Blog do Josias de Souza

Arquivo : novembro 2014

Eduardo Cunha viajará a Estados em campanha
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Josias de Souza

Candidato do PMDB à presidência da Câmara, o deputado Eduardo Cunha decidiu levar sua campanha para os Estados. Ele prepara um ciclo de viagens para os meses de dezembro e janeiro. As urnas de 2014 “renovaram” mais de 40% da composição da Câmara. A ideia de Cunha, revelada a aliados, é a de fisgar esse voto, fisgando-o na origem, antes que tomem posse, em 2 de fevereiro..

Simultaneamente, Eduardo Cunha achega-se um pouco mais às legendas de oposição. Dias atrás, um emissário do deputado esteve com Aécio Neve para uma conversa abaixo da linha d’água. Convertido pelo resultado das eleições presidenciais em principal liderança das oposições, Aécio foi convidado a refletir sobre as “vantagens” de ter no comando da Câmara alguém que não se fez politicamente dizendo “amém” para Dilma Rousseff.


Levy prega aperto do tipo que desagrada eleitor
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Josias de Souza

Convidado por Dilma Rousseff para comandar a pasta da Fazenda, Joaquim Levy escreveu há nove meses um artigo que dá ideia do tipo de ministro que pretende ser. No texto, disponível aqui, ele contestou a tese segundo a qual a indústria brasileira definha porque o câmbio está sobrevalorizado. O verdadeiro enrosco, escreveu, é a política fiscal.

Para ele, os políticos não ignoram o que deve ser feito em matéria econômica. Porém, “na maior parte dos países, a correção em geral só acontece depois de um bom susto ou uma crise”. Por quê? Simples: “Porque aperto fiscal, ter menos programas e novidades, não satisfaz nenhum governante e agrada poucos eleitores.”

O convite a Levy distanciou um pouco mais a presidente daquela candidata que cobrava do rival Aécio Neves explicações sobre as “medidas impopulares” que prometia adotar e fustigava Marina Silva por sua proximidade com Neca Setúbal, herdeira do banco Itau. Diretor da administradora de investimentos do Bradesco, Levy é mais “banqueiro” do que a educadora Neca.

O virtual substituto de Guido Mantega defendeu no artigo tripé macroeconômico adotado sob FHC. Acha que ele reconhece que “as políticas monetária e fiscal e o câmbio andam juntos”. Sem meias palavras, escreveu: “Menos gasto do governo ajuda a fazer os juros caírem, desestimulando o excesso de entradas de capital e modulando o câmbio.”

Secretário do Tesouro Nacional no primeiro governo de Lula, Joaquim Levy ajudou a produzir a sucessão de superávits que apagou a desconfiança que o ex-sindicalista do PT ateara nos mercados durante a sucessão de 2002. À frente de um governo que descumpre suas metas fiscais há dois anos, Dilma parece necessitar de um, digamos, ‘efeito Levy’ para tentar restaurar a credibilidade.

Resta saber até onde Dilma está disposta a suportar os efeitos da austeridade. Porque, como diz Levy, aperto fiscal “não satisfaz nenhum governante e agrada poucos eleitores.”


Dilma agora frita ministros antes de nomeá-los
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Josias de Souza

Dilma Rousseff tornou-se uma mandatária sui generis. Tem dois ministros da Fazenda e não tem nenhum. Guido Mantega foi demitido em setembro. E permanece no cargo como um ministro cenográfico. Joaquim Levy foi convidado nesta sexta-feira (21). Mas seu nome não foi anunciado formalmente. A presidente já tinha avisado que, reeleita, seria a mudança de si mesma. Mas ninguém suspeitou que tentaria compensar a carência de miolos na área econômica com o excesso de cabeças.

Lula aconselhara Dilma a apressar a escalação do seu time econômico, para disputar com o petrolão o espaço nas manchetes. A pupila deu ouvidos ao patrono. Mas conduziu o processo à sua maneira. Inovadora, levou o novo titular da Fazenda à frigideira antes mesmo de nomeá-lo. Maquiavel não teria feito melhor. Nunca nenhum presidente fizera o mal tão bem.

Para a Fazenda, Dilma chamou o preferido de Lula: Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco. Que refugou o convite. Além de deixar boquiabertos Armínio Fraga e Neca Setúbal, a presidenta informou para Joaquim Levy, hoje também um executivo do Bradesco, que ele não era sua primeira opção. O mercado festejou mesmo assim. A Bolsa chegou a subir cinco pontos.

Na pasta do Planejamento, Dilma decidiu acomodar Nelson Barbosa, que sonhava com a Fazenda. No Banco Central, manteve Alexandre Tombini, que também vinha sendo estimulado a acalentar a perspectiva de virar o novo Mantega. Consumada a escalação, armou-se no Planalto o palco para o anúncio. A imprensa mobilizou-se.

Súbito, Dilma mandou dizer que decidira adiar a formalização de suas escolhas. Por quê? Sabe Deus! Talvez queira dar ao PT, crítico feroz do pensamento médio de Joaquim Levy, a oportunidade de bombardeá-lo por uma semana.

Ficou entendido que, antes de tomar uma decisão tão importante quanto a escolha da equipe que vai gerir a herança perversa deixada pela velha Dilma, a nova Dilma pensa duas vezes, analisa todas as possibilidades, consulta o Lula… Uma vez tomadas as decisões, faz o contrário. Ou faz aquilo mesmo que decidiu. Pouco importa. Tudo é ocasional. Certo mesmo só o novo gosto da presidente. Ela agora prefere ministros bem tostadinhos.


Para apressar manobra fiscal de Dilma congressitas vão trabalhar na segunda
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Josias de Souza

Vigora no Congresso, como se sabe, uma jornada especial de trabalho. Os parlamentares dão expediente apenas de terça a quinta. Mas a Comissão de Orçamento está na bica de oferecer ao país uma cena incomum: os deputados e senadores que integram o colegiado estão sendo convocados para trabalhar em plena segunda-feira. Deve-se o inusitado à pressa do Planalto em aprovar o projeto que transforma rombo em superávit fiscal, dando cobertura legal para que Dilma Rousseff feche as contas de 2014 no vermelho. Algo que não acontece no país desde 1998.

Majoritário na comissão, o bloco governista tentará contornar o vexame da última quarta-feira, aprovando a proposta de Dilma na noite desta segunda. O abacaxi será repassado, então, para o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), que prometeu entregar a mercadoria para Dilma, já descascada e devidamente aprovada em plenário, até quarta-feira.

Antes, Renan terá de levar a voto 38 vetos presidenciais pendentes de apreciação. Trama fazê-lo em ritmo sumário, na noite de terça, no mais tardar quarta. Ao farejar a movimentação de Renan, a oposição decidiu preparar-se para resistir. “Queremos votar individualmente os vetos, debatendo um a um, como manda a Constituição”, diz o deputado Mendonça Filho (PE), líder do DEM.

Dependendo do rito a ser adotado por Renan, os antagonistas de Dilma não excluem a hipótese de recorrer ao STF. No mais, a presidente gostaria que o Congresso não mexesse nos seus vetos. Mas forma-se no Legislativo um movimento pela ressurreição da lei que fixou regras para a criação de novos municípios, integralmente vetada por Dilma.

Supremo paradoxo: Dilma vetara a proposta sob o argumento de que, junto com as novas cidades, viriam muitas despesas. Agora, para avalizar a irresponsabilidade fiscal da União, os congressistas devem atravessar na traqueia da presidente o restabelecimento da lei que ela pretendia sepultar.