Blog do Josias de Souza

Arquivo : julho 2014

Demissão de analista do Santander é hipocrisia
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Josias de Souza

A três meses da eleição presidencial, o mercado financeiro vive o seguinte drama: metade da equipe de analistas está nervosa porque Dilma diz que a economia vai bem mas sabe que ela está mentindo e prepara ajustes para o caso de ser reeleita. A outra metade da equipe de analistas está nervosa porque Dilma diz que a economia vai bem e sabe que ela acredita mesmo nisso e não preparou nenhum ajuste. E Dilma está nervosa porque não sabe se diz que fará ajustes que ainda não preparou ou se prepara os ajustes e não diz. Ou vice-versa.

Foi contra esse pano de fundo confuso que o Santander enviou aos seus correntistas endinheirados um boletim sustentando a tese segundo a qual o sucesso eleitoral de Dilma potencializará a deterioração da conjuntura econômica. A plateia não viu a cara do autor do texto. Mas o vazamento da análise fez dele —ou seria ela?— o fantasma mais execrado da República.

O presidente do PT, Rui Falcão, chamou o desconhecido de terrorista. Lula vestiu saia no ectoplasma: “Essa moça não entende porra nenhuma do Brasil”. E endereçou um conselho para Emilio Botín, presidente mundial do Santander: “Ô, Botín, é o seguinte, meu querido: manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar embora. E dá o bônus dela pra mim, que eu sei como falo.”

Dilma preferiu o timbre de ameaça. “É inaceitável”, ela disse. “É inadmissível”, vociferou. “Eu vou ter uma atitude bastante clara em relação ao banco.” Emparedado, o companheiro Botín veio à boca do palco para informar que o Santander teria enviado ao olho da rua a pessoa que redigiu o tal informe. Absteve-se de dar pseudônimo aos bois. A sinceridade do gesto é tão confiável quanto o catolicismo do banqueiro que se persígna ao passar pela porta de uma igreja.

Sendo o percentual de admiração e bondade das casas bancárias e dos operadores do mercado muito reduzido, o melhor a fazer antes de sair por aí dando urros, patadas e destilando ódio contra um fantasma, é reparar no ridículo que permeia a cena. Ganha um cargo de direção no Santander e um troféu de ingenuidade quem acreditar que uma análise de conjuntura chegaria às mãos dos correntistas mais ricos de um dos maiores bancos do mundo com conteúdo alheio ao pensamento da casa.

Admita-se, para efeito de raciocínio, que a análise anti-Dilma seja obra solitária de um fantasma com CPF e RG. Nessa hipótese, seu crime teria sido o de deitar sobre o papel raciocínios econômicos sussurrados por onze de cada dez analistas de mercado. Seu propósito não seria o de influir no vaivém das pesquisas, mas o de orientar os investimentos da clientela bem-posta do Santander. Uma caciquia que frequenta a tribo dos que conservam algo como R$ 2 trilhões investidos em fundos mútuos no Brasil —o grosso alocado em títulos da dívida pública.

Essa gente não está interessada na opinião de Rui Falcão, de Lula ou de Dilma. Essa gente quer ganhar dinheiro. E os ganhos aumentam na proporção direta dos desacertos da política fiscal do governo. Funciona assim: o Tesouro gasta mais do que o fisco arrecada. Em vez de apertar o cinto, a Fazenda recorre à criatividade contábil.

Para cobrir suas despesas, Brasília endivida-se até a raiz dos seus, dos meus, dos nossos cabelos. Não resta ao Banco Central senão elevar a taxa de juros. E ao Tesouro, pagar a remuneração necessária para se manter solvente. Em vez de investir na produção de copos e palitos de fósforos, a tribo dos fundos mútuos investe no papelório do governo. E o PIB definha.

Nesse ambiente, a tempestade produzida pela análise do fantasma do Santander surte o mesmo efeito de um tablete de Alkaseltzer: é tempestade num copo d’água. O máximo que pode produzir é a migração para outros bancos dos clientes que se julgarem mal aconselhados.

O que provoca a lipoaspiração dos índices de Dilma nas pesquisas não são as análises do mercado, mas os efeitos que a inflação exerce sobre a rotina dos assalariados e dos beneficiários do Bolsa Família. Esse pedaço do eleitorado está interessado no café com leite, não nos boletins do Santander. Num país inflacionário, seu principal problema é que sobra cada vez mais mês no fim da remuneração.

Assim, a suposta demissão de um analista-fantasma do Santander é mera hipocrisia. Se a moda pega, haverá desemprego em massa no mercado financeiro. Se Lula e o petismo querem mesmo socorrer Dilma, é melhor esquecer os fantasmas e usar o tempo vago para tentar convencê-la do seguinte: atribuir todos os desacertos econômicos à crise financeira internacional é o caminho mais longo entre o projeto reeleitoral e sua realização.


No Ceará, Ciro atira em Eunício e acerta em Cid
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Josias de Souza

O divertido da lógica política é que ela tem olho de lógica, nariz de lógica, boca de lógica, palavreado de lógica, mas é incoerência pura. Nada mais divertido, por exemplo, do que tentar acompanhar o pensamento lógico de Ciro Gomes. É tão profundo que dificilmente é atingido pelo cérebro.

Na noite desta terça-feira (29), Ciro participou da inauguração do comitê de campanha do petista Camilo Santana, que disputa o governo do Ceará como candidato do governador Cid Gomes. A certa altura, Ciro esculachou o peemedebista Eunício Oliveira, que encabeça a coligação adversária.

“Eu não respondo pelo Camilo”, disse Ciro. “Respondo unicamente por mim. E vou falar o que penso. O que está em jogo é entregar o governo a um aventureiro, lambanceiro e mentiroso. Não podemos entregar o governo a alguém que quer usar o espaço para enriquecer ainda mais. Daquele outro lado tem uma mistura de pinóquio com irmão metralha. Um petralha, um pinotralha.”

Até anteontem, Eunício era um dos mais festejados aliados do grupo político dos irmãos Gomes. Cid dizia em público que lhe tinha eterna gratidão. Num comício, o governador referiu-se ao híbrido de “pinóquio com irmão metralha” em termos enobrecedores. Num trecho levado à internet por correligionários de Eunício (assista abaixo), Cid diz coisas assim:

“Eu devo profundamante ao Eunício Oliveira, esse senador que vocês devem se orgulhar muito de ter no Senado Federal. Eunício me deu, numa hora decisiva, o apoio decisivo para que eu pudesse ter o sonho de governar o Estado do Ceará. […] Eu estarei muitas vezes com Eunício, no futuro, em muitas lutas pelo Estado do Ceará e pelo Brasil.”

Considerando-se que Eunício patrocinou a nomeação de vários apadrinhados para cargos na administração de Cid, é incontornável a tentação de levar a lógica de Ciro às últimas (in)consequências. Seu irmão entregou pedaços do próprio governo a prepostos de “um aventureiro, lambanceiro e mentiroso”, cujo projeto de vida é “enriquecer mais.” Quer dizer: pela lógica de Ciro, Cid está mais para cúmplice do que para administrador público.


Caso Vargas:STF nega 2º pedido de paralisação
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Josias de Souza

Alan Marques/Folha

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, indeferiu novo pedido de paralisação do processo contra André Vargas (ex-PT-PR) no Conselho de Ética da Câmara. Os advogados do deputado alegaram que o conselho descumpriu uma ordem de Lewandowski ao marcar o depoimento dele para esta terça-feira (29), “sem observar o prazo de cinco dias úteis para apresentação de defesa”, que só vence na sexta-feira (1º).

Em seu despacho, Lewandowski concordou com os argumentos dos defensores de Vargas. Mas anotou: “Tal incoerência, todavia, embora impressione, não justifica, a meu ver, o deferimento de medida liminar para paralisar o andamento da representação em curso.” Na opinião do ministro, é possível restaurar “o devido processo legal” sem prejudicar o andamento do processo.

Para “evitar novas ilegalidades” e “preservar a higidez do procedimento”, Lewandowski ordenou ao presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), que respeite o prazo de “cinco dias úteis” que ele próprio fixou para a entrega da defesa escrita de Vargas, “sob pena de nulidade dos atos subsequentes.”

Mais cedo, o Conselho de Ética realizara uma sessão para ouvir os depoimentos de Vargas e das testemunhas arroladas por ele. Ninguém compareceu. E o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), dera por encerrado o período de investigação. Ele é o relator do processo contra Vargas. Anunciou para a semana que vem a apresentação do seu relatório.

Na quinta-feira (24) da semana passada, Lewandowski negara um primeiro pedido de liminar para brecar o processo contra Vargas. Determinara, porém, que o Conselho de Ética desse ao deputado acesso amplo às páginas do processo, autorizando-o a copiá-las.

Intimado no dia seguinte, o deputado Izar, presidente do Conselho, franqueou os autos aos advogados de Vargas e fixou prazo de “cinco dias úteis” para a apresentação da defesa escrita. Embora o prazo só expirasse na sexta-feira, Izar marcou para esta terça (29) a sessão para ouvir Vargas e suas testemunhas. Daí o novo recurso do deputado ao STF. Conforme já observado aqui, Vargas já não se defende com a boca, mas com a barriga.


Novos ‘anões’: Chile e Peru se juntam ao Brasil
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Josias de Souza

Chamado pela chancelaria israelense de ‘anão diplomático’ após convocar seu embaixador em Israel, o Brasil ganhou a companhia regional de Chile e Peru. Os dois países também chamaram seus embaixadores para ‘consultas’. Como Equador já fizera o mesmo, os anões da América do Sul já somam quatro.

O inferno de Gaza portencializou-se. Num dos piores bombardeios dos útimos 22 dias, morreram 110 pessoas em 24 horas. Israel já mandou à cova 1.116 palestinos. E enterrou 56 israelenses. A desproporcionalidade fulmina a alegação de “autodefesa”.

Cada vez que Benjamin Netanyahu aperta um botão causa embaraço para os Estados Unidos, que precisam explicar porque são seus amigos. Nesse ritmo, além de matar em escala industrial, Israel logo, logo terá de travar uma guerra retórica com todos os “anões” do pleneta. Com os americanos torcendo a seu favor.


Santander tenta pacificar as relações com Dilma
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Josias de Souza

A consciência do empreendedor pobre é o medo do rapa. O sujeito monta sua banca e vive esperando que o rapa o lace na esquina. A consciência do banqueiro é o medo do fisco. Depois de ter enviado à sua clientela bem-posta um comunicado em que a reeleição de Dilma é apresentada como sinônimo de encrenca financeira, o Santander tornou-se mais uma evidência de que coragem é mesmo uma estranha qualidade —foge justamente nos momentos em que é mais exigida.

Nesta terça-feira (29), o presidente mundial do Santander, Emilio Botín, insinuou que o banco demitiu o responsável pelo comunicado anti-Dilma. Classificou o documento como coisa “de um analista”. Algo contrafeito, acrescentou: “Nós tomamos as medidas necessárias. O presidente do banco no Brasil [Jesús Zabalza] já comunicou as autoridades que ficamos muito chateados que isso tenha acontecido e já enviou uma carta à presidente Dilma.”

Tomada pelo que disse na véspera, em sabatina, Dilma não está satisfeita com o carta que recebeu do Santander. Achou-a muito “protocolar”. Quer que o Santander ajoelhe no milho. E Botín: O Santander tem 80 mil empregados. Às vezes acontece. Isso pode acontecer com outros bancos. O importante é que, quando uma pessoa falha e faz algo mal feito, o banco toma suas medidas.” Convém combinar com a russa.


CUT:‘Eleito, Aécio fará aeroporto no quintal dele’
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Josias de Souza


Observado por Lula, o presidente da CUT, Vagner Freitas de Moraes, fez duros ataques ao presidenciável tucano Aécio Neves na noite desta segunda-feira. Deu-se na abertura da 14ª Plenária Nacional da entidade. Ao discursar, o sindicalista fez referência ao aeroporto que o governo de Minas construiu no município de Cláudio. A pista de pouso fica a 6 km da Fazenda da Mata, um refúgio da família Neves que Aécio visita amiúde.

Ardoroso defensor da reeleição de Dilma Rousseff, Vagner Freitas disse que a classe trabalhadora “não pode errar” na escolha do próximo inquilino do Planalto. “Alguém acha que a eleição do Aécio vai significar investimento em políticas públicas de qualidade no Brasil? Não. Ele vai fazer o que ele sempre fez. Imagina! Ele, como senador, já faz aeroporto na casa do pai dele! Se for presidente da República vai fazer aeroporto no quintal dele!”

O mandachuva da CUT revelou-se profundamente desinformado. Construída ao custo de R$ 13,9 milhões, a pista de pouso ficou pronta em 2010. Aécio aprovou-a como governador de Minas. Só assumiria sua cadeira no Senado em fevereiro de 2011. De resto, o aeroporto não fica na “casa do pai” do tucano, morto há quase três anos. Foi plantado em terras desapropriadas de Múcio Tolentino, tio-avô de Aécio.

Alheio à precisão, Vagner Freitas entregou-se a um vale-tudo retórico no seu esforço para espinafrar Aécio. A CUT está empenhada em recolher assinaturas para colocar de pé uma reforma política com plebiscito. “Se nós conseguirmos o plebisto popular e o Aécio ganhar a eleição, ele joga esse plebiscito no lixo.”

“Se continuarmos conseguindo todos os aumentos reais de salário das campanhas salariais e o Aécio ganhar a eleição, nós vamos ter problema”, prosseguiu o presidente da CUT. “E vamos ter que fazer campanha para defender empresas publicas, nossos direitos, para ter salário, porque ele vai acabar com a gente.”

No Apocalipse esboçado por Vagner Freitas, “se o Aécio ganhar a eleição, ele vai acabar com a conquista que nós construímos com o presidente Lula de valorização do salário mínimo, que é a questão social mais importante do Brasil.” Ao concluir o seu discurso, transmitido ao vivo pela internet, o comandante do braço sindical do PT repassou o microfone para Lula, cacique supremo da tribo partidário-sindical.

Ironicamente, Lula utilizou parte de sua fala para reclamar do terrorismo eleitoral que a mídia e o mercado finaceiro estariam fazendo com Dilma Rousseff. Estendeu-se, por exemplo, nos comentários sobre o texto enviado pelo banco espanhol Santander aos clientes mais endinheirados, para dizer que a economia iria piorar se Dilma for reeleita. Lula revelou que conhece Emilio Botín, presidente mundial do Santander.

“Acho que meu amigo Botín criou um problema sério”, disse Lula, antes de recordar uma passagem da sucessão presidencial de 2002. Contou que o espanhol Botín acabara de chegar ao Brasil. “Foi visitar o meu comitê. E, naquela época, as pessoas diziam que os banqueiros não iam fazer investimentos, que o mercado iria correr e não sei mais o quê.”

“O Botín falou assim pra mim: ‘Se usted quiera, eu posso hablar com la prensa’. Eu falei: puede hablar. E ele ele fez um discurso dizendo que o mercado não tinha nenhuma precupção, que ia continuar acreditando no Brasil, investindo no Brasil, porque ele sabia da responsabilidade do nosso governo. Agora, depois de tantos anos, não tem nenhum lugar do mundo em que o Santander esteja ganhando mais dinheiro do que no Brasil. Aqui, ele ganha mais do que Nova York, Londres, Pequim, Paris, Madrid, mais do que Barcelona.”

Lula dirigiu-se aos cerca de 600 delegados estaduais presentes ao encontro da CUT como se estivesse conversando com o próprio presidente do Santander: “Ôoo, Botín, é o seguinte, querido: tenho consciência que não foi você que falou. Mas essa moça tua que falou não entende porra nenhuma de Brasil. E não entende nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessa num cargo de chefia é, sinceramente… pode mandar embora e dá o bônus dela pra mim, que eu sei como falo.”


No AM, senador é acusado de agredir fotógrafo
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Josias de Souza

Líder do governo no Senado e candidato ao governo do Amazonas, o senador Eduardo Braga (PMDB) foi acusado de agredir um fotógrafo amador durante carreata no município de Maraã. Deu-se no último domingo (27). Registrado em vídeo, o incidente foi admitido por Braga em dois textos veiculados na internet. O senador alegou que o fotógrafo, chamado Joel Reis da Silva, o espionava, supostamente a serviço de adversários políticos.

Nesta segunda-feira (28), Joel Reis comunicou o ocorrido ao Ministério Público Federal. Num dos textos que levou à web, Eduardo Braga anotou que, acompanhado de “caravana”, visitou no final de semana cidades da região amazonense do Alto Solimões. Disse ter notado uma anomalia. “Em todos os municípios havia uma pessoa filmando tudo e, principalmente, todos.”

Segundo o senador, o objetivo seria o de “identificar servidores públicos simpatizantes” de sua candidatura, para “justificar futuras perseguições nas repartições e órgãos do governo…” O principal antagonista de Eduardo Braga é o governador amazonense José Melo de Oliveira (Pros), candidato à reeleição.

Na cidade de Maraã, Eduardo Braga disse ter decidido “tomar uma atitude”. Interrompeu a carreata, desceu do veículo e abordou Joel Reis. Segundo o fotógrafo, o senador aplicou-lhe uma “gravata”, perguntou quem havia encomendado as imagens e “tentou puxar a máquina” fotográfica do seu pescoço.

Na versão de Eduardo Braga, a gravata virou um abraço. “Abracei ele e disse: ‘Por que você não faz uma imagem nossa? Quem sabe assim você também será perseguido e perderá seu emprego.” Joel Reis disse ter informado ao senador que não estava a serviço de ninguém e que tirar fotos não é crime.

O fotógrafo acrescentou que foi ameaçado por um correligionário de Eduardo Braga, o candidato a deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB). De resto, afirmou que um motorista do senador também puxou a máquina, tentando arrancá-la do seu pescoço.

Num segundo texto que levou à internet, Eduardo Braga descreveu a cena assim: “Um companheiro de nossa equipe não entendeu a situação e tentou tirar a câmera do rapaz. Impedi e disse: ‘Não, não faça isso. Larga a câmera dele’. Nesse momento, outro indivíduo também gravava.” Joel Reis admite ter ficado com a máquina. Mas disse que o equipamento foi danificado.

A filmagem foi entregue ao Ministério Público. E ganhou a internet. Nela, um membro da comitiva do senador aparece tapando com a mão a lente da câmera, obstruindo a gravação. “Infelizmente, nossos adversários editaram o vídeo que registrou esta cena, escondendo o final dela”, anotu Eduardo Baga. “O fato é que tudo terminou com o fotógrafo mantendo o seu equipamento e o cinegrafista com o seu material captado.”

Em sua manifestação perante o Ministério Público (leia abaixo), Joel Reis disse ter deixado a cidade de Maraã. Foi para a capital amazonense, Manaus. Considerando-se ameaçado, pediu proteção de vida. Eduardo Braga rebate afirmando que sua campanha é que vem sendo alvo de “perseguição”. Escreveu: “Centenas de famílias já sofrem com as demissões injustas, por simplesmente exercerem o democrático direito de opção política.”

O senador acrescentou: “De forma orquestrada, postaram nas redes sociais um vídeo feito por pessoas pagas para identificar servidores públicos que, espontaneamente e fora de seus horários de trabalho, participavam em um comício que realizamos em Maraã. Isso, na verdade, tem sido uma prática costumeira em todos os municípios por onde temos discutido nossas ideias e programa de governo.”

O senador prosseguiu: “Chegaram ao ponto de instalar câmera da polícia em frente ao nosso comitê para espionagem. A Justiça já reconheceu o abuso de poder e o propósito político, determinando a retirada imediata do equipamento.” Referia-se a um despacho do juiz auxiliar do TRE do Amazonas, Márcio Meirelles de Miranda.

No despacho, assinado no domingo (27), o magistrado ordenou a retirada, no prazo de 24 horas, de uma câmera de vigilância instalada por órgão da Secretaria de Segurança Pública do governo amazonense num poste defronte da entrada do comitê eleitoral de Eduardo Braga, em Manaus.

“De fato os argumentos apresentados pela coligação requerente [de Eduardo Braga], revelam uma grave conduta antidemocrática de espionagem eleitoral que, se confirmados, implicariam em grave e inegável violação ao direito de intimidade”, escreveu o juiz Márcio de Miranda em sua decisão.

Ouvido, o governo de José Melo, o rival de Eduardo Braga, informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que a decisão judicial será cumprida. A câmera será instalada noutro ponto da rua onde funciona o comitê do senador. “Esse é um projeto da Secretaria de Segurança Pública para monitorar as ruas de Manaus, não comitê de campanha”, alegou o governo do Amazonas.

E Eduardo Braga: “Não tememos o jogo sujo e sorrateiro do nosso adversário. Nosso caminho é outro. É o da verdade.” Como se vê, está animada a corrida pelo governo amazonense.