Blog do Josias de Souza http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tue, 21 Aug 2018 08:32:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Marina mira eleitoras, ponto fraco de Bolsonaro http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/21/marina-mira-eleitoras-ponto-fraco-de-bolsonaro/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/21/marina-mira-eleitoras-ponto-fraco-de-bolsonaro/#comments Tue, 21 Aug 2018 08:20:03 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83765

De olho no eleitorado feminino, majoritário, Marina Silva visitou Maria da Penha, em Fortaleza

Marina Silva refinou sua estratégia de campanha para capitalizar a boa repercussão das estocadas que deu em Jair Bolsonaro no debate da Rede TV!, há quatro dias. A presidenciável da Rede dedica especial atenção ao eleitorado feminino. Esse nicho, que concentra a maioria absoluta (52%) do eleitorado brasileiro, tornou-se um ponto fraco de Bolsonaro. Entre as mulheres, o capitão amealha apenas metade dos votos que consegue seduzir no eleitorado masculino.

No debate, Marina se contrapôs à tese de Bolsonaro segundo a qual um presidente não deve se meter na polêmica sobre a disparidade salarial ainda existente entre homens e mulheres. Ela também questionou a pregação do rival a favor da liberação do porte de armas. “Você acha que pode resolver tudo no grito”, disse (reveja abaixo). Desde então, Marina afaga nas redes sociais o ego do pedaço feminino do eleitorado.

Nesta segunda-feira, dia em que o Jornal Nacional começou a levar aos lares brasileiros o “dia dos candidatos”, Marina cuidou de aproveitar a nova janela em toda a sua extensão. Exibiu-se para as lentes do telejornal de maior audiência em dois eventos. Após encontrar-se com empresários, em São Paulo, voou para Fortaleza. Ali, visitou Maria da Penha, a personagem que dá nome à lei que pune as agressões domésticas praticadas contra mulheres.

Marina apareceu no horário nobre da TV recebendo de Maria da Penha, no instituto que leva o seu nome, uma carta que cobra dos presidenciáveis medidas para melhorar a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência. Subscreveu o documento. E declarou que, eleita, ampliará a rede de proteção às mulheres. Mencionou a intenção de criar centros de referência nos municípios.

Sobre o capitão, a apresentadora Renata Vasconcelos, que divide a bancada com William Bonner, noticiou: “O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, passou o dia em casa, no Rio de Janeiro. Segundo a assessoria, Bolsonaro não teve nenhuma atividade de campanha nesta segunda.” Para um candidato que dispõe de apenas oito segundos no horário eleitoral, desprezar uma aparição num telejornal colado na novela é coisa de amador.

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Haddad vai à vitrine antes do veto do TSE a Lula http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/21/haddad-vai-a-vitrine-antes-do-veto-do-tse-a-lula/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/21/haddad-vai-a-vitrine-antes-do-veto-do-tse-a-lula/#comments Tue, 21 Aug 2018 06:07:46 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83763

A estratégia eleitoral do PT entra nesta semana numa fase que poderia ser batizada de “me engana que eu gosto.” Enquanto sustenta no TSE o pedido de registro da candidatura-fantasma de Lula, o PT exibe Fernando Haddad em sua principal vitrine: a região Nordeste. Até o próximo sábado, Haddad desfilará sua desconhecida figura em pelo menos cinco Estados nordestinos: Bahia, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Maranhão.

Pesquisa do instituto MDA ajuda a entender por que o petismo adianta o relógio da campanha de Haddad, colocando o substituto na rua antes da impugnação do titular. Lula continua liderando a corrida presidencial, com 37,3% das intenções de voto. Mas esse eleitorado de Lula não cairá no colo de Haddad por gravidade.

Hoje, apenas 17,3% dos votos atribuídos a Lula seriam transferidos para Haddad. Marina herdaria 11,9%. Ciro levaria 9,6% desses votos. Para colocar Haddad no segundo turno, o PT precisa grudar no rosto dele uma máscara do Lula. Ou seja: para dar certo, Haddad precisa mostrar que não é um candidato, mas uma caricatura de Lula.

Os rivais do PT dirão que o país já conhece esse filme. Eles enfatizarão que o filme não tem final feliz.

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Vade Retro! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/21/vade-retro-2/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/21/vade-retro-2/#respond Tue, 21 Aug 2018 05:58:28 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83760

– Via Nani.

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Cármen Lúcia: ‘Não deixe o samba morrreeerrr..!’ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/21/carmen-lucia-nao-deixe-o-samba-morrreerrr/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/21/carmen-lucia-nao-deixe-o-samba-morrreerrr/#comments Tue, 21 Aug 2018 05:41:17 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83752

Não tem como medir o prazer de estar na companhia dessas mulheres incríveis! Obrigada, Ministra Carmen Lúcia! (Alcione)

Uma publicação compartilhada por Alcione (@alcioneamarrom) em

Num instante em que as decisões do Supremo, por contraditórias, parecem buscar inspiração em Sérgio Porto, criador do ‘Samba do Crioulo Doido’, a ministra Cármen Lúcia surpreendeu Alcione, deixando a cantora receosa: “Tô desempregada!”, disse, depois que a presidente da Suprema Corte, sob seu comando, trocou o data venia pelos versos de Edson Conceição e Aloísio Silva: “Não deixe o samba morrreeerrr…”

A cena transcorreu nesta segunda-feira, num palco inusitado: o edifício-sede do STF. Deu-se após um seminário organizado pelo CNJ, o Conselho Nacional de Justiça. Batizado de ‘Elas por Elas’, o encontro teve o propósito de debater o papel da mulher no Estado e na sociedade. Terminou em algo muito parecido com uma roda de samba.

“Vai, Cármen Lúcia”, estimulou Alcione. Junto com a anfitriã, caíram, por assim dizer, no samba: Raquel Dodge, procuradora-geral da República; Laurita Vaz, presidente do STJ; Grace Mendonça, advogada-geral da União; Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza; e Lucia Braga, presidente da Rede Sarah de Hospitais.

Alcione divulgou as imagens no Instagram. “Não tem como medir o prazer de estar na companhia dessas mulheres incríveis”, anotou. Para quem está habituado a assistir aos arranca-rabos das togas nas sessões plenárias, a roda de samba foi um supremo refrigério.

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Estrelas da eleição são Lula e os sem-candidato http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/estrelas-da-eleicao-sao-lula-e-os-sem-candidato/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/estrelas-da-eleicao-sao-lula-e-os-sem-candidato/#comments Tue, 21 Aug 2018 00:07:53 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83735

Na primeira pesquisa do Ibope depois da exclusão dos figurantes do elenco de presidenciáveis, Lula manteve sua condição de protagonista. A tática da vitimização vitaminou a liderança do pajé do PT, guindando sua taxa de intenção de votos para 37%. Inelegível, Lula não poderá usufruir pessoalmente desse patrimônio eleitoral. Mas, no momento, os rumos de 2018 passam pela cadeia de Curitiba.

Consumado o veto do TSE a Lula, o candidato-fantasma dividirá o centro do palco com outra estrela da sucessão: o MSC, movimento dos sem-candidato. Juntos, os eleitores que declaram a intenção de anular o voto ou votar em branco (29%) e aqueles que não informam o nome de sua preferência (9%), reúnem 38% do eleitorado. É mais do que a soma dos dois primeiros colocados no cenário sem Lula: Bolsonaro (20%) e Marina (12%). Esse contingente tem potencial para alterar os rumos da eleição.

De resto, os dados do Ibope revelam que, a escassos 48 dias da eleição, ainda não há no palco um favorito. A campanha já virou assunto nas mesas de boteco. Mas ninguém conseguiu vestir o cobiçado figurino de favorito. Bolsonaro ultrapassou os limites da corporação militar. Contudo, não disparou. Por quê? É o campeão da rejeição: 37% do eleitorado afirmam que jamais votariam no capitão.

Marina está aquém do desempenho de 2014, ainda embolada com Ciro. Alckmin, mais atrás, rumina a expectativa de crescer depois que puder usufruir, a partir de 31 de agosto, do tempo de propaganda eleitoral engordado com a banha tóxica do centrão.

Sem Lula, Haddad aparece com magros 4%, na vizinhança de Alvaro Dias (3%). A lógica indica que o petista tomará o elevador depois que Lula, já na pele de ex-candidato, adotá-lo como seu novo poste —14% dos eleitores dizem que poderiam votar em Haddad se Lula pedisse; 13% afirmam que votariam nele com certeza.

Quer dizer: passados os primeiros debates, as primeiras sabatinas e entrevistas, o jogo continua absolutamente aberto.

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Bolsonaro: PT e PSDB tramam indulto de Lula http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/bolsonaro-pt-e-psdb-tramam-indulto-de-lula/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/bolsonaro-pt-e-psdb-tramam-indulto-de-lula/#comments Mon, 20 Aug 2018 21:48:09 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83729

Em vídeo veiculado na internet, Jair Bolsonaro declarou que tucanos e petistas tramam conceder indulto a Lula e a outros encrencados nos escândalos do mensalão e do petrolão. O capitão escorou sua insinuação numa entrevista concedida por Fernando Henrique Cardoso. Nela, o ex-presidente tucano admitiu a hipótese de união do seu PSDB com o PT caso seja necessário derrotar Bolsonaro num hipotético segundo turno.

“Essa é a união do mensalão com o petrolão”, bateu Bolsonaro. “É a certeza de que PT e PSDB são farinha do mesmo saco. Na verdade, o grande projeto deles é o indulto para Lula e condenados no mensalão e petrolão. É a certeza de que o Brasil é deles e não de nós, brasileiros.”

Pregando nas redes sociais para eleitores já convertidos, Bolsonaro grudou em petistas e tucanos as pechas de sempre: “Eles trabalham contra a família”, declarou. “São favoráveis à ideologia de gênero”, acrescentou, antes de derramar lama sobre os rivais: “São dois partidos metidos até o pescoço nos mais variados atos de corrupção. Esse tipo de gente está preocupada é consigo mesmo e não com você, brasileiro.”

Bolsonaro aproveitou para catequizar seus seguidores: “O grande ensinamento que temos disso daí é que nós, pessoas de bem, que são (sic) a grande maioria do Brasil, devem se unir por ocasião dessa corrida presidencial. Eles continuarão fazendo de tudo para me tirar de combate.” Em verdade, derrotar Bolsonaro num eventual segundo turno não é um desejo exclusivo de tucanos e petistas. O projeto reúne gregos e troianos.

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Politicagem prejudica o socorro a venezuelanos http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/politicagem-prejudica-o-socorro-a-venezuelanos/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/politicagem-prejudica-o-socorro-a-venezuelanos/#comments Mon, 20 Aug 2018 09:30:07 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83722

O flagelo dos refugiados venezuelanos, que parecia apenas dramático, tornou-se trágico. Mesmo quem não entende nada de política é capaz de enxergar a politicagem por trás do surto de violência que empurrou de volta para a Venezuela cerca de 1.200 refugiados da ruína bolivariana de Nicolás Maduro. Os governos federal e de Roraima meteram-se num jogo de empurra que condiciona o socorro humanitário à superação da mesquinharia política.

Premido pela má repercussão da explosão de irracionalidade que devastou o que restava de solidariedade na cidade de Pacaraima (RR), Michel Temer reuniu um grupo de ministros em pleno domingo. Ao final do encontro, o Planalto divulgou uma nota para informar, essencialmente, que o presidente e seus auxiliares avaliam que realizam um ótimo trabalho no gerenciamento da crise dos refugiados.

O texto esclarece que Brasília “já tomou providências que somam mais de R$ 200 milhões.” Anuncia novas medidas. Mais do mesmo: abrigos, reforço policial, isso, mais aquilo e, sobretudo, a intensificação do processo de “interiorização” dos refugiados, distribuindo-os por outros Estados.

A certa altura, a nota que Temer mandou divulgar insinua que o Planalto só não ajuda mais porque o governo de Roraima, comandado pela governadora Suely Campos (PP), não deixa.

“O governo continua em condições de empregar as Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem em Roraima”, escreveu a assessoria de Temer na nota. “Por força de lei, tal iniciativa depende da solicitação expressa da senhora governadora do Estado.”

A senhora governadora subiu no caixote. Mandou dizer, por meio de um assessor: “Essa nota é infeliz e eleitoral. Nós já pedimos inúmeras vezes o envio das Forças Armadas, e fomos ignorados. Surpreende o desconhecimento do governo federal do problema em Roraima.”

Candidata à reeleição, Suely Campos é adversária ferrenha de Romero Jucá (MDB-RR), o líder do governo Temer no Senado. A portas fechadas, a turma do Alvorada destilou a suspeita de que Suely e seus correligionários estimulam reações xenófobas contra os venezuelanos. Em Roraima, a governadora e seus auxiliares acusam a União de omissão.

Quem observa à distância o empurra-empurra, com seus reflexos sobre a vida dos venezuelanos pobres que pedem socorro, fica sem saber para onde caminha a humanidade. Mas observa com muita atenção, porque, quando souber, correrá para o outro lado.

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FHC: ‘Haddad é visto como marionete do Lula’ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/fhc-haddad-e-visto-como-marionete-do-lula/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/fhc-haddad-e-visto-como-marionete-do-lula/#comments Mon, 20 Aug 2018 07:30:35 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83712

Num instante em que o PT começa a exibir Fernando Haddad na vitrine como virtual cabeça de chapa na corrida presidencial, o grão-tucano Fernando Henrique Cardoso grudou no potencial substituto de Lula a pecha de boneco: “Tenho uma boa relação pessoal com o Haddad. O que acho complicado é que ele está sendo visto como marionete do Lula. Um presidente tem que ter força própria para governar.”

A declaração foi feita em entrevista ao repórter Bernardo Mello Franco, veiculada na edição desta segunda-feira de O Globo. FHC repete com Haddad uma tática que empregara contra Dilma Rousseff. Na sucessão de 2010, o presidente de honra do PSDB chamara a então candidata petista de “boneca de ventríloquo”. Uma boneca cujos movimentos eram comandados por Lula.

Num artigo publicado em julho de 2010, FHC como que acomodara na cabeça de Lula um sombreiro. Insinuara que, à revelia do PT, o então presidente petista escolhera Dilma à moda dos velhos mandachuvas do mexicano PRI: no “dedazo”. Referia-se ao Partido Revolucionário Institucional, agremiação política que exerceu uma hegemonia longeva no México. Entre 1929 e 2000, todos os presidentes mexicanos eram do PRI. “O presidente indicava sozinho o candidato a sucedê-lo”, recordou FHC no artigo de 2010.

A diferença é que, em 2010, Lula estava inelegível porque acabara de concluir o segundo mandato consecutivo. Hoje, sua inelegibilidade decorre da condenação que amargou na segunda instância do Judiciário pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Preso em Curitiba, Lula tornou-se um candidato-fantasma à espera do provável indeferimento do pedido de registro de sua candidatura no TSE.

Perguntou-se a FHC se ele concorda com a pregação do PT segundo a qual “eleição sem Lula é fraude”. E ele: “Não. Vai haver eleição, e o PT vai concorrer. (…) O Comitê de Direitos Humanos da ONU declarou que o Lula deve ser candidato. Qual a base para isso? Querem que desrespeite as leis brasileiras? A lei é clara. Ele não tem, pela lei, a qualificação para ser candidato. Como é que o tribunal vai registrar?”

Na opinião de FHC, “há uma tentativa de desmoralizar o sistema.” Ele realça: “Quem sancionou a Lei da Ficha Limpa foi o Lula. Se você foi condenado em segunda instância, não está em condições de ser candidato. Tem que cumprir a lei.”

FHC considera improvável a reedição da polarização entre PT e PSDB na atual campanha: “O PT acha que o segundo turno vai ser Haddad e Alckmin. Eu acho que pode ser Bolsonaro e Alckmin”.

E se o PSDB ficar fora? “Não farei objeção a que o PT nos apoie”, respondeu o ex-presidente tucano. “Naturalmente, isso significa também que não haveria objeção ao contrário. Mas nós pensamos de forma diferente. O que acho é que isso deve se dar dentro de uma visão democrática.”

Indagado sobre a dificuldade de Geraldo Alckmin de alçar voo, FHC atribuiu o desempenho precário do presidenciável tucano não à fadiga de materiais do PSDB, mas à “poeira” levantada pelo fenômeno Bolsonaro. “A mídia presta atenção em tudo o que é novo ou extravagante. Quando surgiu o Bolsonaro, eu disse: Vai subir. Até que o Geraldo ultrapasse a poeira, é difícil. Mas ele sempre ultrapassou.”

Para enfatizar a suposta confiança que deposita no projeto de Alckmin, FHC evocou seu próprio histórico: “Em abril de 1994, eu virei candidato. Em maio, falei com a Ruth: Vou desistir. Eu tinha 12%, o Lula tinha 40%. As pessoas não acreditavam. Em agosto, comecei a crescer. Em outubro, ganhei no primeiro turno. É claro que tinha o Plano Real. Mas não é só o que você faz. É o que você fala. Tem que cacarejar.”

FHC empilhou qualidades que, a seu juízo, Alckmin poderia cacarejar: “O Geraldo ganhou várias vezes em São Paulo. Ele é médico, tem experiência, não enriqueceu na política, não é gastador. Tem que mostrar isso. Não basta ser simpático, tem que ser confiável.”

Recordou-se a FHC que um ex-colaborador de Alckmin, Laurence Casagrande, está preso preventivamernte sob a suspeita de ter patrocinado desvio milionário nas obras do Rodoanel. Sem levar as mãos ao fogo pelo preso, FHC concedeu um habeas-gogó ao correligionário: “São Paulo faz muita obra. É possível que funcionários tenham ganhado alguma coisa. Mas não vi nada indo para o Alckmin. Nada que possa prejudicar a imagem dele.”

A candidatura de Bolsonaro “assusta” FHC. Falta-lhe “experiência e a visão democrática de aceitar o outro com facilidade”, avaliou. “O pior, para mim, é que ele tem soluções simplistas e autoritárias. Eu não acredito nisso. Acredito que as coisas são complicadas e que você precisa convencer. Num país diverso como o nosso, como é que você governa sem capacidade de juntar?”

Provocado, FHC comentou a declaração de Marina Silva de que, se eleita, cogita governar com os melhores. “Tudo bem. Boa intenção ajuda. Especialmente no convento, na universidade… Na política, você tem que ter um certo grau de realismo. Gosto da Marina, me dou com ela, mas não acho que vá para o segundo turno. Ela tem pouco tempo de TV. Há uma certa fragilidade na candidatura, nela mesma. O povo sente isso.”

Tomado pelas palavras, FHC parece considerar que o erro de Marina não é o de tentar distinguir os bons dos maus. Seu problema seria a incapacidade de perceber que o Brasil só avançará se os bons tiverem maldade suficiente para impor sua bondade. “Ela tem uma causa, é aberta, mas falta um pouco de malignidade”, disse FHC, antes de arrematar, entre risos: “Esse negócio de ser presidente da República não é fácil. Eu não sei por que tanta gente quer…”

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Imunização! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/imunizacao/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/20/imunizacao/#comments Mon, 20 Aug 2018 03:26:25 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83709

– Charge do Duke, via O Tempo.

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Temer se irrita com Meirelles por não defendê-lo http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/19/temer-se-irrita-com-meirelles-por-nao-defende-lo/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/08/19/temer-se-irrita-com-meirelles-por-nao-defende-lo/#comments Sun, 19 Aug 2018 09:03:21 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=83698

Michel Temer está irritado com Henrique Meirelles, o presidenciável do MDB. Alheio à sua própria radioatividade, Temer se queixa de que seu ex-ministro da Fazenda não o defende dos ataques dos outros candidatos ao Planalto. Reprovado por oito em cada dez brasileiros, o presidente cobra “lealdade” de Meirelles.

O mais provável é que a irritação de Temer aumente, pois Meirelles não parece entusiasmado com a ideia de encostar sua candidatura na impopularidade de Temer. Segundo o Datafolha, 92% do eleitorado declara que jamais votaria num candidato apoiado pelo atual inquilino do Planalto.

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