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Josias de Souza

MPF investiga compra de refinaria da Petrobras

Josias de Souza

08/06/2013 06h50

Certas transações são tão inexplicáveis que ajudam a explicar o interesse do homem em descobrir se há vida inteligente noutros planetas. Neste, as demonstrações escasseiam. Tome-se o caso da refinaria comprada pela Petrobas em Pasadena, nos EUA. O negócio foi tão esquisito que deixou a impressão de que os humanos que o conduziram na estatal pararam de evoluir. O Ministério Público Federal decidiu investigar.

Para resumir: a belga Astra Oil comprou a refinaria de Pasadena, em 2005, por US$ 42,5 milhões. Em 2006, vendeu 50% do negócio à Petrobras por US$ 360 milhões. As duas empresas desentenderam-se. Em 2011, ao final de uma renhida desavença judicial, a Petrobras topou pagar pelos 50% da Astra a bagatela de US$ 839 milhões. Tornou-se a única proprietária da refinaria americana.

Pois bem. Ao se dar conta de que entrara numa fria, a Petrobras decidiu passar a refinaria nos cobres. Apareceu um único interessado, a empresa americana Valero. Ofereceu US$ 180 milhões. Repetindo: a estatal brasileira enterrou US$ 1,19 bilhão num negócio cujo valor de mercado corresponde a pouco mais de um décimo da cifra desembolsada.

Chama-se Orlando Monteiro Espíndola da Cunha o procurador da República que vai esquadrinhar o caso. Está lotado no Rio. Na portaria que abriu o inquérito, ele deu a entender que o caso pode não ser de falta de inteligência mas de excesso de esperteza. Anota que há indícios de superfaturamento e diz suspeitar da incidência de pelo menos mais dois crimes: peculato (roubo ou desvio de dinheiro ou bens por funcionário público) e evasão de divisas.

A refinaria de Pasadena é parte da herança maldita que o petista Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, deixou para a sucessora Graça Foster. Afora a investigação requisitada pelo procurador Orlando Cunha, há na Câmara um pedido de CPI com 199 assinaturas de apoiadores. assinam (171 já são sufienjtes. Por ora, nada. Exceto o malcheiro, claro.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.