Blog do Josias de Souza http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Wed, 22 May 2019 06:32:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Bolsonaro volta a enaltecer atos anti-Congresso http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/22/bolsonaro-volta-a-enaltecer-atos-anti-congresso/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/22/bolsonaro-volta-a-enaltecer-atos-anti-congresso/#respond Wed, 22 May 2019 05:09:43 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91298

Jair Bolsonaro pediu aos ministros que se distanciem dos atos pró-governo e anti-Congresso marcados para domingo, informou o porta-voz Otávio Rêgo Barros. O presidente solicitou inclusive que os membros de sua equipe se abstenham de fazer convocações via redes sociais. Horas depois, Bolsonaro descumpriu sua própria orientação. Voltou a enaltecer a manifestação.

Embora os seguidores do guru Olavo de Carvalho defendessem que Bolsonaro fosse à rua no domingo, o capitão decidiu dar ouvidos às ponderações de seus conselheiros militares, que desaconselharam sua presença nos atos. Ao tratar novamente do tema, na noite desta terça-feira, o presidente bateu duas estacas nas redes sociais —uma no cravo, para contentar os ‘olavetes’; outra na ferradura, para satisfazer os fardados.

Primeiro, Bolsonaro afagou o pedaço do eleitorado que ainda se dispõe a sair ao asfalto para bater bumbo por ele: “Quanto aos atos do dia 26, vejo como uma manifestação espontânea da população, que, de forma inédita, vem sendo a voz principal para as decisões políticas que o Brasil deve tomar.”

Depois, Bolsonaro fez uma pose institucional: “Acredito na harmonia, na sensibilidade e no patriotismo dos integrantes dos três Poderes da República para o momento que atravessa nossa nação. Juntos, ao lado da população brasileira e de Deus, alcançaremos nossos objetivos!”

Considerando-se o teor das postagens de Bolsonaro nos últimos dias —o endosso ao texto sobre a “ingovernabilidade” do Brasil, o aval ao vídeo que o retratou como enviado de Deus—, o autor destes últimos posts revelou-se um presidente respeitoso e de rara compostura. Ou seja, o capitão estava completamente fora de si.

O objetivo de Bolsonaro só foi plenamente alcançado na caixa de comentários. Ali, seus seguidores cuidaram de desferir as caneladas virtuais que a liturgia da Presidência impediu Bolsonaro de desferir. Eis alguns exemplos representativos:

Vander Tessari disse que os políticos querem “chantagear e barganhar.” Valeria S.S. Brasil escreveu que “a coisa tem que ser meio bruta” na relação com o Congresso. Lucio Drummond anotou que Congresso e Judiciário são compostos de “corruptos da pior espécie.” Uma seguidora que se identificou como “Sou Conservadora” acrescentou que os apologistas de Bolsonaro vão às ruas “para mostrar para esses ratos que quem manda é o povo.”

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Ponto de Referência! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/ponto-de-referencia/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/ponto-de-referencia/#respond Wed, 22 May 2019 02:51:40 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91295

– Charge do Duke, via O Tempo.

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Flerte de Bolsonaro com a rua é ‘terceiro turno’ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/flerte-de-bolsonbaro-com-a-rua-e-terceiro-turno/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/flerte-de-bolsonbaro-com-a-rua-e-terceiro-turno/#respond Tue, 21 May 2019 22:44:55 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91289

Desde que o Ministério da Educação reacendeu o pavio das ruas, Jair Bolsonaro só fez bobagens. Em poucos dias aprontou o seguinte: Chamou estudantes e professores de “idiotas úteis”, endossou um texto que diz que o Brasil é “ingovernável”, avalizou um vídeo no qual um pastor declara que ele foi enviado por Deus para consertar o país e empurrou seus seguidores nas redes para uma manifestação anti-Congresso convocada para domingo.

Apoiador de presidente convocando manifestação popular é parte do jogo democrático. Presidente da República atiçando as ruas contra o Congresso é coisa que beira a insensatez. É como se Bolsonaro quisesse introduzir no processo eleitoral brasileiro um terceiro turno. No primeiro, prevaleceu como candidato antissistema. No segundo, despachou o petismo. No terceiro, tenta encurralar o Congresso. A conjuntura, que já era confusa, ficou ainda mais atrapalhada.

Um presidente que acaba de ser eleito para implantar um projeto de regeneração econômica e moral, em vez de negociá-lo na instância competente, recorre às ruas para desqualificar um Legislativo que saiu das mesmas urnas que o consagraram. A manobra é burra e incoerente. Bolsonaro flerta com a burrice ao injetar turbulência numa conjuntura que pede tranquilidade. Revela-se incoerente porque a jogada o deixa muito parecido com gente que ele sempre abominou.

No plano nacional, dois presidentes tentaram emparedar o Congresso. Em 1964, o esquerdista João Goulart, com suas reformas de base. Deu em golpe e ditadura militar. Em 1992, o embusteiro Fernando Collor, com sua ilicitocracia. Deu em impeachment. No plano internacional, Bolsonaro parece inspirar-se no modelo venezuelano, no qual o coronel Hugo Chávez e o pupilo Nicolás Maduro deram brilho aos seus pendores golpistas com o verniz extraído das manifestações de rua. Deu no que está dando: ruína e baderna.

Era só o que faltava: um Bolsonaro com cheiro de naftalina pré-64, aparência collorida e hábitos venezuelanos.

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Governo processa fabricantes de cigarros http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/governo-processa-fabricantes-de-cigarros/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/governo-processa-fabricantes-de-cigarros/#respond Tue, 21 May 2019 21:41:27 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91281

A Advocacia-Geral da União (AGU), órgão vinculado à Presidência da República, protocolou nesta terça-feira uma ação civil pública contra os fabricantes de cigarro. Pede que sejam condenados a ressarcir os gastos da rede hospitalar pública com o tratamento de 26 doenças causadas pelo tabaco. O pedido cobre as despesas realizadas nos últimos cinco anos.

O processo correrá na Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Os alvos são as seguintes empresas: Souza Cruz Ltda., Philip Morris Brasil Indústria e Comércio Ltda. e Philip Morris Brasil S/A. Juntas, respondem por cerca de 90% do mercado nacional de fabricação e comércio de cigarros. Foram incluídas também na ação as controladoras das companhias no exterior: British American Tobacco e Philip Morris International.

Coordenador Regional de Atuação Proativa da Procuradoria-Regional da União na 4ª Região, Davi Bressler explicou as razões que levaram à inclusão das matrizes no polo passivo da ação: “Como o lucro desse comércio é remetido para o exterior, para essas multinacionais, nada mais justo que elas venham a ter que pagar esse ônus que estão deixando com a sociedade brasileira.”

O governo afirma que dispõe de estudos segundo os quais os problemas de saúde relacionados ao consumo de cigarro custam anualmente à rede pública de saúde “dezenas de bilhões de reais”. Entretanto, a petição da AGU não informa o valor do ressarcimento que terá de ser feito pelos fabricantes de cigarro em caso de condenação.

Alega-se que o prejuízo da União será calculado após a decisão judicial sobre a responsabilidade das empresas. Vinicius Fonseca, advogado da União que atua no caso, declarou: “Uma vez estabelecido que a indústria tem que ser responsabilizada, já indicamos na ação todos os parâmetros que podem ser utilizados na liquidação da sentença para calcular o montante exato que deve ser ressarcido.”

A AGU enumera na ação “condutas de má-fé” atribuídas à indústria do cigarro. Por exemplo: “Omissão e manipulação de informações sobre os malefícios do tabagismo, do fumo passivo e do poder viciante da nicotina; venda de cigarros classificados como ‘light’ como menos prejudiciais à saúde; e promoção de estratégias de marketing e propagandas voltadas ao público jovem.”

Mariana Filchtiner Figueiredo, procuradora-regional da União na 4ª Região, explica que o processo foi precedido de “um trabalho de pesquisa e coleta de evidências que vem sendo feito há mais de dois anos.” Segundo ela, produziu-se uma “ação bastante densa, com diversos documentos anexados.”

A iniciativa do governo foi inspirada em ações movidas nos Estados Unidos. Num movimento iniciado em 1994, vários Estados americanos ajuizaram ações de ressarcimento contra fabricantes de cigarro. Os processos resultaram na assinatura de um acordo envolvendo 46 Estados. Nele, as empresas comprometeram-se a efetuar pagamentos perpétuos. Nos últimos 20 anos, informa a AGU, os Estados americanos já receberam o equivalente a R$ 500 bilhões.

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Em carta aberta, 14 governadores pedem a revogação do decreto sobre armas http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/em-carta-aberta-14-governadores-pedem-a-revogacao-do-decreto-sobre-armas/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/em-carta-aberta-14-governadores-pedem-a-revogacao-do-decreto-sobre-armas/#respond Tue, 21 May 2019 17:28:38 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91273

Em carta aberta divulgada nesta terça-feira, governadores de 13 Estados e do Distrito Federal pediram a “imediata revogação” do decreto editado em 7 de maio por Jair Bolsonaro para facilitar o porte e a aquisição de armas por civis. Sustentam que as medidas previstas no decreto “não contribuirão para tornar nossos Estados mais seguros.”

Os 14 governadores que subscreveram a carta consideram que o decreto de Bolsonaro terá “impacto negativo”, pois levará a um aumento na “quantidade de armas e munições que poderão abastecer criminosos.” Em consequência, elevará também “os riscos de que discussões e brigas entre nossos cidadãos acabem em tragédias.”

Vai abaixo a íntegra da carta e os nomes dos subscritores.

Como governadores de diferentes estados do país, manifestamos nossa preocupação com a flexibilização da atual legislação de controle de armas e munições em razão do decreto presidencial n. 9.785 (07 de maio de 2019) e solicitamos aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União que atuem tanto para sua imediata revogação como para o avanço de uma efetiva política responsável de armas e munição no país.

Sabemos que a violência e a insegurança afetam grande parte da população de nossos estados e que representam um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento humano e econômico do Brasil. Nesse contexto, a grande disponibilidade de armas de fogo e munições que são usadas de maneira ilícita representa um enorme desafio para a segurança pública do país e é preciso enfrentá-lo.

Por essa razão, é urgente a implementação de ações que melhorem a rastreabilidade das armas de fogo e munições durante toda a sua existência, desde sua produção. Também é fundamental aumentar os meios de controle e fiscalização para coibir os desvios, enfrentar o tráfico ilícito e evitar que as armas que nascem na legalidade caiam na ilegalidade e sejam utilizadas no crime. Reconhecemos que essas não são soluções mágicas, mas são condições necessárias para a melhoria de nossa segurança pública.

Diante deste cenário, e a partir das evidências disponíveis, julgamos que as medidas previstas pelo decreto não contribuirão para tornar nossos estados mais seguros. Ao contrário, tais medidas terão um impacto negativo na violência – aumentando por exemplo, a quantidade de armas e munições que poderão abastecer criminosos – e aumentarão os riscos de que discussões e brigas entre nossos cidadãos acabem em tragédias.

As soluções para reverter o cenário de violência e insegurança no país serão fortalecidas com a coordenação de esforços da União, Estados e Municípios para fortalecer políticas públicas baseadas em evidências e para implementar o Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, fortalecendo a prevenção focalizada nas populações e territórios mais afetados pela violência e a repressão qualificada da criminalidade.

Reforçamos nosso compromisso com o diálogo e com a melhoria da segurança pública do país. Juntos, podemos construir um Brasil seguro para as atuais e futuras gerações.

Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal

Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão

Wellington Dias (PT), governador do Piauí

Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco

Camilo Santana (PT), governador do Ceará

João Azevedo (PSB), governador da Paraíba

Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo

Rui Costa (PT), governador da Bahia

Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte

Renan Filho (MDB), governador de Alagoas

Belivaldo Chagas (PSD), governador de Sergipe

Waldez de Góes (PDT), governador do Amapá

Mauro Carlesse (PHS), governador do Tocantins

Helder Barbalho (MDB), governador do Pará

Palavra final é da Câmara ou da Justiça, disse Bolsonaro em 11 de maio

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Zero 3: Com mortadela pode! De graça ‘é errado’? http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/zero-3-com-mortadela-pode-de-graca-e-errado/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/zero-3-com-mortadela-pode-de-graca-e-errado/#respond Tue, 21 May 2019 15:42:27 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91263

Na contramão da deputada estadual paulista Janaína Paschoal, sua correligionária no PSL, o deputado federal Eduardo Bolsonaro utiliza a vitrine das redes sociais para defender e atiçar a manifestação pró-Planalto e anti-Congresso convocada para domingo (26). Enquanto Janaína questiona a “racionalidade” da iniciativa, o filho Zero Três do presidente insinua que os críticos não têm apreço pela democracia.

Nesta terça-feira, Eduardo Bolsonaro foi ao Twitter para afirmar que considera “curioso” que apenas manifestações da “esquerda”, com “mortadela para a massa” e desordem, sejam tratadas como “expressão da democracia”. Deixou uma pergunta no ar: Por que “quando um povo ordeiro quer fazer o mesmo, mas de graça e sem queimar nada, passam a dizer que isso é errado?”

No último domingo, Janaína Paschoal escrevera no Twitter: “Essas manifestações não têm racionalidade. O Presidente foi eleito para governar nas regras democráticas, nos termos da Constituição Federal. Propositalmente, ele está confundindo discussões democráticas com toma-lá-dá-cá.”

Janaína fustigara os parlamentares que, como o Zero Três, promovem o ato de domingo: “Não tem cabimento deputados eleitos legitimamente fugirem das dificuldades de convencer os colegas (ser parlamentar é dificil) e ficarem instigando o povo a gerar o caos”.

No mesmo domingo, Eduardo Bolsonaro despejara sobre o cristal líquido do computador mensagem em sentido oposto: “Nada mais democrático do que uma manifestação ordeira que cobra dos representantes a mesma postura de seus representados. Estaremos de olho para divulgar os resultados e a conduta dos parlamentares nas pautas que interessam ao Brasil: MP dos ministérios, Previdência e anti-crime.”

Para Janaína, a convocação da manifestação deixa as pessoas “apavoradas” ao disseminar a crença de que Bolsonaro “está correndo risco”. A coautora do pedido de impeachment que converteu Dilma Rousseff em cuidadora de netos vai ao ponto: “Mas quem o está colocando em risco é ele [Jair Bolsonaro], os filhos dele e alguns assessores que o cercam. Acordem! Dia 26, se as ruas estiverem vazias, Bolsonaro perceberá que terá que parar de fazer drama para trabalhar!”.

Janaína e outros filiados do PSL que se opõem à manifestação pregam no deserto. Os ouvidos dos Bolsonaro estão ligados nas vibrações que chegam do Estado americano da Virgínia não do Estado de São Paulo. Segundo o Zero Três, “vivemos numa guerra cultural.” Ele deu um conselho a quem não quer passar por “ignorante”: “Veja os vídeos e leia Olavo de Carvalho”.

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Paulo Guedes vira ministro de governo alternativo http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/paulo-guedes-vira-ministro-de-governo-alternativo/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/paulo-guedes-vira-ministro-de-governo-alternativo/#respond Tue, 21 May 2019 07:05:31 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91257

Há dois governos em Brasília, o oficial e o alternativo. Num, Jair Bolsonaro cuida da ofensiva contra “o grande problema” do Brasil, que “é a nossa classe política.” Noutro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, faz política. No país oficial, o presidente atiça uma manifestação de rua hostil ao Congresso. No Brasil paralelo, ao qual o capitão dispensa uma atenção apenas residual, o Posto Ipiranga pede ajuda aos congressistas para salvar do incêndio sua agenda reformista.

A movimentação errática de Bolsonaro dá ao governo oficial uma aparência de falta de rumo. O diálogo de Guedes com os caciques do Legislativo constitui um esforço para evitar que o rumo do país seja uma crise eterna. Bolsonaro não gosta de Rodrigo Maia, mas o pragmatismo de Guedes gosta. E Maia atrai no Legislativo os votos que Bolsonaro afugenta.

Quanto mais o presidente chuta o centrão, mais o grupo valoriza o ministro da Economia. “Se Paulo Guedes e a equipe dele saem, desaba tudo, acaba o país”, diz o líder do DEM na Câmara, deputado Elmar Nascimento. “Hoje, há até uma espécie de blindagem da classe política em relação a ele.”

Bolsonaro carrega para dentro da agenda do país oficial os rancores que acumulou nos 28 anos que frequentou o baixo clero da Câmara. Quanto a Guedes, as únicas contas que tem para ajustar são as contas públicas do Brasil paralelo. Por isso, o ministro carrega o piano da reforma da Previdência.

Com mais de 13 milhões de desempregados e a economia andando para trás, Paulo Guedes tenta salvar 2020 do fiasco. Já se deu conta de que não conseguirá livrar 2019 de um desempenho econômico medíocre. E encontra solidariedade crescente no Legislativo.

Ao farejar a intenção de Bolsonaro de terceirizar aos congressistas a culpa pelo imobilismo do governo, a cúpula do Legislativo decidiu se mexer. Aperta o passo na reforma da Previdência. E põe para andar uma versão própria de reforma tributária. Suprema ironia: ao travar o Brasil oficial com sua inépcia, o presidente faz andar a agenda que interessa a Guedes e ao Brasil alternativo.

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Boneco de Engonço! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/boneco-de-engonco/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/boneco-de-engonco/#respond Tue, 21 May 2019 04:58:47 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91254

– Charge do João Montanaro, via Folha.

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E se uma bala perdida do capitão atingir Guedes? http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/20/e-se-uma-bala-perdida-do-capitao-atingir-guedes/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/20/e-se-uma-bala-perdida-do-capitao-atingir-guedes/#respond Mon, 20 May 2019 22:57:06 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91249

Jair Bolsonaro já declarou que só dorme tranquilo se tiver uma arma na mesinha de cabeceira. No Palácio da Alvorada, guarnecido por seguranças, o capitão ainda não precisou utilizar a arma. Mas transformou sua Presidência num imenso tiroteio. Seu principal alvo é o Congresso Nacional. No final de semana, Bolsonaro distribuiu texto que apresenta o Brasil como um país “ingovernável” graças à resistência de corporações e políticos patrimonialistas. Atiçou seus seguidores nas redes sociais, estimulando-os a participar de manifestação anti-Congresso marcada para o dia 26.

A semana mal começou e Bolsonaro já produziu novos disparos: “O Brasil é um país maravilhoso, que tem tudo para dar certo”, disse ele em discurso para empresários, no Rio. “Mas o grande problema é a nossa classe política.” Bolsonaro sabe o que diz. Passou 28 anos na Câmara sem produzir nada de positivo. Agora, não se deu conta de que seus eleitores não votaram nele para passar quatro anos criticando os políticos.

Bolsonaro chegou ao Planalto cavalgando a esperança de uma administração eticamente sustentável e economicamente próspera. A ética foi para o beleléu depois que o próprio pesidente encostou no seu governo o escândalo que assedia o filho Flávio Bolsonaro. A volta da prosperidade é postergada pela demora na aprovação de reformas econômicas no Congresso.

Contra esse pano de fundo entrecortado pelos tiros que Bolsonaro dispara, uma pergunta passou a inquietar o pedaço militar do governo e alguns dirigentes partidários: E se uma bala perdida atingir o ministro Paulo Guedes? Disseminam-se pelos bastidores de Brasília dois consensos: 1) se o ministro da Economia for abatido, o custo da crise será maior. 2) o brasileiro pobre, sobretudo o desempregado, pagará a maior parte do prejuízo. Militares e o pedaço responsável da política trabalham para “blindar” Paulo Guedes.

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Janaína diz em voz alta o que militares sussurram http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/20/janaina-diz-em-voz-alta-o-que-militares-sussurram/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/05/20/janaina-diz-em-voz-alta-o-que-militares-sussurram/#respond Mon, 20 May 2019 22:35:32 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=91246

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) e a ala militar do governo de Jair Bolsonaro passaram a cultivar os mesmos receios. Ela e eles espantam-se com a escalada dos ataques do presidente contra o Congresso. Receiam que as incursões do capitão pelas redes sociais e a manifestação de rua convocada para o próximo dia 26 resultem num agravamento da crise. E começam a questionar a capacidade de Bolsonaro de superar os problemas que rondam a sua Presidência.

Há duas diferenças entre Janaína e os militares. Ela diz em voz alta o que eles apenas sussurram entre quatro paredes. Ela já caminha em direção à saída de emergência. Eles avaliam que seria uma irresponsabilidade sair de cena em meio ao processo de autocombustão do presidente. Enquanto Janaína coloca um pé fora do PSL e questiona a sanidade de Bolsonaro, os militares manuseiam o extintor.

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