Blog do Josias de Souza http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Sat, 27 May 2017 08:31:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Presidente perfeito é um monstrengo improvável http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/presidente-perfeito-e-um-monstrengo-improvavel/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/presidente-perfeito-e-um-monstrengo-improvavel/#comments Sat, 27 May 2017 08:00:56 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69917

Conheça o presidente ideal, produzido por fusão de imagens a frio

No momento em que um Congresso Nacional sujo não consegue encontrar um personagem mal lavado para colocar no lugar de Michel Temer, surgiu o candidato perfeito à Presidência do Brasil. Foi criado num processo de fusão de imagens a frio.

É diferente de tudo o que se conhecia em matéria de presidenciável fora dos manuais de marketing: careca, olhar triste, orelhas miúdas, narigudo e boca desproporcional. Um monstrengo improvável.

O presidente perfeito jamais venceria um concurso de beleza. Em compensação, nunca seria deposto nem receberia voz de prisão. Sua estética é a ética.

Ou seja: em tempos de Lava Jato, o presidente perfeito não teria a menor chance de prevalecer numa eleição indireta no Legislativo. Conheça no vídeo acima o presidente que a República não terá.

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Brasil gosta tanto de piada que o TSE virou uma http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/brasil-gosta-tanto-de-piada-que-o-tse-virou-uma/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/brasil-gosta-tanto-de-piada-que-o-tse-virou-uma/#comments Sat, 27 May 2017 06:43:23 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69908

A relação incestuosa de Michel Temer com um pedaço do plenário do Tribunal Superior Eleitoral transformou a apreciação das contas da campanha vitoriosa em 2014 numa casa da Mãe Joana. A pretexto de contribuir para a salvação do PIB, a veneranda senhora vinha usando as provas que incriminam a chapa Dilma—Temer como gordura na fritura do próprio TSE. Subitamente, a conjuntura virou. E a Corte Eleitoral promote para o dia 6 de junho um espetáculo inédito: vai desfritar um ovo.

As páginas do processo expõem uma inacreditável realidade. Nela, um mar de dinheiro roubado da Petrobras escorreu para o caixa do comitê eleitoral de Dilma. Mas quando o processo ganhou corpo uma outra realidade se apresentou, mais inacreditável do que a anterior. Magistrados tarimbados, de aparência respeitável, aceitaram a tese de que a lama era de responsabilidade de Dilma. E Temer não tinha nada a explicar. Como Dilma já fora deposta, o assunto estava encerrado.

A lama escorreu pelos escaninhos do TSE por um ano. Algumas togas conviveram com as provas fingindo que elas não se avolumavam no processo e no site do tribunal. Os julgadores pisavam nas evidências distraídos quando a delação da JBS transformou Temer num morto-vivo investigado no Supremo Tribunal Federal por corrupção, obstrução da Justiça e formação de organização criminosa.

Nada a ver com crimes eleitorais demonstrados nos autos do TSE. Mas o governo que prometia recolocar a economia nos trilhos descarrilou. E tudo o que o TSE fingia que não aconteceu passou a merecer explicação. Temer ainda não sabe o que dizer. Mas já esboçou uma rota de fuga. Sonha com um pedido de vistra que adie o julgamento indefinidamente. Se um dos sete ministros do TSE se prestar a desempenhar esse papel não restará dúvida: o Brasil gosta tanto de piadas que o Tribunal Superior Eleitoral se transformou em uma.

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Manutenção da Lei e da Ordem! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/manutencao-da-lei-e-da-ordem/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/manutencao-da-lei-e-da-ordem/#respond Sat, 27 May 2017 03:53:49 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69903

– Charge do Samuca, via ‘Diário de Pernambuco’.

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Saída de Maria Silvia é um desastre para Temer http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/26/saida-de-maria-silvia-e-um-desastre-para-temer/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/26/saida-de-maria-silvia-e-um-desastre-para-temer/#comments Fri, 26 May 2017 22:24:20 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69892

Envolto há dez dias na mais grave crise do seu governo, Michel Temer rumava para o final de semana aliviado. Ele soou otimista em vídeo jogado nas redes sociais na noite de quinta-feira. Discutiu com auxiliares na manhã desta sexta os “anúncios importantes” que fará nos próximos dias. Em privado, dizia ter “recuperado o fôlego”. De repente, caiu-lhe sobre a cabeça carta de demissão da presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos —um desastre que devolveu Temer à realidade.

A logomarca do BNDES apareceu num dos trechos da gravação do diálogo do delator Joesley Batista com Temer. Nele, o dono da JBS expôs o que o presidente definiria depois como “reclamações contra o ministro da Fazenda, contra o Cade, contra o BNDES.” As queixas do empresário são uma “prova cabal de que meu governo não estava aberto a ele”, disse Temer há uma semana, evocando a atuação de Maria Silvia e de Pedro Parente, presidente da Petrobras, como evidências da seriedade de sua gestão.

O problema é que, se o trecho do áudio mencionado na autodefesa de Temer provou alguma coisa foi que um empresário corrupto, depois de se defrontar com a resistência de servidores como a presidente do BNDES, decidira cobrar do presidente da República a solidariedade de que se julgava credor. E foi correspondido.

Na gravação que fundamentou a abertura de inquérito contra Temer no STF, Joesley pediu ao presidente um “alinhamento” de posições que lhe permitisse ser mais direto nas cobranças para que o ministro Henrique Meirelles, seu interlocutor, fosse sensível aos seus pedidos. E Temer: “Pode fazer isso.”

Em depoimento à Procuradoria da República, Joesley declarou que Temer interveio pessoalmente a favor de sua empresa junto ao BNDES. “Eu tive informações que ele intercedeu no BNDES tentando me ajudar”, disse o delator aos procuradores. “Depois ele me confirmou e disse que esteve no Rio falando com a presidente” do banco. O esforço resultou “infrutífero”.

Maria Silvia tornara-se uma pedra no sapato dos chamados “campeões nacionais”. Ela irritara gente como o delator Joesley Batista, que havia se acostumado a aproveitar as facilidades da era petista para azeitar com dinheiro fácil e barato do BNDES a expansão internacional do seu conglomerado. Súbito, o cofre se fechou. Sob nova administração, o bancão oficial passou a ser mais criterioso na análise de suas operações de crédito.

Sobreveio a pressão para que o BNDES parasse de torcer o nariz dos grandes “empreendedores”. Os ataques a Maria Silvia não vinham apenas dos escritórios assentados nas avenidas Paulista, Faria Lima e Berrini. Um de seus críticos vira a maçaneta do gabinete presidencial na hora que quer e desfruta de acesso irrestrito aos ouvidos de Temer: o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

Equilibrando-se em meio ao entrechoque de forças antagônigas, Temer sempre pareceu mais dúbio do que Maria Silvia gostaria. Ela entregou os pontos. “Razões pessoais”, alegou. Depois de prevalecer, Moreira Franco abençoou a nomeação do novo mandachuva do BNDES: Paulo Rabello de Castro. Na semana em que Temer imaginava ter recuperado o fôlego, a água continua na altura do nariz.

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Alckmin flerta com a eleição presidencial indireta http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/26/alckmin-flerta-com-a-eleicao-presidencial-indireta/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/26/alckmin-flerta-com-a-eleicao-presidencial-indireta/#comments Fri, 26 May 2017 08:25:03 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69867

O governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) analisa a hipótese de participar da eleição indireta à Presidência da República se Michel Temer for apeado do cargo. Ele ainda não tomou uma decisão. Mas executa uma coreografia de candidato. Após consultar juristas, concluiu que pode entrar na disputa sem renunciar à poltrona de governador. Bastaria pedir licença do cargo. Recebeu estímulos de outros governadores. E trocou ideias com membros do seu grupo político.

A briga pela poltrona de Temer ganhou novos contornos. Alckmin e os apologistas do seu projeto presidencial concluíram que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), tornou-se franco favorito na corrida pelo trono. Perceberam que não está em jogo apenas o mandato-tampão do substituto constitucional de Dilma Rousseff. Na prática, disputa-se uma prévia de 2018. O escolhido do Congresso se converterá num candidato automático à reeleição.

Obcecado pelo Planalto, Alckmin passou a considerar que o melhor protagonista do PSDB nesse enredo talvez seja ele próprio, não o senador Tasso Jereissati (CE), que substituiu Aécio Neves no comando do partido e foi alçado à lista de opções presidenciais. Tasso esteve em São Paulo nesta quinta-feira. Reuniu-se com Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o prefeito João Doria.

Operadores políticos de Alckmin atribuem o favoritismo de Rodrigo Maia a quatro fatores:

1) Como presidente da Câmara, ele leva vantagem no jogo de sedução dos 513 deputados, um “eleitorado” mais de seis vezes maior do que os 81 votos disponíveis no Senado;

2) Além de ter bom trânsito na maioria das bancadas, Rodrigo Maia alarga a banda esquerda do seu cesto de votos atraindo o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para ocupar o posto de vice na sua chapa.

3) Genro do ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Maia desfila nos bastidores como uma espécie de Plano B do próprio Temer, cacifando-se para receber parte dos votos do PMDB.

4) Na hipótese de afastamento de Termer, Rodrigo Maia assumirá a Presidência da República para convocar as eleições indiretas em 30 dias. Nesse intervalo, colocaria a máquina federal a serviço de sua permanência no cargo.

Pelas contas do grupo de Alckmin, Rodrigo Maia estaria muito próximo de colecionar algo como 300 dos 513 votos da Câmara. Alckmin entraria na briga com cerca de 150 votos. E teria de molhar a camisa para alcançar o rival. Imagina que, além dos votos do tucanato, arrastaria o grosso do PSB e do PPS, além de pedaços de legendas como PV, PP, PR, PTB, PSD e assemelhados.

A despeito de todas as dificuldades, os partidários de Alckmin avaliam que sua hipotética candidatura presidencial teria mais chances de êxito do que a de personagens como Tasso e o ex-ministro Nelson Jobim. Resta saber se Alckmin terá disposição para comprar a briga. Alckmin e Rodrigo Maia têm algo em comum além do desejo de sentar na cadeira de presidente: ambos têm contas a ajustar com a Operação Lava Jato. Foram mencionados nas delações da Odebrecht.

Maia, o “Botafogo” das planilhas da construtora, é investigado no Supremo Tribunal Federal. O processo contra Alckmin foi remetido ao Superior Tribunal de Justiça, o foro próprio dos governadores. Mas as complicações de ambos não parecem fazer diferença numa eleição que será definida pelos votos dos clientes de caderneta da Lava Jato e de outras encrencas criminais.

– Atualização feita às 14h32 desta sexta-feira (26): Geraldo Alckmin disse, em entrevista, que não é candidato em eleição indireta. “Essa não é a discussão. Agora, é ajudar a passar a crise”, declarou, abstendo-se de comentar a consulta feita a juristas, os contatos com outros governadores e a movimentação de seus operadores políticos.

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Rodrigo Maia vira a principal alternativa a Temer http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/rodrigo-maia-vira-a-principal-alternativa-a-temer/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/rodrigo-maia-vira-a-principal-alternativa-a-temer/#comments Thu, 25 May 2017 23:55:00 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69863

Enquanto Michel Temer derrete, os partidos procuram uma pessoa para colocar no seu lugar caso o Tribunal Superior Eleitoral se anime a cassá-lo. O substituto seria escolhido pelo Congresso, em eleição indireta, para tocar o governo até as eleições de 2018. O recomendável seria promover um entendimento para a escolha de um nome respeitável. Mas talvez isso seja esperar demais de um sistema político apodrecido.

Inaugurou-se no Cogresso uma disputa autofágica. O PSDB empina o nome de Tasso Jereissati. O pedaço do PMDB que já trata Temer como página virada torce o nariz. E contrapõe a opção Nelson Jobim, que faz cara de nojo. Apoiado apenas por si mesmo, o ministro Henrique Meirelles se insinua como alternativa.

Aproveitando-se da atmosfera de desentendimento, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se posiciona como pretendente ao trono. Se Temer cair, cabe a Rodrigo assumir a Presidência para convocar a eleição indireta em 30 dias. Ele quer permanecer no cargo. E sua candidatura, veja você, cresce, ganha adeptos, vira realidade.

Nas planilhas da Odebrecht, Rodrigo é o Botafogo. Na articulação que trama substituir um presidente sujo por um cúmplice mal lavado, Rodrigo é a prova de que política brasileira, com seu comportamento de alto risco, tem uma tendência para o suicídio.

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Temer agora trama adiar o julgamento do TSE http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/temer-agora-trama-adiar-o-julgamento-do-tse/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/temer-agora-trama-adiar-o-julgamento-do-tse/#comments Thu, 25 May 2017 21:45:21 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69858

Michel Temer e seus operadores políticos alteraram a estratégia para lidar com o julgamento que pode resultar na cassação do mandato presidencial no Tribunal Superior Eleitoral. Antes da delação da JBS, o Planalto tinha pressa. Agora, leva o pé ao freio. Trama-se o adiamento da decisão. Para que o plano dê certo, será necessário que um dos sete ministro da Corte Eleitoral se disponha a pedir vista do processo, a pretexto de analisar melhor uma causa já bem conhecida.

O julgamento está marcado para 6 de junho. Questiona-se a utilização de verbas sujas no financiamento da chapa Dilma-Temer. Estima-se que o veredicto sairá em três dias. Prevalecendo a tática de Temer, o desfecho pode ser jogado para as calendas, pois não há prazo para a devolução do processo. Deve-se a tentativa de fuga à reversão do placar. Conforme já noticiado aqui, o Planalto contava com uma vitória apertada: 4 a 3. Passou a recear uma derrota pelo mesmo placar.

Resta saber se haverá no TSE um ministro com disposição para entrar num jogo de empurra que permitirá a Temer voltar a confiar no amanhã, desde que não se descubra mais nada contra ele durante à noite.

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TSE e Rocha Loures são os temores de Temer http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/tse-e-rocha-loures-sao-os-temores-de-temer/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/tse-e-rocha-loures-sao-os-temores-de-temer/#comments Thu, 25 May 2017 07:59:30 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69851

Com uma capacidade cada vez mais limitada de fazer e acontecer, Michel Temer tornou-se presidente de prioridade única. Ele se dará por satisfeito se conseguir cumprir seu novo objetivo estratégico: não cair. Compartilhou com pessoas de sua confiança duas inquietações. Receia que o Tribunal Superior Eleitoral lhe casse o mandato. E teme que uma eventual delação do ex-assessor Rodrigo Rocha Loures —o homem da mala— elimine sua margem de manobra antes mesmo do início do julgamento do TSE, marcado para 6 de junho.

Antes do pacote de delações da JBS, Temer havia apagado o TSE da sua lista de problemas. Estimava que teria uma vitória na Justiça Eleitoral pelo placar de pelo menos 4 a 3. As posições dos sete julgadores eram antecipadas no Planalto como se o jogo estivesse jogado. Salvariam Temer os ministros Gilmar Mendes, Tarcísio Vieira, Admar Gonzaga e Napoleão Nunes Maia. Votariam pela cassação o relator Herman Benjamin, Rosa Weber e, talvez, Luiz Fux.

Depois que vieram à luz os resultados da colaboração judicial da JBS, o que o Planalto considerava um grande trunfo voltou-se contra Temer. Dizia-se que a maioria dos ministros faria uma leitura atenuatória dos fatos relacionados ao presidente para não conturbar uma administração que começava a exibir resultados na economia.

Agora, o feitiço do julgamento político começa a se voltar contra o feiticeiro, cuja permanência no cargo passou a ser vista como ameaça à tímida recuperação dos indicadores econômicos. O Planalto ainda contabiliza um placar de 4 a 3, só que contra a permanência de Temer.

Ironicamente, uma adesão do TSE ao ‘fora, Temer’, levaria a um resultado mais técnico. O veredicto não precisaria comprar a fábula segundo a qual Temer assumiu a cadeira de presidente por ser beneficiário dos 54 milhões de votos que os brasileiros deram a Dilma, mas não tem nada a ver com a dinheirama suja que financiou a campanha que produziu esse resultado.

A esperança de Temer de se salvar no TSE diminui na proporção direta do agravamento da crise. À procura de uma porta de incêndio, caciques do Congresso assediam a Justiça Eleitoral com pouca cerimônia. Para complicar, os operadores do presidente estão inseguros em relação aos humores de Rocha Loures, o personagem filmado recebendo a mala com propina de R$ 500 mil da JBS, dias depois de ter sido credenciado por Temer como sua ponte de ligação com o delator Joesley Batista.

Num primeiro momento, o ex-assessor de Temer, hoje deputado federal afastado do exercício do mandato pelo STF, mandara recados tranquilizadores para o Planalto. Sinalizara a intenção de matar a encrenca no peito, como se diz. Distanciaria a mala de dinheiro da figura de Temer, assumindo todas as culpas. Nos últimos dias, porém, Rocha Loures passou a sofrer pressão de sua família para tornar-se um colaborador da Justiça, negociando uma redução de castigo. De repente, fecharam-se os dutos de comunicação com emissários do governo.

Em viagem à Itália, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) comentou com um amigo, pelo telefone: “O Rocha Loures foi meu chefe de gabinete no governo do Paraná. É moço de família rica, um rapaz de ouro. Não vai suportar essa pressão. Vai entregar.”

Um auxiliar de Temer sustenta que não há o que “entregar”. A declaração não combina com o medo que se espraia pelo Planalto. Contrasta também com o relato do delator Ricardo Saud, executivo da J&F, a holding que controla a JBS. Ele contou aos procuradores que o interrogaram que Rocha Loures era um mero intermediário. A negociação da propina era feita, segundo Saud, diretamente com o presidente Temer.

“Eu tenho certeza absoluta que nós tratamos propina com o Temer, nós nunca tratamos propina com o Rodrigo [Rocha Loures]”, declarou o delator. “O Rodrigo foi um mensageiro que Michel Temer mandou para conversar com a gente, para resolver os nossos problemas e para receber o dinheiro dele.”

O interrogador indagou: “Essa é a visão também que o Joesley [Batista] passou pra você. Quem teve pessoalmente contato com o Temer para esse assunto foi o Joesley, né?” E Saud: “Foi o Joesley. Eu tô afirmando para o senhor porque não tratamos de propina com Rodrigo Rocha Loures.”

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Política surtou e Brasília virou centro terapêutico http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/politica-surtou-e-brasilia-virou-centro-terapeutico/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/politica-surtou-e-brasilia-virou-centro-terapeutico/#comments Thu, 25 May 2017 07:14:36 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69846


Depois de virar caso de polícia, a política brasileira entrou em sua fase psiquiátrica. Brasília tornou-se uma espécie de centro terapêutico para o tratamento das neuroses do sistema político.

Sindicatos e simpatizantes do PT marcharam pela queda de Temer e pela rejeição das reformas. Como o presidente está no chão e as reformas viraram pó, os manifestantes enlouquecem e quebram o próprio patrimônio.

A Câmara pediu ao Planalto reforço da Força Nacional. Temer acionou as Forças Armadas. Está previsto na Constituição. Aconteceu 29 vezes nos últimos sete anos. Mas no caso específico, foi como colocar o Anderson Silva para brigar com um recém-nascido.

O plenário da Câmara entrou em parafuso. Maníacos se desentenderam com depressivos. Todos de pé, na frente da mesa, num ambiente de boteco, que só pode acabar em palavrões e cutucões na barriga, nunca em legislação séria.

O sistema político pirou. Há dois caminhos. Uma parte pede internação no sistema prisional. E você pode dar alta para os demais em 2018.

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Queima de arquivo! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/queima-de-arquivo/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/queima-de-arquivo/#comments Thu, 25 May 2017 03:09:54 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=69843

– Charge do Benett, via Folha.

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