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Josias de Souza

‘Nada deixará de ser investigado’, afirma Gurgel sobre o depoimento em que Valério acusou Lula

Josias de Souza

19/12/2012 17h40

Impresado pela imprensa, o procurador-geral da República Roberto Gurgel disse que, encerrado o processo do mensalão, analisará o depoimento prestado por Marcos Valério à Procuradoria em 24 de setembro. Evitou dar crédito irrestrito ao operador do mensalão. Mas realçou que nada ficará sem investigação.

"Nós temos que examinar o depoimento e isso ainda não foi feito com profundidade", disse Gurgel. "Com muita frequência, Marcos Valério faz referência a declarações que ele considera bombásticas e, quando nós vamos examinar em profundidade, não é bem isso. Mas nós vamos ver o que existe no depoimento que possa motivar futuras investigações. […] Nada deixará de ser investigado."

No depoimento, Valério disse que parte da dinheirama espúria do mensalão pagou despess pessoais de Lula. Declarou também que o ex-presidente autorizou os empréstimos bancários fictícios que deram aparência legal às verbas de má origem movimentadas pelo esquema.

Sobre isso, gurgel afirmou: "Quanto especificamente ao presidente Lula, eventual investigação já não compete ao procurador-geral da República, já que o ex-presidente já não detém prerrogativa de foro. Então, se tiver algo relacionado ao ex-presidente, isso será encaminhado à Procuradoria da República de 1º grau."

Gurgel admitiu que Valério repassou documentos ao Ministério Público. "Ele entregou alguns documentos, muito poucos, e esses documentos, agora, serão avaliados para que se possa tomar as providências necessárias à apuração."

Sobre a notícia de que Valério entregou dois comprovantes de depósitos na conta da empresa de Freud Godoy, es-assessor de Lula, o procurador-geral foi evasivo. "Isso tem que ser avaliado. Quem são os beneficiários desses depósitos? Em que contexto isso foi feito? Tudo isso, enfim, tem que ser aprofundado para que a atuação do Ministério Público seja responsável e com objetivo de tudo apurar."

De resto, Gurgel evitou comprometer-se com a hipótese de converter Valério em réu colaborador. "Muitas vezes se afirma o interesse de colaborar, e as informações que são trazidas ao Ministério Público já foram, inclusive, publicadas pela imprensa. Então, evidentemente, não há sinceridade nesse interesse de colaboração. Desde o início da Ação Penal nº 470, a conduta de Marcos Valério foi de afirmar esse interesse, mas não concretizá-lo com declarações efetivamente importantes para o Ministério Público. Temos, agora, esse depoimento prestado em setembro e ele será avaliado. Enfim, se tiver outras iniciativas nesse sentido, o Ministério Público está aberto, mas é preciso que haja consistência no que for alegado."

Como se vê, o julgamento do STF não foi suficiente para virar a página do mensalão. Afora os recursos que os condenados protocolarão no Supremo, paira no ar a ameaça de inaugração de novas apurações.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.