Blog do Josias de Souza

Levy no BNDES injeta ironia na gestão Bolsonaro
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Josias de Souza

A escolha de Joaquim Levy para ocupar a presidência do poderoso BNDES é o cúmulo da ironia. Ministro da Fazenda no governo Dilma Roiusseff, Levy pediu demissão porque foi impedido de colocar em pé uma política de austeridade fiscal. Com sua saída, acentuaram-se os problemas que, junto com a corrupção, fizeram ferver o caldeirão do impeachment: gastos públicos desmedidos, negligência com o controle da inflação e malabarismos contábeis.

Apoiadores de Bolsonaro torceram o nariz para a escolha de Joaquim Levy. Alegaram que não faria sentido convidar um ex-ministro de Dilma para integrar o governo do capitão. Tolice. Pode-se detestar Levy. Mas é preciso encontrar outra razão. Sob Dilma, o personagem foi um ministro ornamental, figurativo. Sua principal serventia era a de saco de pancadas do Planalto e do PT.

Levy volta à cena como frentista do Posto Ipiranga Paulo Guedes no BNDES, sob a presidência de Jair Bolsonaro. Logo Bolsonaro, personagem que foi catapultado do baixo clero da Câmara para o Planalto pela maior força política da temporada eleitoral de 2018: o antipetismo.

A ironia só não será completa porque o eleitor de Minas Gerais sonegou um mandato de senadora para Dilma Rousseff. Seria divertido assistir à ex-presidente inquirindo numa comissão qualquer do Congresso o novo comandante do BNDES, o ex-auxiliar que ela não permitiu que retirasse seu governo do atoleiro fiscal.


Lula acreditava que seria libertado após eleição
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Josias de Souza

Lula imaginou que ganharia a liberdade depois da eleição. Foi o que disse ao teólogo e filósofo Leonardo Boff, que o visitou na cadeia nesta segunda-feira. Acha que continua preso porque virou “um troféu para sustentar as mentiras” da Lava Jato.

Tudo mudou no Brasil, menos a retórica de Lula. Segundo Boff, o presidiário petista continua “desafiando” Sergio Moro a apresentar uma prova capaz de incriminá-lo no caso do tríplex.

Em suas últimas entrevistas, Moro tachou a tese da perseguição política de “álibi falso” do petismo. Disse que Lula está preso porque “cometeu crime”. Sua sentença sobre o tríplex foi confirmada e ampliada pelo TRF-4.

Enquanto Lula vira a página do seu drama penal para trás, Moro prepara sua mudança da Lava Jato para a Esplanada dos Ministérios. Deixou o “troféu” aos cuidados da jovem juíza substituta da 13ª Vara de Curitiba, Gabriela Hardt, 44 anos.

A doutora deve interrogar Lula nesta quarta-feira (14). Manuseia agora o processo sobre o sítio de Atibaia. Embora as evidências sejam mais caudalosas do que as que resultaram na primeira condenação, Lula repetiu para Boff que não tem nada a ver com o sítio.

De resto, o líder máximo do PT disse ao visitante que os partidos, entre eles o seu, estão diante de um desafio: reformular a maneira de fazer política, ajustando-se à era das redes sociais.

Lula declarou-se “indignado” com a quantidade notícias falsas difundidas durante a campanha. Citou também, segundo Boff, a “máquina montada pelas igrejas” para influir na eleição.

Noutros tempos, quando o PT prevalecia na internet e seus rivais o acusavam de espalhar a falsa notícia sobre o fim do Bolsa Família, Lula dava de ombros. Na época em que Edir Macedo encostava sua igreja Universal nos governos do PT, Lula também não via problemas.

Hoje, Lula avalia que a onda que inunda as redes sociais de notícias falsas e a politização das igrejas pró-Bolsonaro “comprometem a própria democracia.”


Alckmin planeja congresso sobre rumo do PSDB
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Josias de Souza

Presidente do PSDB federal, Geraldo Alckmin informou a cardeais tucanos que pretende realizar um congresso para redefinir o rumo do partido. Sua ideia é marcar o encontro para fevereiro, antes das convenções que elegerão novos dirigentes da legenda em âmbito municipal (março), estadual (abril) e federal (maio). Com esse movimento, Alckmin bloqueia articulações para retirá-lo do comando do PSDB antes de maio, quanto termina o seu mandato.

A movimentação de Alckmin coincide com a ascensão de João Doria. Vitaminado pela conquista do governo de São Paulo, Doria consolidou a aproximação com Jair Bolsonaro, que iniciara durante a campanha. Assumiu a defesa do reposicionamento ideológico do PSDB, com a adoção de um ideário mais liberal do que social-democrata. Intensificou, de resto, a cobrança por renovação da direção da legenda. De afilhado político, Doria passou à condição de pedra no sapato de Alckmin, um padrinho que saiu das urnas presidenciais com humilhantes 4,7% dos votos.

Doria prevaleceu em São Paulo contra a vontade de fundadores do PSDB, à frente Fernando Henrique Cardoso. Entre o primeiro e o segundo turno, foi chamado de “traidor” por Alckmin numa reunião da Executiva do partido. Num instante em que tucanos como o senador Tasso Jereissati já flertavam com a ideia de deixar o ninho, Doria procurou Alckmin na semana passada. Almoçaram juntos. O gesto foi entendido como tentativa de composição com a chamada velha guarda, que colocou as plumas de molho.


Sergio Moro vai virando um Posto Ipiranga do B
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Josias de Souza

Já se sabia que Paulo Guedes será, sob Jair Bolsonaro, o Posto Ipiranga da Esplanada dos Ministérios, mentor de todas as soluções na área econômica. Tomado pelo conteúdo de suas entrevistas, Sergio Moro parece ambicionar a condição de Posto Ipiranga do B, dono das respostas ético-jurídicas do futuro governo.

Na sua entrevista mais recente, Moro disse que atuará como conselheiro de Bolsonaro quando estiver em jogo a idoneidade de outros ministros. Denunciados por corrupção devem ser demitidos? “Se a denúncia for consistente, sim”, declarou o futuro ministro da Justiça ao programa Fantástico.

Moro prosseguiu: “Eu defendo que, em caso de corrupção, se analise as provas e se faça um juízo de consistência, porque também existem acusações infundadas, pessoas têm direito de defesa. Mas é possível analisar desde logo a robustez das provas e emitir um juízo de valor. Não é preciso esperar as cortes de Justiça proferirem o julgamento.”

“Eu não assumiria um papel de ministro da Justiça com o risco de comprometer a minha biografia, o meu histórico”, afirmou Moro, ao reiterar que obteve de Bolsonaro o compromisso de que o novo governo não oferecerá escudo a suspeitos de corrupção. Cinco dias antes, em entrevista coletiva, Moro dissera que sua presença no governo dissiparia até os receios de retrocesso democrático.

''Eu não vejo em nenhum momento um risco à democracia e ao Estado de direito'', dissera Moro. “No entanto, (…) existem alguns receios a meu ver infundados. E a minha presença no governo também pode ter um efeito salutar de afastar esses receios infundados, porque, afinal de contas, sou um juiz, sou um homem de lei. Então, eu jamais admitiria qualquer solução que fosse fora da lei, como também o presidente eleito.”

Antes de renunciar aos seus 22 anos de magistratura, Moro usufrui de férias. Foi a forma que encontrou para manter os vencimentos enquanto se prepara para assumir as novas atribuições, em janeiro. Seria recomendável que o quase ex-juiz incluísse entre suas prioridades a leitura do ''Testamento Político'' do cardeal Richelieu. A obra é rara, difícil de encontrar. Mas vale o esforço.

Mal comparando, Armand-Jean du Plessis, o Richelieu (1585-1642), foi um Posto Ipiranga hipertrofiado do rei Luís 13 da França. Era o conselheiro número um. Faltando-lhe tempo para a íntegra, Moro pode começar a leitura do “testamento” pela “seção 6″. Ali, Richelieu anota que todo soberano deve eleger entre os seus conselheiros aqueles que tenham ''autoridade superior'' sobre os demais.

O autor esclarece: ''É fácil de representar as qualidades que deve ter esse principal ministro; é difícil de as achar todas num mesmo homem […]. A felicidade ou a desgraça dos Estados depende da escolha que se fizer.'' Intuitivamente, Bolsonaro encosta suas deficiências não em um, mas em dois postos Ipiranga.

Na ''seção 7'', Richelieu trata das inevitáveis ''conspirações'' a que está sujeito o ministro predileto. ''Imita-se nisto a pedra jogada do alto de uma montanha. Seu primeiro movimento é lento, e quanto mais ela desce, mais peso toma, redobrando a velocidade da queda […]. É muito difícil parar uma conspiração que, não tendo sido contida no nascedouro, já esteja muito crescida.'' Como juiz, Moro mandava nos autos. Ministro, descobrirá que são traiçoeiros os baixios de um governo.

Chegando ao quarto capítulo do ''Testamento'' de Richelieu, Moro lerá que o conselheiro-mor do soberano precisa ''dormir como um leão, sem fechar os olhos […], para prever os menores inconvenientes que podem advir''. Naquilo que diz respeito ''à conduta dos homens'', é preciso ''abrir duplamente os olhos''.

Avançando até o capítulo sétimo, Moro perceberá que, num ponto, o pensamento de Richelieu coincide com o seu: ''Se a máscara com que a maior parte dos homens cobre o rosto […] faz-nos desconhecidos a tal ponto que, sendo postos nos grandes cargos parecem tão maliciosos quanto aí esperava-se que fossem virtuosos […], é preciso prontamente reparar o engano''.

Ironicamente, coube a Paulo Guedes fazer a primeira sondagem sobre a disposição de Sergio Moro de trocar a Lava Jato pela pasta da Justiça. O contato ocorreu pouco antes do segundo turno, em 23 de outubro. No dia seguinte, por uma dessas trapaças do destino, procuradores do Ministério Público Federal em Brasília abriram investigação contra Guedes.

Apura-se a suspeita de que o guru econômico de Bolsonaro tenha obtido “benefícios econômicos” a partir de ''crimes de gestão temerária ou fraudulenta'' de investimentos com recursos de fundos de pensão de estatais. Guedes nega os malfeitos. Deveria ter prestado depoimento no último dia 6 de novembro. Mas a coisa foi adiada.

Supondo-se que Moro vai a Brasília com a disposição de ''dormir como um leão, sem fechar os olhos”, é presumível que inclua no seu radar o inconveniente de uma hipotética denúncia formal da Procuradoria contra Guedes. Deve torcer pelo arquivamento. Do contrário, a gestão Bolsonaro viveria dias surreais. O capitão teria de buscar no Posto Ipiranga ético-jurídico conselhos sobre a conveniência de manter ou demitir o Posto Ipiranga econômico.

Em momentos assim, ensinou Richelieu na ''seção 2'' do ''Testamento'', o conselheiro do soberano talvez descubra o seguinte: ''Nada há mais perigoso num Estado do que pôr em grande autoridade certos espíritos que não têm luzes suficientes para se conduzirem por si mesmos e pensam, entretanto, ter demais para necessitarem de conselho alheio''.


Rocha Loures tenta provar que é um débil mental
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Josias de Souza

Um ano e meio depois de ter sido filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com propina de R$ 500 mil da J&F, Rodrigo Rocha Loures, ex-deputado e ex-assessor de Michel Temer, prestou depoimento na Justiça Federal pela primeira vez. Adotou uma linha de defesa sui generis. Para refutar a acusação que o mantém em prisão domiciliar, o personagem se esforçou para provar que é apenas um débil mental, não um corrupto.

Foi como se Rocha Loures tentasse se livrar de suas culpas ateando fogo às próprias vestes —sempre tendo o cuidado de se despir de sua autoestima antes de riscar o fósforo. Reconheceu tudo o que era inegável: a missão recebida de Temer para que ouvisse “as demandas” da J&F, holding da JBS; as conversas com o sócio do grupo, Joesley Batista; a mala recebida do executivo Ricardo Saud; a intermediação do célebre encontro de Joesley com Temer no Jaburu… Tudo.

O problema é que Rocha Loures, dotado de uma doce e insuspeitada ingenuidade, insinuou durante o depoimento que não foi capaz de enxergar o óbvio. Para tomar o depoimento como verdadeiro é preciso aceitar a premissa de que o ex-assessor de Temer esbarrou no óbvio várias vezes, tropeçou no óbvio, mas demorou uma eternidade para perceber que o óbvio era o óbvio. Quando notou, entrou em pânico.

Nessa versão, o óbvio escapou de Rocha Loures numa conversa que manteve com Joesley Batista: “Ele me diz, atrapalhadamente, ele pega e fala assim: ‘Se você resolver esse assunto pra mim, tem lá 5% disso, 5% daquilo’. (…) Eu não entendi que foi uma oferta de propina, eu não entendi que ele estava oferecendo a mim esses valores e eu não iria fazer nada por ele, como não fiz.”

Ricardo Saud também falaria sobre propina com Rocha Loures. Mas o óbvio lhe fugiu novamente. E não era um óbvio qualquer. Tratava-se de um óbvio robusto, pois há nos autos um grampo captado pela PF no qual Saud avisa: “Você, por ter nos ajudado, já tem quinhentos mil guardadinho. Tá guardado comigo em casa. E eu não quero ficar.” O homem da mala, monossilábico, balbucia no grampo: “Tá.”

O depoimento de Rocha Loures ocorreu há quatro dias, na última quarta-feira. Ele falou ao juiz federal Jaime Travassos, da 15ª Vara Federal de Brasília. O repórter Aguirre Talento obteve o vídeo. Exibiu o conteúdo em reportagem veiculada no site do Globo, neste sábado (11). De acordo com a versão do próprio réu, “a ficha caiu” apenas num encontro que teve com Ricardo Saud em 28 de abril do ano passado. Foi nesse dia que entrou em cena a mala com os R$ 500 mil.

Com a ficha já bem arriada, operou-se uma revolução na personalidade de Rocha Loures. Um sujeito que os grampos e as filmagens indicavam ser capaz de tudo apresentou-se perante o juiz como um pobre diabo incapaz de todo. Encontrou-se com Ricardo Saud primeiro num shopping. Informado sobre a mala de dinheiro, marcou um segundo encontro na noite do mesmo dia, dessa vez numa pizzaria.

Em timbre lacrimoso, Rocha Loures disse ao magistrado que o inquiriu que foi à pizzaria para colocar um ponto final naquela tratativa ilícita. Entretanto, por alguma razão que não soube explicar, teve um surto. Fora de si, mostrou o que tem por dentro. Em vez de agredir o seu benfeitor, como diz ter cogitado, saiu correndo com a mala, em ''pânico''.

Rocha Loures contou que, ao chegar à pizzaria, não viu seu interlocutor. Quando saía, ouviu um grito vindo do estacionamento: “Rodrigo, Rodrigo…” Era Ricardo Saud. “Eu vou até ele, aí ele pega, com esta mala na mão, diz assim: ‘Olha a sua mala, pega que você vai perder o avião, corre que você vai perder o avião’,” contou o réu ao juiz, num relato entrecortado por choramingos.

“Naquele momento, Excelência… Eu entrei em pânico, no meio da rua, e saí correndo. As imagens, eu não sabia o que fazer. E eu fugi. Eu corri. Eu não consegui, eventualmente, agredi-lo, se fosse o caso. E me desfazer dessa situação ali, naquele momento, até pra que ficasse gravado. E o meu inferno começou. Eu pego essa mala, deixo na casa dos meus pais, aonde eu tenho lá um quarto de hóspedes, coloco dentro do armário e eu não sei o que fazer.”

Submetido a uma versão tão, digamos, incrível, o juiz Jaime Travassos fez uma interrogação com um quê de exclamação: “Quero saber o que justificou a um deputado federal com uma ampla história profissional e pessoal a se seduzir por esses convites, e chegar a se reunir com pessoas que o senhor afirma que não tinha empatia pessoal, quatro dias após um primeiro encontro, que já lhe sugeriu algo que  não encaixava as peças do quebra-cabeça.”

Rocha Loures declarou: “Então, eu vou lhe responder. O presidente (Temer) havia pedido para eu ouvir as demandas do grupo (J&F). O presidente não pediu pra eu resolver, nem fazer ilícitos com quem quer que seja. O presidente pediu pra ouvir as demandas do grupo. Então, Excelência, até prova em contrário, ou até mudar esse acordo com o presidente, eu sou uma pessoa solícita, mas eu não sou venal, não sou corrupto.”

“Pessoa solícita”… Poucas vezes um réu conseguiu empurrar para dentro de um processo em que é acusado de corrupção passiva um eufemismo tão delicado para conversa fiada.

Para um juiz, a principal característica da dificuldade de conduzir um processo deve ser a tarefa de ouvir um réu durante um longo depoimento para chegar à conclusão de que ele não tem nada a dizer em sua própria defesa.

Para o réu indefeso, deve ser dolorosa a percepção de que uma hipotética absolvição depende do seu talento para desmoralizar a si mesmo, exibindo uma parvoíce que ultrapassa as fronteiras da debilidade mental.

Quanto ao brasileiro em dia com seus impostos, há dois inconvenientes. Um é a saudade do tempo em que mala era apenas um utensílio para o transporte de roupas. Outro é a descoberta de que ainda há no lixão da política gente que supõe que o Brasil é um país habitado por idiotas.


Bolsonaro diz que vetaria aumento nos contracheques do STF se fosse Temer
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Josias de Souza

Jair Bolsonaro divulgou nas redes sociais neste sábado trecho de entrevista que concedeu à Record. Falou sobre o reajuste salarial de 16,38% para os ministros do Supremo, cujos vencimentos passaram de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. Transferiu a batata quente integralmente para o colo de Michel Temer. “Está nas mãos do Temer”, disse, referindo-se ao projeto aprovado na última quarta-feira pelo Senado. “Não sou o Temer, se fosse, você sabe qual seria minha posição.”

O repórter quis saber se Bolsonaro vetaria o reajuste. Ele respondeu afirmativamente: “Não tem outro caminho no meu entender, até pela questão de dar exemplo. Falei antes da votação que é inopoturno, o momento não é esse para discutir esse assunto.” Temer dispõe de um prazo 15 dias para vetar ou sancionar o texto aprovado de supresa pelos senadores, após permanecer no freezer desde 2016, quando havia sido aprovado na Câmara.

A decisão do Senado foi vista como a primeira derrota legislativa de Bolsonaro, antes mesmo da posse. A aparência de derrota se consolidou depois que o presidente eleito afirmou, horas antes da votação, que considerava o reajuste inoportuno. Na entrevista, Bolsonaro cuidou de se eximir de responsabilidade. Colocando-se dentro dos sapatos de Temer, insinuou que teria tentado evitar a votação.

“…Estamos no vermelho há muito tempo. É mais uma preocupação para o ano que vem. Eu procuraria, se fosse presidente, o presidente do Senado para ver se esse projeto não entrava em pauta. Já que entrou em pauta, se o governo Temer quiser, pela Lei de Responsabilidade Fiscal, ele pode vetar esse reajuste porque, afinal de contas, essa é a classe que mais ganha no Brasil, e complica para a gente, quando fala em fazer reforma da Previdência, tirar dos mais pobres e aceitar uma reajuste como esse. Está nas mãos do Temer. Não sou o Temer, se fosse, você sabe qual seria minha posição.”


Bolsonaro diz que sua mãe comandaria Agricultura se valesse critério da UDR
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Josias de Souza

Em nova aparição ao vivo, Jair Bolsonaro falou durante meia hora na internet, na noite desta sexta-feira, sobre as polêmicas que azedaram o seu humor durante a semana. Entre elas a reação negativa do presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, à indicação da deputada Tereza Cristina para comandar o Ministério da Agricultura.

Sem citar o nome de Nabhan, Bolsonaro declarou: “…Lamento que o outro colega aí andou se excedendo, achando que devia ser ele, porque ele esta há mais tempo comigo.” Por esse critério, ironizou, “tem que botar a minha mãe como ministra lá. Minha mãe está comigo há 63 anos, me apoiou em tudo até hoje. Então, minha mãe tinha que ser a ministra da Agricultura.”

Em entrevista ao UOL, Nabhan disse ter apoiado a candidatura presidencial de Bolsonaro “desde o início”. Ele mal conseguiu disfarçar sua decepção com a escolha de Tereza (DEM-MS), cujo apoio só veio na “última hora.” Além de estar, ele próprio, cotado para o posto, o chefe da UDR indicara como alternativa o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). Bolsonaro deu de ombros.

“Eu vinha falando durante a campanha que quem iria indicar o ministro ou a ministra da Agricultura seria o setor produtivo”, disse o presidente eleito. “E assim aconteceu: uma reunião com 50 parlamentares de vários partidos [membros da Bancada Ruralista], o nome dela foi colocado na mesa como a pessoa que interessa para esse setor produtivo do Brasil. Eu fechei questão no exato momento.”

Bolsonaro agradeceu o apoio do mandachuva da UDR. Mas revelou-se pragmático ao justificar sua opção: “Nós precisamos da Câmara. E os deputados e senadores sabem o que eles querem na questão do agronegócio. Apresentaram o nome dela e eu fechei questão.” Para alguém que dizia rejeitar o tama-lá-dá-cá, as palavras soaram esquisitas.

Leia aqui, mais informações sobre a aparição de Bolsonaro. Pressionando aqui, você assiste à íntegra.