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Perillo esboça defesa com advogado em Búzios

Josias de Souza

27/05/2012 03h41

Prestes a ser convocado pela CPI do Cachoeira, Marconi Perillo, o governador tucano de Goiás, estrutura sua defesa no aprazível município de Armação dos Búzios –ou simplesmente Búzios, como é mais conhecido. Fica na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, a cerca de 165 quilômetros da capital.

Perillo passa o final de semana na cidade. Seu advogado, Antonio Carlos de Almeida 'Kakay' Castro, o mesmo que defende o senador Demóstenes Torres, também voou de Brasília para Búzios. Juntos, repassam as acusações e alinhavam as respostas.

Conforme já noticiado aqui, o PT e seus aliados na CPI já contabilizam maioria de votos para convocar Perillo. Articulam-se agora para tentar livrar da grelha os outros dois governadores mencionados no Cachoeiragate: o petê Agnelo Queiroz, do DF; e o pemedebê Sérgio Cabral, do Rio.

Como que rendido às evidências, Perillo reitera em privado que "faz questão" de comparecer à CPI. Diferentemente de Cachoeira e de seus operadores, que invocaram na CPI o direito de silenciar para não se autoincriminar, o governador goiano informa que vai falar.

Na semana passada, antes de negar-se a responder às perguntas dos membros da CPI, o ex-vereador tucano de Goiânia Wladimir Garcez fez uma declaração que foi recebida como uma versão diferente da que havia sido contada por Perillo. Envolve a venda de uma casa do governador. O imóvel em que Cachoeira foi preso pela Polícia Federal, no dia 29 de fevereiro.

Apontado pela PF como elo entre Cachoeira e Perillo, Garcez disse que foi ele quem comprou a casa de Perillo. Negócio de R$ 1,4 milhão. Pagou com três cheques. Na Operação Monte Carlo, a PF descobriu que os cheques, nominais a Perillo, foram emitidos por um sobrinho do contraventor Cachoeira.

Na versão de Perillo, a casa fora vendida ao empresário goiano Walter Paulo, dono da Faculdade Padrão. Garcez disse na CPI que foi ele, não o governador, quem repassou o imóvel ao dono da faculdade. Contou que, como não conseguiu honrar os empréstimos que diz ter obtido junto a Cachoeira e Cláudio Abreu, viu-se compelido a passar a casa adiante. A PF suspeita que o verdadeiro comprador é Cachoeira. Investiga se o dinheiro veio da Delta.

Se for convocado, como parece provável, Perillo dirá na CPI que não há copntradição entre o que disse e o que declara o ex-vereador tucano, preso há 89 dias. Sustenta que Garcez apresentou-se a ele como intermediário do empresário Walter Paulo.

De resto, o governador afirma que o imóvel foi vendido a preço de mercado e a transação foi registrada no Imposto de Renda. A escritura, segundo Perillo, só foi passada depois da compensação dos três cheques. O dinheiro caiu na sua conta bancária. No dizer do governador, uma "prova" de que não há ilicitude no negócio.

E quanto à titularidade dos cheques? Perillo alega que um secretário particular cuidou dos detalhes. Por isso, não viu os cheques. Não sabia que provinham de um sobrinho de Cachoeira. Afirma também que nada teve a ver com a cessão do imóvel para servir de moradia para o contraventor.

Mantida a disposição de falar, Perillo terá muitas outras explicações a dar. Parte da polícia goiana estava a serviço da quadrilha de Cachoeira, sua chefe de gabinete foi pilhada nos grampos da PF, o contraventor controlava o Detran de Goiás e tinha influência em secretárias da gestão tucana.

Em reunião com o generalato do PSDB, há duas semanas, Perillo atribuiu a influência de Cachoeira na sua administração ao aliado Demóstenes Torres. Alega que o senador dispunha de uma cota de nomeações. E teria usado essa cota em proveito de Cachoeira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.