita que dispõe de um ministério de reféns. Nessa categoria, os ministros serão ministros enquanto seus partidos obedecerem ao governo no Congresso. O PMDB da Câmara acha que, se Dilma pensa assim, deveria mandar para o olho da rua os ministros da legenda.

Um tanto exausta do tratamento que recebe da presidente, a maioria da bancada federal do PMDB anda de saco cheio dos seus “ministros de mão única”. Dias atrás, um cacique com trânsito junto aos deputados enquadrou, por assim dizer, um ministro: “Vocês precisam entender que não são representantes do governo dentro PMDB. Em verdade, vocês deveriam representar o PMDB no governo.”

Sobram farpas até para Michel Temer. Avalia-se que, no jogo do leva-e-traz, o vice-presidente deveria se preocupar com a primeira parte da brincadeira. -se precisa se preocupar estaria preocupado apenas com a segunda parte da brincadeira. “O Temer não pode ser apenas o vice-presidente que traz as demandas da Dilma para o partido”, disse o cacique. “Ele precisa levar as opiniões do partido à presidente”.

Resumindo a encrenca numa frase: o PMDB não dará vida fácil para Dilma na Câmara.