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Josias de Souza

Irritado com o Planalto, Marco Maia leva a voto propostas que o governo trabalhava para adiar

Josias de Souza

27/06/2012 03h44

Desligado da tomada pelo Planalto, Marco Maia (PT-RS), o presidente da Câmara, passou a operar como um fio desencapado. Em combinação os líderes partidários, ele incluiu na pauta de votações desta quarta-feira (27) um lote de projetos que o governo vinha tratando a golpes de barriga. Se aprovados, podem resultar num curto-circuito.

Num instante em que a crise financeira internacional aconselha rigor fiscal ao Executivo, o companheiro Maia agendou, por exemplo, a apreciação de uma proposta que reduz para 30 horas a jornada de trabalho dos profissionais de enfermagem que trabalham em unidades do SUS. Informado, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) ficou de cabelos hirtos.

Reduzindo-se a carga horária da turma da enfermagem, os postos de saúde e hospitais serão compelidos a contrarar mão de obra nova para tapar os buracos que se abrirão na escala de trabalho. A pasta da Saúde ainda não dispõe de um cálculo preciso sobre o impacto que novidade nas arcas do Tesouro.

Marco Maia pautou também a votação de uma matéria que, a pedido de Dilma, fora levada ao freezer: o projeto que redistribui os royalties do petróleo, subtraindo parte dos dividendos de Estados produtores (RJ, ES e SP) e repassando às outras 24 unidades da federação sem óleo.

A chance de aprovação é maior no caso dos enfermeiros do que no do petróleo. Por quê? O primeiro projeto será votado no período da manhã, com Casa cheia. O segundo, vai a voto à tarde, período em que o plenário deve murchar. Vários deputados planejam voar para seus Estados depois do almoço.

Os parlamentares alegam que precisam retornar às suas bases para acompanhar as convenções partidárias de formalização das candidaturas a prefeito. Pela lei, o último dia para a confirmação dos candidatos às eleições de 2012 é sábado (30).

Nos subterrâneos, diz-se que Maia contraria o Planalto porque seu grupo anda pelas tampas com o governo por ter sido desatendido numa nomeação no Banco do Brasil. Na sua vingança, o presidente da Câmara cavalga a insatisfação generalizada do condomínio governista com Dilma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.