Blog do Josias de Souza http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Mon, 17 Jul 2017 14:41:40 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Blog tira férias e planeja uma viagem ao inferno http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/17/blog-tira-ferias-e-planeja-uma-viagem-ao-inferno/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/17/blog-tira-ferias-e-planeja-uma-viagem-ao-inferno/#comments Mon, 17 Jul 2017 04:43:39 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71751 Você sabe que está ficando velho quando começa a ter saudades do tempo em que as cartas chegavam pelas mãos do carteiro. Hoje, considerando-se todas as caixas de entrada —e-mail, WhatsApp, Facebook, Twitter…—recebo mais de mil mensagens diariamente. Impossível ler tudo. Responder, nem pensar. Entretanto, duas mensagens me chamaram a atenção nos últimos dias.

Um apologista de Temer enviou-me algo muito parecido com um desafio: “Sabichão, você critica tudo. Candidate-se à Presidência! Terá o meu voto. Quero ver do que você é capaz. O Brasil decerto vai virar um paraíso sob a Presidência do Josias.”

Uma admiradora de Lula e Dilma me mandou para o inferno. Pedi o endereço, já que a localização da morada do Tinhoso é uma questão teológica antiga e não resolvida. E ela me enviou para outro lugar: “Vai à…”

Embora convocado, não disputarei a Presidência. Se disputar, não pedirei dinheiro ao Joesley Batista. Se vencer, não tomarei posse. Se receber a faixa, não darei foro privilegiado a quem não merece. Temer já me negou três entrevistas. Soube que deixou de me ler. Não ganhará um ministério.

Quanto à tarefa dada pela leitora petista, embora pareça irrealizável, me esforçarei para realizá-la. Nas próximas duas semanas, estarei em férias. Planejo viajar para o inferno. Ainda não encontrei o endereço. Mas já soube que o caminho não está mais calçado apenas de boas intenções. Nos governos do PT, Asmodeu mandou a Odebrecht refazer o calçamento com dinheiro roubado da Petrobras.

Volto dentro de duas semanas.

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Políticos trocam espírito de corpo pelo de porco http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/16/politicos-trocam-espirito-de-corpo-pelo-de-porco/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/16/politicos-trocam-espirito-de-corpo-pelo-de-porco/#comments Sun, 16 Jul 2017 07:12:44 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71732

Sitiado por investigações criminais, o sistema político brasileiro entrou em convulsão. É como se a desfaçatez tivesse virado um vírus que transmite aos políticos uma doença devastadora. Abateu-se sobre Brasília uma epidemia pilântrica. Quem presta atenção se desespera. Há políticos admiráveis em cena. Mas os outros 99,9% dão a eles uma péssima reputação.

Num instante em que Lula oscila entre duas possibilidades —retornar ao Planalto ou ir para a cadeia—, o deputado petista Vicente Cândido (SP) sugere enfiar dentro de uma suposta reforma política uma cândida novidade: a partir de 2018, nenhum candidato poderá ser preso nos oito meses que antecedem a eleição.

Pior do que a emenda de Cândido, só mesmo o soneto do companheiro Carlos Zarattini (SP), líder do PT na Câmara: “Essa proposta não é para o Lula e sim para todos os candidatos.” Ele explica que o objetivo é “dar uma maior segurança ao processo eleitoral.” Ai, ai, ai…

Segurança para quem?, indaga a plateia ao se dar conta de que Lula está mais perto do xadrez do que da urna, que sua sucessora Dilma Rousseff também chafurda no lodo, que o rival Aécio Neves recebe malas de dinheiro de Joesley Batista, que Michel Temer é um presidente sub judice e que seu substituto é Rodrigo Maia, o “Botafogo” da planilha da Odebrecht. Um cenário assim pede camburão, não proteção.

Um dos primeiros sintomas do surto pilântrico que varre Brasília é a perda do recato. Os políticos se esquecem de maneirar. Noutros tempos, o toma-lá-dá-cá era mais sutil. Agora, para facilitar o trabalho do governo, os congressistas andam com o código de barras na lapela.

Na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Temer comprou à luz do dia a rejeição da denúncia em que é acusado de corrupção. O Planalto não se preocupou nem em tirar da decisão a marca do preço. Animado$, os aliados do presidente enxergam a próxima batalha como mais uma oportunidade a ser aproveitada.

Os partidos governistas transformaram o plenário, onde a denúncia contra Temer será votada a partir de agosto, numa espécie de câmara funerária com taxímetro. Quanto mais tempo demorar o percurso até o sepultamento da denúncia, maior será o preço. Nesse jogo fisiológico, o contribuinte brasileiro entra com o bolso.

O Congresso, como se sabe, é vital para a democracia. Mas a cleptocracia brasileira parece dar razão ao ex-chanceler alemão Otto von Bismarck, que dizia no século passado: “É melhor o povo não saber como são feitas as leis e as salsichas.”

Abespinhados com a colaboração judicial de Joesley Batista, grande fabricante de salsichas e produtos afins, os aliados de Temer tramam alterar as regras do instituto da delação. Querem restabelecer a lei da omertà, que garantia a cumplicidade e potencializava os trambiques.

Imaginava-se que a política fosse um imenso saco de gatos. Mas delações como as de Joesley e Wesley Batista ou as confissões de Emílio e Marcelo Odebrecht indicaram que, na verdade, a política virou um saco de ratos.

A mutação genética parece ter sido acelerada por um vexame do Tribunal Superior Eleitoral. No mês passado, submetido ao julgamento mais importante de sua história, o TSE livrou Michel Temer da guilhotina e poupou Dilma Rousseff da inelegibilidade.

Para isentar a chapa Dilma-Temer, a Corte eleitoral jogou no lixo confissões assinadas, documentos bancários, registros sobre o vaivém de malas de dinheiro sujo e otras cositas más.

Os parlamentares concluíram que Deus pode até existir, mas terceirizou a Justiça Eleitoral ao Tinhoso. Desde então, a doença do sistema político só piora. Nada se cria, nada se transforma na política. Tudo se corrompe. Transfigurou-se até o mecanismo de autoproteção. O velho espírito de corpo foi substituído pelo espírito de porco.

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Desespero! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/15/desespero-4/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/15/desespero-4/#comments Sun, 16 Jul 2017 02:00:32 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71729

– Charge do Duke, via O Tempo.

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Aliados de Temer querem votar a jato modificações nas regras da delação http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/15/aliados-de-temer-querem-votar-a-jato-modificacoes-nas-regras-da-delacao/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/15/aliados-de-temer-querem-votar-a-jato-modificacoes-nas-regras-da-delacao/#comments Sat, 15 Jul 2017 07:29:48 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71714

Além de tentar livrar Michel Temer da denúncia que o acusa de corrupção, os deputados leais ao governo terão uma prioridade extra ao retornar das férias, em agosto. Desejam apressar a aprovação de mudanças nas regras da delação premiada, esvaziando os poderes do Ministério Público e tornando mais difíceis os acordos. A articulação conta com o aval do Planalto.

Líder do governo Temer na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) sustenta que o Legislativo precisa perder o medo de tratar do tema. Sob pena de se tornar um Poder irrelevante. Para ele, “o Poder Legislativo está acovardado, o Congresso Nacional não tem coragem de se impor.” Por essa razão, “tem perdido o seu poder.”

Ao defender na quinta-feira a rejeição da denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça, Aguinaldo Ribeiro disse em público algo muito parecido com o lema segundo o qual é preciso “estancar a sangria”, eternizado no áudio de um delator na voz do líder de Temer no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

“…Nós precisamos rediscutir essa legislação [sobre a colaboração premiada], que foi mal feita, mal produzida, que está sendo reinterpretada ao sabor dos interesses”, disse Aguinaldo Ribeiro aos colegas. “Nós temos que ter coragem para enfrentar.” (assista abaixo à intervenção do líder do governo, na sessão da Comissão de Constituição e Justiça.)

A intenção dos governistas é a de empurrar as novas regras sobre delação para dentro do Código de Processo Penal, cuja modificação está sendo debatida na Câmara. Presidente da comissão que trata da revisão do código, o deputado Danilo Forte (PSB-CE) já manifestou a intenção de endurecer as regras das delações. Fala em limitar também as conduções coercitivas de investigados. Mas nenhum parlamentar se animou, por ora, a subscrever os projetos.

O líder Aguinaldo Ribeiro parece enxergar no inferno astral vivido por Temer e Lula, um bom momento para a reação dos deputados. “É importante que nós possamos dar a resposta nesse instante. Sabe por quê? Porque isso vale para todos. Não é com alegria que nós vemos um ex-presidente da República sendo condenado. […] Nós não queremos isso para o país.”

O deputado queixou-se dos colegas, que brigam uns com os outros. Acha que a hora é de união, não “desse tipo de relação, que parece uma relação apaixonada e doentia, em que uns aqui aos outros atacam.” Disse que se a Câmara autorizar o Supremo Tribunal Federal a deliberar sobre a denúncia contra Temer, estará, na prática, “impedindo uma Presidência da República.”

Aguinaldo Ribeiro é, ele próprio, alvo da Lava Jato. Integra um inquérito aberto em 2015 pelo Supremo Tribunal Federal a pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Nele, políticos do PP são acusados de formar uma organização criminosa para assaltar os cofres da Petrotras. O deputado alegar ser inocente.

Os governistas tramam a nova emboscada não por conta dos defeitos da delação premiada. Estão incomodados com a eficácia da ferramenta. Deve-se o sucesso de operações como a Lava Jato a três fatores: a corrupção passou a dar cadeia; o pavor despertado pelas prisões soltou a língua dos delatores; e as colaborações judiciais vitaminaram as investigações. Daí a pressa dos deputados em reagir.

Aguinaldo Ribeiro é exemplo acabado da mutação genética que pode acometer esse espécime chamado “governista”. Ex-ministro das Cidades de Dilma Rousseff, ele votou contra o impeachment de madame na comissão especial que tratou do tema. Depois, ao farejar a debilidade política de Dilma e constatar que a maioria da bancada do seu partido votaria a favor da deposição, o ex-ministro aliou-se à lâmina da guilhotina.

O deputado repetiu o vaivém com Eduardo Cunha. Paparicou o amigo enquanto ele foi o todo-poderoso presidente da Câmara. E votou a favor da cassação do mandato de Cunha, jogando-o no colo do juiz Sergio Moro, em Curitiba. Quer dizer: Michel Temer talvez devesse colocar de molho as barbas que não possui.

 

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Brasília ganha ar de Bagdá entregue a Ali-Babá http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/brasilia-ganha-ar-de-bagda-entregue-a-ali-baba/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/brasilia-ganha-ar-de-bagda-entregue-a-ali-baba/#comments Sat, 15 Jul 2017 02:35:40 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71708

Ficou para agosto a votação da denúncia contra Michel Temer no plenário da Câmara. O governo entrou numa temporada de vale-tudo. O presidente apertou o botão de dane-se. Para se livrar de uma ação penal por corrupção, Temer negocia a entrega de mais cofres públicos aos partidos que o socorrem. Privilegia legendas como o PP, campeão no ranking de encrencados do petrolão. Ou o PR, feudo cartorial do mensaleiro Valdemar Costa Neto.

Temer exige que sua tropa seja leal. Se a política brasileira fizesse sentido, lealdade deveria pertencer ao mesmo grupo de palavras que inclui honradez e ética, não ao grupo de submissão e cumplicidade. Político confiável seria leal à sua consciência e correto com os seus eleitores. Mas no dicionário do governo honra e ética são outros nomes para deslealdade.

A Lava Jato às vezes parece um marco redentor. Passa a impressão de que o Brasil, maduro para punir a corrupção, jamais será o mesmo. No entanto, Temer sinaliza aos aliados que, para se salvar de uma investigação, está disposto a honrar as alianças espúrias que dão ao Brasil essa aparência de país das negociatas e dos trambiques. Aos poucos, o pedaço de Brasília onde pulsa o coração administrativo do governo vai ganhando a aparência de uma Bagdá entregue a Ali-Babá.

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Indícios! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/indicios/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/indicios/#comments Sat, 15 Jul 2017 01:51:43 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71704

– Charge do Duke, via O Tempo.

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Votar a denúncia contra Temer não é um problema do governo, declara Padilha http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/votar-a-denuncia-contra-temer-nao-e-um-problema-do-governo-declara-padilha/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/votar-a-denuncia-contra-temer-nao-e-um-problema-do-governo-declara-padilha/#comments Sat, 15 Jul 2017 00:51:47 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71689

O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) declarou que cabe à oposição, não ao Planalto, providenciar o quórum necessário à realização da sessão para votar a denúncia que acusa Michel Temer de corrupção. “Se eles não colocarem quórum não terá a votação”, afirmou o ministro, em entrevista à Rádio Gaúcha. “Nós estamos esperando. O problema deixou de ser do governo. Nosso problema era, na Comissão de Constituição e Justiça, tirar um parecer que rejeitasse o pedido de recebimento da denúncia. Foi rejeitado. Agora, [no plenário] o problema é da oposição.”

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou para 2 de agosto a sessão para apreciar no plenário a denúncia em que a Procuradoria acusa Temer de corrupção. Exige-se a presença de no mínimo 342 deputados para iniciar os trabalhos. O governo já dispõe dos 172 aliados de que precisa para enterrar a denúncia. Mas não consegue abrir a sessão sem a ajuda da oposição. Que preferiu esvaziar o plenário, à espera de fatos novos que debilitem Temer.

Perguntou-se a Padilha se o governo não receia as delações do doleiro Lúcio Funaro e do ex-deputado Eduardo Cunha. “Nem tudo que o delator diz é verdade. Nós estamos vendo aí, por exemplo, a questão que se discutiu na CCJ”, disse o auxiliar de Temer, atribuindo valor de veredicto à votação que rejeitou na Comissão de Constitui;ção e Justiça da Câmara o parecer favorável à aceitação da denúncia baseada na delação do empresário Joesley Batista contra Temer.

O governo tinha pressa em enterrar a denúncia. Agora, rendido às evidências de que lhe faltam forças para impor o quórum à oposição, Padilha dá meia-volta: “O tempo não joga contra nós. O tempo joga contra quem quer que aceite a denúncia. Eles que devem correr para, o mais rápido possível, colocarem quórum. Se eles não colocarem quórum não terá a votação.”

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Prefeito de BH faz balanço de gestão: ‘Tá foda!’ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/prefeito-de-bh-faz-balanco-de-gestao-ta-foda/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/prefeito-de-bh-faz-balanco-de-gestao-ta-foda/#comments Fri, 14 Jul 2017 19:00:52 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71682

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), resolveu prestar contas à população da capital mineira pela internet. Com o linguajar rude que o caracteriza, fez um balanço de sua gestão numa transmissão ao vivo pelo Facebook. “Eu não tô sumido”, declarou Kalil. “Eu tô aqui, tentando fazer pra vocês o que eu prometi. E garanto que tá foda! Não tá fácil! Tá difícil! Não é mole isso aqui!”

Criticado por uma operação de retirada de camelôs do centro da capital mineira, Kalil justificou-se: “…Foi uma coisa que me doeu, me tirou o sono. […] Fizemos com o máximo que nós conseguimos de humanidade. Mais do que nós fizemos, não temos competência e capacidade.”

A transmissão durou pouco mais de seis minutos. E foi interrompida três vezes por problemas técnicos na conexão com a web. Ex-presidente do Atlético, Kalil esculhambou a empresa responsável pelo serviço como se ralhasse com os jogadores do seu time depois de um jogo ruim. O prefeito não é um cultor do idioma de Camões. E quando fica bravo, parece preferir expressar-se noutra língua, muito parecida com o português:

“Já pedi pra essa merda dessa Prodabel vim cá arrumá isso dez vezes. Parece que eles num consegue resolver. E a gente tem essa porcaria de internet. Como tudo aqui na prefeitura, desde que nós chegamo, era assim. E nós vamo mudá.” Mais adiante: “Eu vô encerrá porque ocês viram que num tá funcionando. Vô vê se arrumo essa porcaria dessa internet, pra mim poder falar sem corte pra vocês.”

Kalil caprichou na autocrítica: “Não tô aqui pra falar que tá tudo bem, porque não tá. Continua muito ruim. Nós estamos tentando melhorar. Você não tá sendo atendido direito, como eu quero. Mas vai voltar a ser atendido. Nós vamos revirar de cabeça pra baixo aquela Secretaria de Saúde.” A certa altura, o prefeito prometeu abrir um hospital “nem que seja a tapa e pescoção”.

A aparição de Alexandre Kalil ocorreu na tarde de quarta-feira. Ele se comprometeu a prestar contas na web quinzenalmente. Adversário do tucano Aécio Neves e do PSDB mineiro, Kalil encerrou sua transmissão em timbre irônico: “Nós estamos aqui, trabalhando pra burro. Não somos o melhor do mundo, não somos o pior do mundo. A única coisa que aqui não tem é: ninguém tá delatado, ninguém vai ser delatado. Ninguém aqui vai su…” A conexão com “essa porcaria de internet” caiu pela terceira vez.

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Pose ética dos tucanos termina em papagaiada http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/pose-etica-dos-tucanos-termina-em-papagaiada/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/pose-etica-dos-tucanos-termina-em-papagaiada/#comments Fri, 14 Jul 2017 07:32:56 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71671

O PSDB foi à votação sobre a denúncia que acusa o presidente da República de corrupção decidido a recuperar sua reputação de avis rara. Conseguiu a proeza de arrematar com conteúdo governista um movimento anti-Temer. Fez na CCJ, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, uma opção preferencial pela incongruência.

Dos sete representantes do tucanato na CCJ, dois participaram dos funerais da denúncia contra Temer na condição de coveiros. Ou seja, 28,5% dos votos do PSDB optaram por apagar a luz e acender o forno. Ajudaram a transformar em pizza o relatório que autorizava o STF a decidir o fututo penal de Temer.

Restava aprovar um documento alternativo, que acomodasse sobre a denúncia do procurador-geral Rodrigo Janot uma coroa de flores, preparando o esquife para receber, no plenário da Câmara, em 2 de agosto, a última pá de cal.

Estavam presentes à sessão todos os 66 membros da CCJ. Por mal dos pecados, coube a um dos pizzaiolos do PSDB, o deputado mineiro Paulo Abi-Ackel, fazer o papel de coveiro. Ele preparou e leu o relatório que sonega à Suprema Corte a possibilidade de verificar se Temer é mesmo o corrupto que a Procuradoria diz ser.

Desautorizando os cinco companheiros de ninho que votaram pela continuidade do processo, o tucano Abi-Ackel bicou: “A denúncia, no que diz respeito ao presidente da República, não é precisa, pois não contém a exposição pormenorizada do fato delituoso, com todas as suas circunstâncias. No direito penal, não existe a culpa presumida. É necessário demonstrar com clareza o nexo causal entre a conduta do agente e o evento lesivo, para desencadear a ação penal.”

Apanhada de surpresa, a banda oposicionista do tucanato ficou uma arara. Amigo de Aécio Neves, que coleciona nove inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal, Abi-Ackel frequenta as planilas da Odebrecht com o apelido de Diamente. Graças ao favor que prestou a Temer, os tucanos encenaram na CCJ algo muito parecido com uma papagaiada.

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CCJ: uma mão lava outra, mas o resto fica sujo http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/uma-mao-lava-outra-na-ccj-mas-o-resto-fica-sujo/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/uma-mao-lava-outra-na-ccj-mas-o-resto-fica-sujo/#comments Fri, 14 Jul 2017 04:47:40 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=71664

A pretexto de defender Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o criminalista Antonio Cláudio Mariz disse estar “muitíssimo preocupado com o avanço da cultura punitiva no país.” Ele declarou: “Pau que mata Michel, mata Lula! Pau que matou Lula pode matar Michel!”

Falando para um colegiado apinhado de deputados investigados, o advogado de Temer disse que a cultura punitiva pode atingir qualquer cidadão. Foi como se o doutor avisasse: “Se aceitarem a denúncia conta o presidente, o pau que dá em Lula e Michel pode alcançar todos vocês.”

Lula, primeiro ex-presidente da história condenado por corrupção, disse em São Paulo que “o Estado democrático está sendo jogado no lixo”. O advogado de Temer, primeiro presidente da história a ser denunciado por corrupção no cargo, se queixou em Brasília da “cultura punitiva”. Mais um pouco e o papa Francisco vai acabar canonizando Lula e Temer, esse par de santos perseguidos pela sanha punitiva.

O PT de Lula e o PMDB de Temer comandaram a sociedade partidária que promoveu o maior assalto aos cofres públicos de que se tem notícia na história republicana. Lula, hoje, não consegue explicar os seus confortos. Temer pega em lanças para impedir que o Supremo Tribunal Federal o investigue.

O presidente já prevaleceu na Comissão de Justiça da Câmara. A maioria dos deputados se rende à máxima segundo a qual uma mão lava a outra. Eles se esquecem de que o resto continua sujo. E o pau que dá em Lula e Michel paira sobre suas cabeças.

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