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PMDB da Câmara refuga o ministério de Dilma

Josias de Souza

26/12/2014 04h47

Nesta quinta-feira, Dilma viajou com familiares para base militar na Bahia, onde descansa até segunda

Duas das seis vagas que Dilma Rousseff reservou para o PMDB no 'novo' ministério foram para a bancada do partido na Câmara: Aviação Civil e Portos, entregues respectivamente aos deputados Eliseu Padilha (RS) e Edinho Araújo (SP). O principal objetivo da presidente era o de reacender a fidelidade dos supostos aliados. Não funcionou. Liderado pelo deputado Eduardo Cunha (RJ), o PMDB da Câmara continua de nariz virado para a presidente.

Os dois escolhidos são camaradas do vice-presidente Michel Temer. A bancada já havia se preparado para assimilar Padilha. Mas a maioria achou que Edinho foi um exagero. Uma ala preferia Henrique Eduardo Alves (RN), que ficará sem mandato em 2015 . Outro grupo pedia um peemedebista com mandato. Edinho não frequentava nenhuma lista.

O modo como Dilma lidou com Henrique Alves foi muito criticado. Em conversa com repórteres, a presidente disse que consultaria o procurador-geral da República Rodrigo Janot. Queria saber se os candidatos à Esplanada estavam enrolados no propinoduto da Petrobras. Ela não foi atendida pelo chefe do Ministério Público. Mas Henrique, que estava cotado para o Turismo, se autoexcluiu do rol de 'ministeriáveis'.

Um dos partidários do atual presidente da Câmara lamentou que Dilma não seja tão rigorosa com a presidente da Petrobras, Graça Foster. Manteve-a no cargo mesmo depois de Janot ter defendido publicamente a troca de toda a diretoria da estatal. Já há peemedebistas procurando a oposição para assinar o requerimento de abertura de nova CPI da Petrobras na legislatura que começa em fevereiro.

Além de ser um insucesso de público, o modelo fisiológico de compor ministérios já não exibe a mesma eficácia. Mimetizando os antecessores, Dilma anuncia um gabinete de reféns —os ministros ficam no cargos enquanto seus partidos disserem 'amém' para o governo. No caso do PMDB, a reza desanda antes do início da missa.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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