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Para PSC, Feliciano tirou o partido da ‘periferia’

Josias de Souza

04/04/2013 16h42

Há duas semanas, o pastor Everaldo Pereira, vice-presidente do PSC e principal operador político da legenda, achava que Marco Feliciano deveria deixar a presidência da Comissão de Direitos Humanos. Numa reunião com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, Everaldo chegou mesmo a dizer que, se Feliciano não renunciasse, seria "renunciado" pelo partido.

Decorridos 15 dias, o pastor Everaldo exibe uma opinião mais utilitária sobre o desempenho do irmão Feliciano. Acha que ele deu visibilidade ao PSC. "Sem dúvida nenhuma, o partido saiu daquela situação de ser considerado um partido pequeno, que vivia em periferia", disse o dirigente numa vídeo-entrevista levada à internet. Na peça, ele realça os valores patrocinados pelo partido.

Para além da defesa dos "ovinhos de tartaruga" e das "árvores", afirma o dirigente, o PSC defende "o direito à vida desde a concepção". Defende também "a família", nos termos fixados "na Constituição brasileira". Graças a Feliciano, "a população está vendo que existe um partido que defende esses princípios", crê o pastor Everaldo. "Sem duvida, este momento tornou conhecido o Partido Social Cristão além das suas fronteiras. Nacionalmente, já se conhece que exite um Partido Social Cristão."

Indagado sobre a hipótese de renúncia de Feliciano ao comando da Comissão de Direitos Humanos, o pastor Everaldo soa categórico: "Isso é um assunto encerrado, não tem como sair da comissão. Regimentalmente, não tem." E quanto aos arroubos retóricos do irmão? "Nós estamos num país democrático, a felicidade é essa. Graças a Deus, nós estamos num país democrático, cada um fala o que quer", afirma o operador do PSC. "Nós temos livre opinião no país. Então, cada um fala o que acha que deve falar."

Assim como os antagonistas de Feliciano o chamam de "racista e homofóbico", o deputado também pode mover os lábios como bem entender, sustenta o pastor Everaldo. "É um direito que ele tem de falar." Em comentário veiculado aqui na semana passada, o repórter anotara que Feliciano resiste às pressões porque a confusão lhe interessa. Considerando-se as declarações do mandachuva do PSC, o partido também enxerga na encrenca a perspectiva de obter a graça da multiplicação dos votos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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