Blog do Josias de Souza http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Sat, 14 Dec 2019 15:54:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Surge petista que prefere sair da água a afogar-se http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/14/surge-petista-que-prefere-sair-da-agua-a-aforgar-se/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/14/surge-petista-que-prefere-sair-da-agua-a-aforgar-se/#respond Sat, 14 Dec 2019 08:46:58 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96404

Quando Lula deixou a cadeia, em 8 de novembro, o PT lidava com dois problemas: o excesso de lama e a carência de rumo. Decorridos 36 dias desde a abertura da cela de Curitiba, o PT continua imerso em lodo. Mas já dispõe de um rumo. Sob os efeitos da raiva que Lula injetou na conjuntura, o partido tomou a direção do brejo.

Em entrevista à Folha, o governador petista da Bahia, Rui Costa,  sugeriu caminhos diferentes: Lula e o PT precisam “pregar a pacificação do país”, declarou. É necessário “aproximar as posições gerais do partido de desafios concretos da economia e da sociedade”. Falou em “ajuste fino”, em “refinamento” de posições.

Instado a comentar a aversão da bancada do PT na Câmara ao projeto que regula a participação da iniciativa privada no setor de saneamento básico, o governador tomou as dores dos cerca de 100 milhões de brasileiros que não dispõem de uma privada em casa.

“Onde vamos buscar recursos para tirar o pobre de viver sem esgoto, em lugares alagados ou ficar sem água? O governo e os estados não têm como ofertar. É evidente que precisamos usar o instrumento da parceria público-privada, do capital privado, para levar água e esgoto à população”.

Rui Costa proclama o óbvio. Mas o óbvio e o PT são coisas inconciliáveis. O mesmo Lula que beijou a cruz da Carta aos Brasileiros para virar presidente em 2002 agora afugenta a classe média com sua ficha suja e seu discurso radical. Numa conjuntura que pede moderação, a divindade petista operou para reconduzir a incendiária Gleise Hoffmann ao comando partidário.

Ninguém se afoga por cair na água, mas por permanecer lá. Rui Costa soou como se preferisse sair da água. O diabo é que, para chegar à margem, teria de se livrar do abraço de afogados.

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O que só Bolsonaro sabe sobre o caso Marielle? http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/14/o-que-so-bolsonaro-sabe-sobre-o-caso-marielle/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/14/o-que-so-bolsonaro-sabe-sobre-o-caso-marielle/#respond Sat, 14 Dec 2019 05:19:56 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96398

O universo tem mistérios que jamais vamos entender. Um deles é essa mania que Jair Bolsonaro tem de oferecer matéria-prima para os que tentam, sem sucesso, entender os seus mistérios. O que leva o presidente a parar o carro oficial na frente do Palácio da Alvorada para despejar sobre microfones e gravadores uma frase como essa? “No caso Marielle, outras acusações virão. Armações! Vocês sabem de quem.”

Sem dar nome aos bois, Bolsonaro soou como se apontasse a língua para Wilson Witzel. Isso porque, em outubro, o presidente acusou o o governador do Rio de Janeiro de “vazar informações” e “manipular” as investigações sobre o assassinato de Marielle Franco para incriminá-lo.

Naquela ocasião, irritado com uma reportagem da Rede Globo, Bolsonaro disse que, 20 dias antes da veiculação da notícia, recebera de Witzel a informação de que um porteiro havia enfiado seu nome no inquérito sobre a execução de Marielle Franco. Witzel desmentiu Bolsonaro. O porteiro se desdisse em novo depoimento. E ninguém falou sobre o assunto novamente.

De repente, Bolsonaro volta à carga para anunciar novas “armações”. Na mesma aparição, o presidente disse a apoiadores que foram ao portão do Alvorada para festejá-lo que seu governo apresenta resultados, “apesar de grande parte da imprensa” e da “gente do mal”.

Ora, um presidente que diz coisas definitivas sobre um assassinato —vêm aí novas armações contra mim—, mas não define muito bem as coisas, não precisa de imprensa ou de gente malévola para se enrolar. Bolsonaro tropeça na própria língua. Parece atormentado pela síndrome do que está por vir. E o país se pergunta: O que só Bolsonaro sabe sobre o caso Marielle?

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Ilusão! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/14/ilusao-2/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/14/ilusao-2/#respond Sat, 14 Dec 2019 04:46:43 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96395

– Charge do Jean Galvão, via Benett.

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Mourão fala do AI-5 com excesso de moderação http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/13/mourao-fala-do-ai-5-com-excesso-de-moderacao/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/13/mourao-fala-do-ai-5-com-excesso-de-moderacao/#respond Fri, 13 Dec 2019 22:13:03 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96391

Em entrevista ao site HuffPost, o vice-presidente Hamilton Mourão tentou minimizar o AI-5, que completa 51 anos nesta sexta-feira, 13. Declarou: “Muitas vezes se passa a ideia de que todo dia alguém era cassado. E não funcionou dessa forma. É importante que a história venha à luz de forma correta”.

A exemplo de Jair Bolsonaro, Mourão acha que os críticos da ditadura militar exageram ao apontar os excessos do regime. Daí a tentativa de construir uma versão moderada do AI-5. O problema é que, ao analisar esse capítulo da história, o maior excesso que pode ser cometido é o excesso da moderação. (Veja comentário abaixo)

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Ficha de Bolsonaro ainda não caiu na Educação http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/13/ficha-de-bolsonaro-ainda-nao-caiu-na-educacao/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/13/ficha-de-bolsonaro-ainda-nao-caiu-na-educacao/#respond Fri, 13 Dec 2019 07:59:23 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96381

Formou-se no interior do governo uma torcida pela demissão do ministro Abraham Weintraub, da Educação. Mas a ficha de Jair Bolsonaro ainda não caiu. De acordo com um auxiliar do presidente, três coisas seguram Weintraub no cargo: 1) A hesitação de Bolsonaro; 2) A ausência de um substituto; e 3) A resistência do presidente de tomar decisões sob pressão do noticiário.

Bolsonaro elegeu-se presidente da República com um discurso conservador. Sabia-se que nomearia uma equipe conservadora. Mas o capitão entregou pedaços do seu governo ao atraso. A opção preferencial pelo arcaísmo é ainda mais nítida nas áreas da cultura e da educação, dominados por apadrinhados do polemista Olavo de Carvalho.

No Ministério da Educação, o olavista Weintraub apaixonou-se pelo caos. E vem sendo totalmente correspondido. É crescente o desconforto dentro do governo com o estilo do personagem, que oscila entre o folclórico-cômico e o ideológico-raivoso.

Os parafusos da cadeira de Weintraub estão frouxos. Mas o ministro comporta-se como se dispusesse de estabilidade no emprego. Reagiu ao noticiário sobre sua fragilidade com soberba e ira.

O ministro anotou no Twitter: “Diante dos resultados positivos que começam a aparecer e de minha total intransigência com o errado e o malfeito, esquerda e monopolistas entram em desespero. A mídia podre defende tais interesses e espalha mentiras. O ladrar desses cães é prova que estou no caminho certo.”

Os antecedentes do governo na área educacional recomendam cautela. Antes de Weintraub, passou pela pasta uma piada colombiana: Ricardo Velez Rodrígues, outro súdito de Olavo de Carvalho.

Assim, antes de soltar fogos, seria necessário conhecer o nome do próximo olavista a ser nomeado para o ministério. A insistência de Bolsonaro em manter uma parte do governo acorrentada ao arcaísmo estimula a suspeita de que a própria Presidência da República pertença à cota olavista.

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Capitão ressuscita pau de arara e tortura a lógica http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/13/capitao-ressuscita-pau-de-arara-e-tortura-a-logica/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/13/capitao-ressuscita-pau-de-arara-e-tortura-a-logica/#respond Fri, 13 Dec 2019 07:56:34 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96377

De passagem pelo Estado de Tocantins, Jair Bolsonaro prometeu pendurar no pau de arara ministros pilhados em corrupção. Fez isso na véspera desta sexta-feira, 13. Cultor da ditadura, o capitão sabe que não é um dia qualquer.

Há 51 anos, em 13 de dezembro de 1968, o general Costa e Silva baixou o AI-5, Ato Institucional número cinco. Um golpe dentro do golpe. Vigorou por dez anos. Período sombrio, marcado por arbitrariedades hediondas.

Bolsonaro discursou como se não enxergasse corrupção ao redor. “Se aparecer, boto no pau de arara o ministro”, declarou. “Se ele tiver responsabilidade, obviamente. Porque, às vezes, lá na ponta da linha, está um assessor fazendo besteira sem a gente saber. Não é isso? É obrigação nossa, é dever”.

Algo como 160 milhões dos 210 milhões de brasileiros não sabe do que Bolsonaro está falando. É gente que não havia nascido na época em que escorria sangue nos porões.

Abre parênteses: no pau de arara, os pulsos do torturado são amarrados aos tornozelos. Antes do início da sessão de suplícios, a vítima é pendurada pelos joelhos, de ponta-cabeça, num pau roliço. Fica à mercê dos algozes. Fecha parênteses.

O capitão assegura que não há perversão no seu governo. Convém não discutir com um especialista, pois há na Esplanada meia dúzia de encrencados: três denunciados, dois investigados e até um condenado.

Esses ministros estão pendurados na folha de pagamento da União, não no pau de arara. Desfilam pelos gabinetes de Brasília como se nada tivesse sido descoberto sobre eles.

Ao discursar no Tocantins, Bolsonaro esqueceu de lembrar —ou lembrou de esquecer— até os casos mais rumorosos. Como o processo do ministro Marcelo Álvaro Antônio, mantido na pasta do Turismo mesmo depois de ser denunciado pelo Ministério Público por envolvimento no escândalo de candidaturas laranjas do PSL.

Ou o caso de Ricardo Salles, o antiministro do Meio Ambiente. Já condenado por improbidade administrativa, ele agora é investigado por enriquecimento ilícito.

De resto, pende da árvore genealógica de Bolsonaro o inquérito que envolve o primogênito Flávio, investigado por suspeita de peculato e lavagem de dinheiro. Coisa da época em que dava expediente como deputado estadual da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Nessa ocasião, o Zero Um confiava a administração da folha do seu gabinete ao policial militar Fabrício Queiroz, um amigo de três décadas do seu pai.

Bolsonaro levou o pau de arara aos lábios em pleno aniversário do AI-5 para movimentar as arquibancadas de sua bolha nas redes sociais.

Quem não frequenta esse ambiente fica com a impressão de que o capitão deveria parar de torturar a lógica. Sob pena de acabar pendurando a si mesmo no pau de arara.

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Mediunidade! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/12/mediunidade/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/12/mediunidade/#respond Fri, 13 Dec 2019 01:29:16 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96374

– Charge do Duke, via O Tempo.

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Moro vê culpas do STF, mas não enxerga o chefe http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/12/moro-ve-culpas-do-stf-mas-nao-enxerga-o-chefe/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/12/moro-ve-culpas-do-stf-mas-nao-enxerga-o-chefe/#respond Fri, 13 Dec 2019 00:17:19 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96369

Dados coletados pelo Datafolha indicam que piorou a avaliação do governo Bolsonaro no quesito combate à corrupção. Em entrevista à Folha, Sergio Moro foi convidado a explicar o fenômeno. E ele atribuiu 100% da culpa ao Supremo Tribunal Federal. Na visão do ministro da Justiça, a avaliação piorou porque vários condenados foram libertados da cadeia depois que o Supremo revogou a regra que permitia a prisão na segunda instância. E as pessoas tendem a atribuir ao governo culpas que são do Supremo. Isso é verdade. Mas é sempre mais fácil escolher culpados do que assumir culpas.

Hoje, quando a corrupção domina a conversa numa rodinha, é impossível mudar de assunto. Pode-se, no máximo, mudar de suspeito. Nesse ambiente, o governo deveria lidar com os maus costumes com tolerância zero. E não é o que ocorre. Bolsonaro está cercado de suspeitos: o filho investigado, ministro denunciado no escândalo do laranjal, um líder enrolado na Lava Jato, o diabo.

Sergio Moro disse na entrevista que “o governo está trabalhando com afinco para o restabelecimento da prisão em segunda instância”. Não é bem assim. O ministro até frequenta o debate do lado certo. Mas o líder de Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra, coleta assinaturas para evitar que seja votado entre os senadores o projeto sobre prisão. E Bolsonaro encara a encrenca da segunda instância com um semblante de ex-Bolsonaro. Quando não cala, o presidente faz declarações flácidas.

Num cenário assim, em que a memória fraca se confunde com a consciência limpa, o brasileiro tem dificuldade para enxergar inocentes no palco. Consolida-se a sensação de que os corruptos são encontrados em várias partes do mundo —quase todas no Brasil. E a leniência do Supremo não explica tudo. Eleito como parte da solução, Bolsonaro oferece material para que seus próprios eleitores comecem a enxergá-lo como parte do problema.

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Avança na Câmara projeto do Brasil sem privada http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/12/avanca-na-camara-projeto-do-brasil-sem-privada/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/12/avanca-na-camara-projeto-do-brasil-sem-privada/#respond Thu, 12 Dec 2019 22:25:56 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96364

De acordo com dados oficiais, 94% das cidades brasileiras são atendidas por estatais de saneamento. Apesar disso, metade da população não dispõe de privada e de torneiras com água potável em casa. Se há algo incontroverso no setor de saneamento básico é a falência do modelo.

Foi nesse contexto que a Câmara aprovou, na noite de quarta-feira (11/12), o texto-base do marco regulatório sobre saneamento, que potencializará a participação da iniciativa privada no setor. A oposição tentou impedir a votação.

Entre as alegações da banda contrária surgiu até a tese segundo a qual as empresas privadas buscarão financiamento em bancos públicos como o BNDES.

Ora, é melhor financiar privadas no Brasil do que levar calote bancando um porto em Cuba ou linhas de metrô na Venezuela. (Veja o comentário abaixo)

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Existe uma urna no caminho de Sergio Moro http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/12/existe-uma-urna-no-caminho-de-sergio-moro/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/12/12/existe-uma-urna-no-caminho-de-sergio-moro/#respond Thu, 12 Dec 2019 08:09:37 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=96355

Em entrevista à  Folha, Sergio Moro falou sobre 2022. Procurou não parecer o que é, para não passar a impressão de que é o que parece. Teve o cuidado de não excluir a hipótese de ser e parecer.

Perguntou-se a Moro: Não mexe com sua vaidade ser uma peça até favorita para 2022?

Para não parecer o que é, o ministro declarou: “Não tenho esse tipo de ambição.”

Para que Bolsonaro não diga que é o que parece, Moro emendou: “Eu brinco que já tenho problemas suficientes para lidar”.

Para não excluir a hipótese de ser e parecer, tascou: “Como ministro do presidente seria absolutamente inconsistente eu não apoiar a reeleição dele em 2022.”

Ficou subentendido que, se virar ex-ministro, Moro pode se oferecer como alternativa para embaralhar o jogo viciado que está na mesa.

A alturas tantas, indagou-se: Descarta ser vice de Bolsonaro em 2022? A resposta veio no mesmo formato.

“O que temos é um vice-presidente que respeito muito, Hamilton Mourão”, afirmou Moro, para não parecer o que é.

Mourão é “um general consagrado, que colocou em risco a carreira em um determinado momento para defender o que ele pensava”, acrescentou, para que o vice não diga que é o que parece.

“Acho que essa discussão não é apropriada no momento”, arrematou, abrindo uma vereda para ser e parecer candidato noutro instante.

Faltando três anos para a sucessão, especular sobre a candidatura presidencial de Moro é exercício de quiromancia política.

Entretanto, seria ingenuidade fechar os olhos para a possibilidade de que isso ocorra.

O ex-juiz participará da próxima campanha presidencial. Falta definir em que condições.

Ausente, Moro apanhará indefeso. No figurino de candidato, pode se defender e partir para o ataque.

Como diria Drummond, há uma urna no caminho de Sergio Moro.

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