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Maranhão: vídeo para gente de estômago forte

Josias de Souza

28/12/2013 07h12

Vai aqui um aviso: o vídeo acomodado dois parágrafos abaixo contém imagens fortes. Tão fortes que não devem ser assistidas por pessoas com estômago fraco. As cenas foram descritas em relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre inspeção feita no complexo penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão. O documento foi encaminhado nesta sexta ao ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF e também do CNJ.

Autor do relatório, o juiz Douglas Martins, que auxilia a presidência do CNJ, disse o seguinte sobre o vídeo: é "a cena mais bárbara que já vi". O magistrado não é nenhum debutante em ambientes prisionais. A visitação de penitenciárias é parte do seu trabalho. O diabo é que a cena é mesmo forte. Assiste-se na peça aos instantes que antecedem a morte de um preso torturado. Ele traz uma das pernas dissecada –a pele solta, músculos, tendões e ossos à mostra. De novo: só assista se tiver estômago.

Vídeo Agência – Perna dissecada 

Esmiuçado em notícia Juliana Coissi, o texto preparado pelo juiz Douglas é categórico: o governo do Maranhão, hoje chefiado por Roseana Sarney (PMDB), revela-se "incapaz" de coibir a violência no interior do único centro prisional do Estado. Ali, membros de facções criminosas matam-se uns aos outros, agentes públicos são corrompidos, presos com doenças mentais misturam-se aos demais, relações sexuais ocorrem à vista de todos, mulheres e irmãs de presos sem poder são estupradas por criminosos que dão as cartas.

Nesta sexta-feira, Roseana Sarney mandou divulgar uma nota oficial. No texto, iforma que criou uma "Direção de Segurança dos Presídios do Maranhão." O organograma de cada presídio incluirá uma diretoria comandada por um oficial da Polícia Militar. A providência apenas reforça a conclusão do doutor Douglas: o governo do Maranhão é "incapaz" de deter o descalabro.

A nota divulgada a mando da governadora carrega um trecho desconexo: "O agravamento da situação no Sistema Penitenciário ocorreu depois que foram tomadas medidas saneadoras, como a reestruturação das unidades prisionais, a mudança de comando nas Polícias Civil e Militar e na Secretaria da Justiça e Administração Penitenciária (Sejap)."

Ganha uma viagem a São Luís quem for capaz de explicar as razões que levam um governo a adotar "medidas saneadoras" para produzir o "agravamento da situação."

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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