Blog do Josias de Souza http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Sat, 23 Feb 2019 03:46:17 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Futuro do Pretérito! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/23/futuro-do-preterito-7/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/23/futuro-do-preterito-7/#respond Sat, 23 Feb 2019 03:46:17 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88238

– Via Benett.

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Pior tipo de solidão para Bolsonaro é a companhia dos filhos com mandato http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/pior-tipo-de-solidao-para-bolsonaro-e-a-companhia-dos-filhos-com-mandato/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/pior-tipo-de-solidao-para-bolsonaro-e-a-companhia-dos-filhos-com-mandato/#respond Fri, 22 Feb 2019 23:14:41 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88233

A banda fardada do governo tem uma grande e genuína preocupação com a filhocracia que se estabeleceu sob a Presidência de Jair Bolsonaro. O vice-presidente Hamilton Mourão tem sido o principal porta-voz dos receios dos militares. Na semana passada, o general Mourão disse que, na hora certa, Bolsonaro “vai botar ordem na rapaziada dele.” Indagado novamente sobre o tema, Mourão agora diz que os filhos é que terão de providenciar uma autocontenção: “Eles vão entender o tamanho da cadeira de cada um. E vão se limitar a ela”, disse Mourão. Será?

Eduardo Bolsonaro, acomodado numa cadeira de deputado federal, ainda não se deu por achado. Numa postagem no Twitter, ele escreveu que seu pai, a despeito de uma hipotética tentativa da mídia de derrubá-lo, saiu “mais forte” da crise que resultou na demissão do ministro palaciano Gustavo Bebianno. Acrescentou que “a moral” do pivô da discórdia, o irmão Carlos Bolsonaro, sentado numa cadeira de vereador no Rio, “está absurdamente alta!” O que Eduardo Bolsonaro declara, com outras palavras, é mais ou menos o seguinte: “Aprontamos porque papai permite. Quem não entender isso, será humilhado e retirado do caminho.”

Por qualquer ângulo que se examine, a autocrise que eletrocutou um ministro com 49 dias de governo foi uma grande Operação Tabajara que enfraqueceu o presidente. Os áudios vazados mostraram um Bolsonaro. O vídeo gravado depois da demissão por exigência de Gustavo Bebianno exibiu um Bolsonaro obrigado a mimar o demitido como se temesse a revelação de algum segredo. Nesse contexto, a manifestação de Eduardo Bolsonaro serve apenas para demonstrar que, na filhocracia, é errando que se aprende… A errar.

A manifestação do filho-deputado chega num instante em que a situação processual do irmão Flávio Bolsonaro se deteriora. Sentado numa cadeira de senador, o primogênito do presidente expõe os seus pés de barro numa investigação da época em que era deputado estadual. O general Mourão, quem diria, consolida-se como espécie de porta-voz do bom-senso no Planalto. Se o pai não botar “ordem na rapaziada” ou se os rapazes não entenderem que a cadeira de presidente merece respeito, Jair Bolsonaro logo perceberá que, na Presidência, o pior tipo de solidão é a companhia dos filhos com mandato.

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Mourão: ‘Maduro não é louco’ de atacar o Brasil http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/mourao-maduro-nao-e-louco-de-atacar-o-brasil/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/mourao-maduro-nao-e-louco-de-atacar-o-brasil/#respond Fri, 22 Feb 2019 22:06:14 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88231

– Leia aqui noticia com a transcrição da entrevista do vice-presidente Hamilton Mourão à BBC Brasil.

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Medo retarda projeto da Previdência dos militares http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/medo-retarda-projeto-da-previdencia-dos-militares/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/medo-retarda-projeto-da-previdencia-dos-militares/#respond Fri, 22 Feb 2019 20:07:33 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88226

Para um governo que é presidido por um capitão do Exército e tem oito generais no ministério, enviar a reforma da Previdência sem tratar da aposentadoria dos militares foi um erro primário. Alegou-se que o projeto passa por ajustes e será enviado em um mês. Meia-verdade. Deve-se a protelação sobretudo ao medo dos militares de que sua proposta seja votada em primeiro lugar, sem nenhuma garantia de aprovação do resto da reforma. Informado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, oferece ao governo uma vacina capaz de tranquilizar os militares.

O pavor da banda fardada do funcionalismo não é gratuito, pois as mudanças nas regras da aposentadoria dos militares constarão de um projeto de lei, enquanto que o resto da reforma foi acomodado numa proposta de emenda à Constituição. O projeto pode ser aprovado por maioria simples, numa sessão com a presença de no mínimo 257 deputados. A emenda à Constituição exige pelo menos 308 votos, em dois turnos de votação.

Criou-se um impasse: os militares condicionam o envio do seu projeto ao avanço da tramitação da emenda constitucional. E os deputados ameaçam travar a emenda enquanto a projeto não chegar. Num esforço para dissolver o impasse, apurou o blog, Rodrigo Maia oferece ao governo um antídoto contra o medo. Assume o compromisso de só colocar o projeto dos militares em votação depois que for aprovada a emenda constitucional.

Como presidente da Câmara, Maia tem o poder de elaborar a pauta de votações do plenário. Munido da oferta do deputado, o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) tenta tranquilizar os militares, abreviando o envio do projeto.

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Irmã de milicianos assinava cheques da campanha do senador Flávio Bolsonaro http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/irma-de-milicianos-assinava-cheques-da-campanha-do-senador-flavio-bolsonaro/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/irma-de-milicianos-assinava-cheques-da-campanha-do-senador-flavio-bolsonaro/#respond Fri, 22 Feb 2019 17:51:31 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88216

Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro, confiou as contas de sua campanha para o Senado, em 2018, a uma irmã de milicianos. Chama-se Valdenice Oliveira Meliga. Era funcionária do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio. Detinha procuração para assinar cheques da campanha do primogênito do presidente. Seus irmãos, Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, foram presos em agosto do ano passado numa operação batizada de Quarto Elemento, conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Deve-se  a revelação à revista IstoÉ. Em notícia veiculada nesta sexta-feira, a revista traz cópias de dois cheques assinados por Valdenice em nome da campanha de Flávio. Um deles é de R$ 3,5 mil. O outro, de R$ 5 mil. Embora estivesse na folha da Assembléia Legislativa, Valdenice é dona de uma produtora, a Me Liga Produções e Eventos. Em documento enviado à Justiça Eleitoral, Flávio Bolsonaro credenciou a personagem para gerir os gastos de sua campanha. Em 2017, Flávio postou no Instagram uma foto na qual ele e o pai Jair Bolsonaro fazem pose ao lado dos irmãos Valdenice, Alan e Alex.

É a segunda vez que o gabinete do ex-deputado estadual é associado a pessoas que mantêm vínculo familiar com criminosos. No mês passado, descobriu-se que Flávio Bolsonaro empregara no gabinete da Assembléia fluminense, até novembro do ano passado, a mãe e a mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público do Rio como o chefe do chamado Escritório do Crime, uma organização de milicianos. Flávio homenageara na Assembleia Adriano e outros acusados de integrar milícias. Mas atribuiu as contratações ao PM aposentado e ex-assesor Fabrício Queiroz.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, Flávio Bolsonaro escreveu: ” Val Meliga é tesoureira geral do PSL. Tinha como determinação legal a obrigação de assinar cheques do partido em conjunto e jamais em nome do atual senador. Os supostos irmãos milicianos apontados pela revista são policiais militares.” O filho do presidente preside o diretório do PSL no Rio de Janeiro.

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Sob Bolsonaro, fisiologismo vira ‘bolsa de talentos’ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/sob-bolsonaro-fisiologismo-vira-bolsa-de-talentos/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/sob-bolsonaro-fisiologismo-vira-bolsa-de-talentos/#respond Fri, 22 Feb 2019 08:40:42 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88204

Dizer que o centrão está irritado com o governo não traduz adequadamente o que está acontecendo em Brasília. O centrão não fica com raiva, fica com tudo. Ocorre que Jair Bolsonaro declarou que extinguiria o toma-lá-dá-cá e governaria com as frentes parlamentares temáticas. Disse isso porque o calor de urnas recém-abertas confere ao eleito uma aparência de super-homem. Ao descer das nuvens da consagração para o chão escorregadio do dia-a-dia administrativo, o eleito percebe que presidente indignado com o fisiologismo é como comandante de navio revoltado com o mar. Eis o que está sucedendo em Brasília: para conseguir navegar, o capitão negocia com os líderes partidários os termos de sua rendição.

Conforme já noticiado aqui, o presidente sinalizou a disposição de reativar o balcão. O eleitor de Bolsonaro, com fome de assepsia, espera que seu líder fixe novos padrões morais. Mas está entendido que, no Brasil, não importa se o presidente é de esquerda ou de direita. Para que seus projetos avancem no Congresso, ele terá de singrar as águas turvas dominadas pelo centrão e seus assemelhados. Dando-se de barato que o pedágio é inevitável, Bolsonaro poderia inovar na transparência. Bastaria acender a luz do ambiente, deixando à mostra tudo o que os partidos desejam tomar e o que o governo se dispõe a dar. O diabo é que Bolsonaro parece preferir a trilha da empulhação.

Após abrir a temporada de indicações partidárias para cargos do segundo e do terceiro escalão, o Planalto passou a trombetear a decisão de criar um “banco de talentos”. Isso é marquetagem, não solução. Argumenta-se que os ministros darão a última palavra. A regra não chega a entusiasmar, pois um terço da equipe ministerial de Bolsonaro carrega algum tipo de suspeição em inquéritos, denúncias, ações penais e até uma sentença condenatória. Alega-se que apenas as indicações técnicas serão aceitas. Bobagem. Na máquina estatal, não basta ser técnico. É preciso saber se as habilidades técnicas estão a serviço do interesse público ou dos interesses privados do padrinho político.

A propósito, recomendasse a Bolsonaro que chame Sergio Moro para uma conversa. O capitão deve pedir ao seu ministro da Justiça que faça um relato sobre o primeiro depoimento do delator Paulo Roberto Costa num processo da Lava Jato. Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulinho, como Lula o chamava, foi inquirido pelo então titular da 13ª Vara Federal de Curitiba em outubro de 2014. Funcionário de carreira da Petrobras, o réu chegou à diretoria por indicação do PP, um dos partidos que agora exigem que Bolsonaro encoste o estômago no balcão.

Antes de dar por encerrado o interrogatório, Sergio Moro perguntou se Paulinho gostaria de “dizer alguma coisa”. E ele: “Queria dizer só uma coisa, Excelência. Eu trabalhei na Petrobras 35 anos. Vinte e sete anos do meu trabalho foram trabalhos técnicos, gerenciais. E eu não tive nenhuma mácula nesses 27 anos. Se houve erro —e houve, não é?— foi a partir da entrada minha na diretoria por envolvimento com grupos políticos, que usam a oração de São Francisco, que é dando que se recebe. Eles dizem muito isso. Então, esse envolvimento político que tem, que tinha em todas as diretorias da Petrobras, é uma mácula dentro da companhia…”

Ou seja: em meio a muitas dúvidas sobre o modo como Bolsonaro pretende gerenciar o balcão, só uma coisa é certa: se o governo recebe a indicação de centenas de larápios vinculados aos partidos fisiológicos com representação no Congresso, eles acabarão assumindo poltronas nas cercanias dos cofres públicos. Embora inscritos no banco de talentos do novo governo, continuarão sendo larápios.

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Precoce! http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/precoce/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/precoce/#respond Fri, 22 Feb 2019 04:02:17 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88200

– Via Claudio Paiva.

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Bolsonaro lida com a ética em duas velocidades http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/21/bolsonaro-lida-com-a-etica-em-duas-velocidades/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/21/bolsonaro-lida-com-a-etica-em-duas-velocidades/#respond Thu, 21 Feb 2019 23:53:32 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88198

O ex-ministro palaciano Gustavo Bebianno e o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio estão encrencados no mesmo escândalo do laranjal do PSL. Ao demitir Bebianno sem conseguir explicar as razões, Jair Bolsonaro revelou-se intelectualmente lento. Ao manter Marcelo Antônio no cargo sem que ele ofereça boas explicações, o presidente revela-se eticamente ligeiro.

As duas velocidades de Bolsonaro são insultuosas. A lentidão intelectual afeta a própria autoridade do presidente, pois prevalece a versão segundo a qual Bebianno foi demitido pelo filho-pitbull Carlos Bolsonaro. A ligeireza moral transforma em suco o discurso ético do presidente, que prometera honrar os eleitores que lhe deram votos no pressuposto de que ele saciaria a fome de limpeza que está no ar.

Descobre-se agora que o ministro do Turismo recorreu ao Supremo Tribunal Federal para trancar a investigação aberta contra ele pelo Ministério Público de Minas Gerais, transferindo-a para Brasília. Difícil saber o que é mais constrangedor, se a chuva de laranjas que cai sobre a cabeça do ministro ou a tentativa de se refugiar embaixo da marquise do foro privilegiado.

Se quisesse ser levado a sério, Bolsonaro demitiria o ministro do Turismo. Impossível tolerar um auxiliar que se diz inocente e foge da investigação que poderia livrá-lo da suspeição. Mas Bolsonaro está de mãos atadas. Seu ministro não fez senão repetir os passos do filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro, que também tentou trancar no Supremo a investigação estadual sobre os achados do Coaf e o laranjal do ex-faz-tudo Fabrício Queiroz.

A esse ponto chegamos: ao manter o ministro do Turismo no cargo, Bolsonaro flerta com o escárnio. Se mandar o ministro para o olho da rua por ter imitado seu filho, o capitão se transformará no caso raro de uma piada que ocupa a Presidência da República.

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Caixa dois de Onyx vai para o Estado, mas constrangimento fica em Brasília http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/21/caixa-dois-de-onyx-vai-para-o-estado-mas-constrangimento-fica-em-brasilia/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/21/caixa-dois-de-onyx-vai-para-o-estado-mas-constrangimento-fica-em-brasilia/#respond Thu, 21 Feb 2019 22:12:53 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88193

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, enviou para a Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul a investigação preliminar aberta contra o ministro Onyx Lorenzoni. Apura-se se o chefe da Casa Civil cometeu o crime de caixa dois.

Onyx não é um debutante na matéria. Em 2017, ele admitira ter recebido R$ 100 mil por baixo da mesa, na campanha de 2014. Pediu desculpas. E seguiu em frente. No ano passado, delatores da JBS devolveram o ministro ao córner.

O ministro beliscou outros R$ 100 mil no caixa dois, disseram os delatores à Procuradoria-Geral da República. Dessa vez, o ministro não admitiu o malfeito. Foi essa apuração que Marco Aurélio remeteu para o braço gaúcho da Justiça Eleitoral.

A investigação desceu para o Estado de Onyx, mas o constrangimento permanece em Brasília. Único sobrevivente civil na equipe ministerial do Planalto, Onyx responde pela coordenação política do governo.

Nessa condição, suprema ironia, o ministro precisa zelar pela aprovação dos projetos que interessam ao governo no Congresso. Entre eles a proposta do colega Sergio Moro (Justiça) sobre a criminalização do caixa dois. Quer dizer: Agora vai!

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Quando Maduro morde, deixa mal alguém no Brasil http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/21/quando-maduro-morde-deixa-mal-alguem-no-brasil/ http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/02/21/quando-maduro-morde-deixa-mal-alguem-no-brasil/#respond Thu, 21 Feb 2019 19:29:52 +0000 http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?p=88186 Cada vez que Nicolás Maduro dá uma de cachorro louco constrange alguém no Brasil. Quando a Venezuela fecha suas fronteiras para evitar a entrada de ajuda humanitária, o PT precisa explicar por que é amigo do ditador. E o governo Bolsonaro fica devendo uma justificativa qualquer para o fato de ter empurrado o Brasil para a incômoda posição do gigante regional que abdicou de sua relevância para se tornar um asterisco diplomático a reboque dos Estados Unidos.

Ironicamente, Maduro macaqueia um comportamento comum entre os presidentes americanos. O sucessor de Hugo Chávez guia-se pela máxima segundo a qual a melhor maneira que um presidente tem de unir a nação em seu apoio é declarar guerra a outro país. Nada funciona melhor para resolver as divisões internas dos Estados Unidos do que o ataque a um inimigo externo. A fórmula não serve, porém, para a Venezuela de Maduro.

Sem condições financeiras e técnicas de ordenar bombardeios contra Washington ou Brasília, o ditador dedica-se a assassinar o seu próprio povo. Faz isso ao impedir a entrada de comida e remédios que salvariam a vida de venezuelanos em situação de desespero. Inibe, de quebra, a fuga dos desesperados para países vizinhos como o Brasil e, sobretudo, a Colômbia.

No caso do PT, o mais constrangedor não é a ausência de um pedido de desculpas da presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, por ter prestigiado a posse do cachorro doido. Mais embaraçoso do que o silêncio de Gleisi é a ausência de barulho dos seus companheiros. Ao calar, o petismo transforma a aliança de sua presidente com o doido num processo de desmoralização do partido.

No caso do governo Bolsonaro, o que mais incomoda não é a estridência, mas a ineficiência de suas posições contra Maduro. O mal de as pessoas entrarem numa briga latindo no mesmo tom do cachorro louco é o pessoal que observa de longe não distinguir quem é quem. Por sorte, Bolsonaro prepara uma visita aos Estados Unidos. Decerto voltará com boas orientações de Donald Trump, uma sensata criatura.

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