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No RS, Justiça autoriza que os bancos fechem

Josias de Souza

03/08/2015 03h22

Servidores gaúchos protestam contra parcelamento de salários adotado por José Ivo Sartori

Uma liminar expedida pela Justiça do Trabalho neste domingo (2) permite que os bancos mantenham suas agências fechadas no Rio Grande do Sul caso não haja policiamento nas ruas. A decisão foi tomada depois que entidades representativas da Brigada Militar, como é chamada a PM gaúcha, comunicaram que os policiais ficarão aquartelados a partir desta segunda-feira.

"Orientamos a população do Rio Grande do Sul, que vê a criminalidade se alastrar diariamente, que não saia de suas residências na segunda-feira", anotou o manifesto (leia abaixo). Os policiais militares resolveram permanecer nos quarteis em protesto contra a decisão do governo gaúcho de parcelar os salários dos servidores. Batizado de "salário parcelado, serviço parcelado!", o movimento inclui o Corpo de Bombeiros. A polícia civil também informou que atenderá apenas as ocorrências que envolvam crimes graves —homicídios, por exemplo.

'Não saiam de suas residências", recomenda o sindicalismo dos políciais militares gaúchos

Na sexta-feira, último dia do mês de julho, o Estado pagou aos servidores gaúchos apenas até o limite de R$ 2.150. Acima desse valor, os contracheques serão parcelados. O parcelamento atingiu praticamente a metade (48%) do funcionalismo. Em nota divulgada neste domingo, o governo de José Ivo Sartori (PMDB) alegou ter adotado a "medida extrema" por absoluta falta de dinheiro.

"Temos convicção de que, neste momento do Estado, os líderes sindiciais saberão adotar uma postura de respeito à população e ao papel constitucional que possuem" anotou o texto do governo. O sindicalismo bancário considerou que a providência mais respeitosa a adotar é manter os bancos fechados. Por isso foi à Justiça.

Presidente Sindicato dos Bancários, Everton Gimenis, disse: "Nossa preocupação é com a segurança dos colegas e dos clientes. A decisão judicial reconhece o risco de abrir uma agência bancária sem polícia na rua […]. O Judiciário teve sensibilidade para reconhecer que há muitos riscos envolvidos. Esperamnos que os bancos tenham a mesma sensibilidade e dispensem os trabalhadores nesta segunda-feira."

As reações ao parcelamentos dos salários não se restringiram ao setor de segurança pública. Servidores de outras áreas estratégicas prometem reagir contra o parcelamento. Entre elas saúde e educação.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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