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Supremo quebra sigilo bancário de Demóstenes

Josias de Souza

29/03/2012 20h22

O STF determinou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes Torres (DEM-GO). Deve-se a decisão ao ministro Ricardo Lewandowski, relator do pedido de inquérito contra o senador, formulado pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel.

Na sua petição, Gurgel havia requisitado o aprofundamento das investigações em que a Polícia Federal descobriu que Demóstenes relacionou-se com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Os pedidos do procurador-geral foram deferidos apenas parcialmente.

Gurgel pretendia que o Ministério Público tivesse acesso "automático" aos dados bancários do senador. Lewandowski discordou. Requisitou as informações ao Banco Central. Mas as cifras serão analisadas primeiro no Supremo.

Negou-se também o pedido do procurador-geral para inquirir Demóstenes nos próximos dias. O ministro considerou "prematuro". Afora a quebra do sigilo bancário do senador, o Lewandowski inclui em seu despacho as seguintes providências:

1. Expedição de ofício ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que envie ao Supremo a relação de todas as emendas ao Orçamento da União formuladas por Demóstenes.

2. Determinação ao Departamento de Polícia Federal para que trasncreva o inteiro teor de 19 diálogos captados em grampos telefônicos nos quais soa a voz de Demóstenes ou o nome dele é mencionado.

3. Requisição a órgãos públicos federais e estaduais de cópias de contratos celebrados com empresas mencionadas nas conversas telefônicas. Não foram informados os nomes das repartições e das firmas.

Lewandowski indeferiu os pedidos de pessoas que desejavam apalpar o processo: senadores e jornalistas da Folha, do Estadão e da TV Globo. Negou-se também ao DEM o acesso aos autos.

O ministro autorizou a entrega de cópia apenas ao advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.