‘Nada deixará de ser investigado’, afirma Gurgel sobre o depoimento em que Valério acusou Lula
Impresado pela imprensa, o procurador-geral da República Roberto Gurgel disse que, encerrado o processo do mensalão, analisará o depoimento prestado por Marcos Valério à Procuradoria em 24 de setembro. Evitou dar crédito irrestrito ao operador do mensalão. Mas realçou que nada ficará sem investigação.
"Nós temos que examinar o depoimento e isso ainda não foi feito com profundidade", disse Gurgel. "Com muita frequência, Marcos Valério faz referência a declarações que ele considera bombásticas e, quando nós vamos examinar em profundidade, não é bem isso. Mas nós vamos ver o que existe no depoimento que possa motivar futuras investigações. […] Nada deixará de ser investigado."
No depoimento, Valério disse que parte da dinheirama espúria do mensalão pagou despess pessoais de Lula. Declarou também que o ex-presidente autorizou os empréstimos bancários fictícios que deram aparência legal às verbas de má origem movimentadas pelo esquema.
Sobre isso, gurgel afirmou: "Quanto especificamente ao presidente Lula, eventual investigação já não compete ao procurador-geral da República, já que o ex-presidente já não detém prerrogativa de foro. Então, se tiver algo relacionado ao ex-presidente, isso será encaminhado à Procuradoria da República de 1º grau."
Gurgel admitiu que Valério repassou documentos ao Ministério Público. "Ele entregou alguns documentos, muito poucos, e esses documentos, agora, serão avaliados para que se possa tomar as providências necessárias à apuração."
Sobre a notícia de que Valério entregou dois comprovantes de depósitos na conta da empresa de Freud Godoy, es-assessor de Lula, o procurador-geral foi evasivo. "Isso tem que ser avaliado. Quem são os beneficiários desses depósitos? Em que contexto isso foi feito? Tudo isso, enfim, tem que ser aprofundado para que a atuação do Ministério Público seja responsável e com objetivo de tudo apurar."
De resto, Gurgel evitou comprometer-se com a hipótese de converter Valério em réu colaborador. "Muitas vezes se afirma o interesse de colaborar, e as informações que são trazidas ao Ministério Público já foram, inclusive, publicadas pela imprensa. Então, evidentemente, não há sinceridade nesse interesse de colaboração. Desde o início da Ação Penal nº 470, a conduta de Marcos Valério foi de afirmar esse interesse, mas não concretizá-lo com declarações efetivamente importantes para o Ministério Público. Temos, agora, esse depoimento prestado em setembro e ele será avaliado. Enfim, se tiver outras iniciativas nesse sentido, o Ministério Público está aberto, mas é preciso que haja consistência no que for alegado."
Como se vê, o julgamento do STF não foi suficiente para virar a página do mensalão. Afora os recursos que os condenados protocolarão no Supremo, paira no ar a ameaça de inaugração de novas apurações.










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