Blog do Josias de Souza

PF desbarata 2 quadrilhas que violavam sigilos

Josias de Souza

Quatrocentos agentes da Polícia Federal foram ao meio-fio nesta segunda-feira. Estavam munidos de 154 mandados judiciais: 87 de busca e apreensão, 33 de prisão e 34 de condução coercitiva de pessoas para prestar depoimentos. Batizada de ''Durkheim'', a operação resultou, por ora, no indiciamento de 73 pessoas. Das 33 ordens de prisão, 25 já foram executadas.

O caso envolve duas quadrilhas que atuavam paralelamente. Uma violava sigilos bancários, fiscais e telefônicos. Outra enviava dinheiro ilegalmente para o exterior. Pelas contas da PF, 180 pessoas e empresas tiveram os sigilos varejados à margem da lei. Entre elas um ex-ministro, um senador, dois prefeitos, dois desembargadores, uma emissora de televisão e um banco. Os nomes não foram revelados.

Presidente da Federação Paulista de Futebol e vice-presidente da CBF, o cartola Marco Polo Del Nero foi um dos personagens alvejados pela investida da PF. Os agentes recolheram na casa dele documentos e um computador. Levaram-no para que fosse inquirido. Depois do depoimento, Del Nero foi liberado. Não há, por enquanto, detalhes sobre o envolvimento dele no caso. A PF limitou-se a informar que a encrenca não tem nada a ver com futebol.

A origem da investigação foi o suicídio de um policial federal na cidade paulista de Campinas. Deu-se em dezembro de 2010. Daí o nome da operação: ''Durkheim'', uma alusão ao sociólogo francês Émile Durkheim, autor do livro ''O Suicídio''. Descobriu-se que a morte do agente federal estava relacionada ao uso de dados sigilosos obtidos em operações da PF. As informações eram usadas para extorquir políticos suspeitos de fraudar licitações.

Ao puxar o fio da meada, a PF decidiu abrir um inquérito em setembro de 2011. Chegou, então, às quadrilhas que agiam no mercado ilegal de espionagem e expatriação de dinheiro. Os investigados devem responder por um vasto cardápio de crimes: divulgação de dados sigilosos, corrupção (ativa e passiva), violação de sigilo funcional, interceptação telefônica clandestina, quebra de sigilo bancário, formação de quadrilha, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As penas variam de um a 12 anos de cadeia.