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Blog do Josias

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Eleitor vê eleição como torneio da mediocridade

Josias de Souza

06/06/2014 06h16

A cena eleitoral de 2014 está a um milímetro do tédio. Dilma Rousseff voltou a cair, informa o Datafolha. Mas Aécio Neves também oscilou para baixo. E Eduardo Campos escorregou de tal maneira que já sente o hálito do pastor Everaldo. Só uma coisa cresceu exuberantemente: o desalento.

O pedaço do eleitorado que declara não saber em quem votar subiu de 8% para 13%. A turma do voto nulo ou branco soma 17%. Ou seja: a legião dos sem-candidato atingiu a marca dos 30%. Nessa fase da eleição, é coisa jamais vista desde a sucessão de 1989.

A taxa de desencanto (30%) é, hoje, quatro vezes maior do que o potencial de votos atribuído a Campos (7%). Supera o índice de Aécio (19%) em 11 pontos. Está na bica de alcançar o percentual amealhado por dilma (34%). É como se o eleitor informasse que está farto das virtudes encenadas.

O candidato a presidente da República é um sorriso, é uma mão estendida, é um discurso ensaiado. Porém, se o Datafolha está informando alguma coisa relevante, é o seguinte: o presidenciável já não pode ser apenas uma pose. É preciso que, por trás da coreografia, exista uma noção de rumo.

O pessimismo com o futuro espeta as fura as nuvens. Já há mais brasileiros achando que a coisa vai piorar nos próximos meses (36%) do que patrícios apostando que a conjuntura vai permanecer a mesma porcaria (32%). A grossa maioria do eleitorado (64%) avalia que a inflação, já nas alturas, vai subir mais. Num ambiente assim, a propaganda e a mistificação são as piores formas de loucura.

Ninguém disse ainda, talvez por pena, mas está claro que o eleitor enxerga o espetáculo encenado até aqui por Dilma, Aécio e Eduardo como uma gincana de mediocridade. Se o voto não fosse obrigatório no Brasil, 2014 correria o risco de virar um teatro sem plateia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.