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Blog do Josias

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Dilma diz que é hora de ‘desmontar palanques’

Josias de Souza

2005-11-20T14:15:34

05/11/2014 15h34

Roberto Stuckert/PR

Dilma Rousseff fez nesta quarta-feira (5) seu primeiro pronunciamento público desde o discurso em que festejara a vitória no segundo turno da sucessão. Num dia em que seu rival tucano Aécio Neves disse que "o diabo se envergonharia" da campanha presidencial feita pelo PT, Dilma declarou que é hora de "desmontar os palanques".

Falando para uma delegação do PSD, partido do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, a presidente esmiuçou seu raciocínio: "Desmontar os palanques significa perceber que na democracia, no processo eleitoral, se disputam visões e propostas as mais diferentes. E essas visões e propostas são levadas ao escrutínio popular, o povo vai decidir o que ele considera que seja a proposta que vai ganhar majoritariamente apoio e aquela que não ganhará."

Dilma prosseguiu: "Isso significa ter consciência do que a democracia é. O ato de perder ou não ganhar faz parte do jogo democrático. Há que se saber ganhar, como há que se saber perder. As duas exigem uma atitude. A atitude do ganhador não pode ser nem de soberba, nem de pretensão de ser o último grito em matéria de visão política. Não pode de maneira nenhuma ter uma visão pretensamente mandatada por um processo qualquer que faz com que não seja necessário nem o diálogo, nem a construção de consensos e pontes."

Dilma reiterou sua intenção de apostar no diálogo. FEz pose de humilde: "A atitude do ganhador não pode ser de soberba, de ser o último grito de visão política." Sem citar seus antagonistas, insinuou que eles exercem o papel de maus perdedores. "Qualquer tentativa de retaliação por parte de quem ganhou ou ressentimento por parte de quem perdeu é uma incompreensão do processo democrático." (Ouça abaixo a íntegra do discurso de Dilma no encontro com o PSD).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.