Remodelada por Dilma, comissão livra Pimentel
Deu-se o esperado. Transfigurada por Dilma Rousseff, a Comissão de Ética da Presidência da República retirou dos ombros do ministro Fernando Pimentel dois fardos. Decidiu-se que o titular da pasta do Desenvolvimento, amigo da presidente desde os tempos de militância estudantil, não maculou a ética.
Foi a primeira vez que a comissão se reuniu desde que o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence pediu o boné. Ele deixou a presidência do colegiado depois que Dilma decidiu trocar dois de seus membros: Marília Muricy e Fábio Coutinho. Ambos defendiam que Pimentel fosse ao menos advertido por escrito.
Num dos fardos que lhe pesavam sobre os ombros, Pimentel era acusado de flertar com a aética ao prestar consultoria a empresas e à Federação das Indústrias de Minas Gerais. Coisa de R$ 2 milhões. Os contratos foram celebrados entre 2009 e 2010. O consultor já havia deixado a prefeitura de Belo Horizonte e ainda não se tornara ministro. Na fase final, integrava o comitê de campanha de Dilma.
Em parecer de 37 folhas, o conselheiro Mauro Menezes afastou "a ilação de que o denunciado teria prestado serviços" a empresas "em relação às quais teria que informar o potencial conflito de interesses ao assumir a chefia do ministério." A peça foi aprovada por unanimidade.
Presidente interino da comissão, Américo Lacombe considerou "pequeno" o valor recebido por Pimentel. Ele evocou o caso de Antonio Palocci, outro 'consultor' que Dilma teve de expelir da Casa Civil. "Não foi nada extraordinário", disse Lacombe sobre as cosultorias de Pimentel. "Ele não multiplicou seu patrimônio por 20."
A outra acusação que desafiava a ética de Pimentel envolvia uma carona. O ministro voara da Bulgária para a Itália em aeronave custeada pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), do empresário João Dória Jr.. Em sua defesa, Pimentel alegara que faria uma palestra a convite do Lide e não havia voo de carreira capaz de levá-lo a Roma em tempo hábil.
Nesse caso, coube ao próprio presidente interino da comissão relatar a encrenca. Concluiu que "autoridades poderão, em certos casos, usar aviões dos patrocinadores dos eventos desde que eles não tenham nenhum interesse que esteja sob julgamento da autoridade." Na definição de Lacombe, o Lide de Dória Jr. não é senão "uma instituição cultural."
Fernando Pimentel merecia absolvições menos constrangedoras. Admitindo-se como razoável a tese segundo a qual a ética do ministro não descarrilou, fica boiando na atmosfera uma pergunta incômoda: por que diabos Dilma teve de retirar a comissão dos trilhos, desalojando dois conselheiros e forçando Sepúlveda a saltar do vagão?









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