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Renan diz esperar por um ‘Plano Levy’ até terça

Josias de Souza

27/03/2015 05h41

Dentro de quatro dias, Joaquim Levy falará à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O presidente da Casa, Renan Calheiros, disse a um grupo de senadores que espera muito da participação do ministro da Fazenda. Com ironia escorrendo pela quina da boca, manifestou a certeza de que o auxiliar de Dilma Rousseff trará à luz um plano econômico. Algo com "começo, meio e fim."

Um dos senadores presentes dobrou a taxa de ironia: "Ele certamente já tem esse plano pronto." E Renan: "Se não estiver pronto, o ministro tem todo o final de semana para preparar o Plano Levy." Do contrário, os senadores ameaçam aprovar duas propostas que a pasta da Fazenda considera radioativas.

Uma delas obriga o governo a aplicar em 30 dias a lei que beneficia Estados e municípios com índices mais brandos de correção de suas dívidas com a União. A outra legaliza incentivos tributários concedidos por governadores e prefeitos de todo país na chamada "guerra fiscal".

Empenhado em evitar as duas votações, Levy obteve de Renan apenas o final de semana, para elaborar um plano em cima das pernas. Deve-se o inusitado da situação a uma anomalia: sob Dilma, o ministro da Fazenda tornou-se o principal articulador do governo no Congresso.

Na falta de mão de obra especializada, Levy faz um bico na articulação política do governo. Nos últimos dias, funcionou como um fusível que retardou o curto-circuito na ligação do governo Dilma com seus supostos aliados. O Planalto estimula a ação do ministro da Fazenda sem se dar conta dos riscos. Se der errado, Levy sairá da experiência com a autoridade e a paciência eletrocutadas. Algo que pode resultar num apagão da equipe econômica do governo.

Trazido do Bradesco por Dilma para gerir a crise econômica que ela própria criou, Levy tentou tratar o imponderável com precisão. Fixou para 2015 uma meta de superávit de 1,2% do PIB. Mas sua previsão só é científica até onde começa o mistério do comportamento humano e do PMDB.

Levy elaborou as primeiras medidas do seu ajuste fiscal. Apertou os botões que achou que deveriam ser apertados. Agora, tenta influir no comportamento de seres terríveis e imprevisíveis como Renan Calheiros e Eduardo Cunha, o presidente da Câmara. De resto, o ministro se pergunta: o PMDB vai gostar? Os peemedebistas vão cooperar? E o PT? E o resto do condomínio? E quanto a mim, o que diabos estou fazendo aqui?

Líder do PSDB, o senador Cássio Cunha Lima participou de uma das reuniões estreladas por Levy no Legislativo. Achou-o esforçado. Mas diz que lhe falta o necessário "traquejo" para a articulação. Observador arguto, o ex-ministro peemedebista Geddel Vieira Lima notou um progresso na cintura do ministro da Fazenda. "O Levy participa de tantos jantares e almoços com parlamentares que já ganhou peso. Mais um pouco e fica obeso."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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