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Josias de Souza

Jarbas: ‘Com Cunha, impeachment vira lorota’

Josias de Souza

08/10/2015 15h40

Único congressista do PMDB a pregar abertamente a cassação de Eduardo Cunha, o deputado pernambucano Jarbas Vasconcelos se diz "estarrecido" com a aliança firmada pela oposição com o presidente da Câmara.

"Espanta que a oposição esteja convencida de que o processo de impeachment será facilitado por Cunha", disse ele ao blog. "Ocorre justamente o contrário. Com Cunha, o impeachment vira lorota, fica mambembe. É o sujo achando que vai ajudar a afastar a mal lavada."

A ótima relação que Jarbas mantém com lideranças da oposição potencializa o seu espanto. "Me dá um desânimo danado ver pessoas como Mendonça Filho (DEM), que foi meu vice no governo de Pernambuco; Aécio Neves, que acaba de sair bem-posto de uma disputa presidencial; Carlos Sampaio, que é promotor de Justiça, toda essa gente sendo ludibriada por Eduardo Cunha. É triste."

Jarbas prossegue: "Cunha é doente, psicopata, um cínico. Como confiar numa pessoa que mente sobre contas bancárias na Suíça, já confirmadas pela Procuradoria? A oposição acaba de fazer mais uma reunião com esse personagem para discutir o impeachment. As pessoas continuam acreditando nele. Se for bom para ele, Cunha atropela Dilma. Se não for conveniente, ele posterga. E a oposição está nesse jogo, que tira a legitimidade do impeachment."

Por ora, a única providência tomada contra Eduardo Cunha em âmbito legislativo foi um pedido de abertura de processo de cassação protocolado na Corregedoria da Câmara. Assinam a peça 30 deputados, o que equivale a 5,7% dos 513 que integram a Casa. Signatário do documento, o próprio Jarbas reconhece sua ineficácia.

"O pedido foi protocolado nesta quarta-feira. Mas não tem nenhuma chance de prosperar. O Corregedor [deputado Carlos Manato, do SD-ES] é membro da Mesa diretora. Ele vai despachar o pedido para Eduardo Cunha, o presidente. Ou seja, tudo vira uma grande brincadeira de mau gosto."

O PSOL se equipa para requerer a cassação de Cunha no Conselho de Ética da Câmara, algo que só pode ser feito por partidos políticos. Mas Jarbas avalia que Cunha só correrá riscos se o movimento contra ele ganhar corpo. "Ou essa coisa se avoluma, ganhando a forma de um movimento sério e contundente, ou o problema vai se arrastar. Hoje, a Câmara fede. Daqui a pouco, vai apodrecer."

Defensor do impeachment de Dilma, Jarbas avalia que a derrocada de Cunha não beneficia a presidente da República. "Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A Dilma fica mais precária a cada dia por conta de um conjunto de práticas inaceitáveis. O caso de Cunha é uma aberração. Temos que ter a clareza de que é impossível tratar de um caso sem cuidar do outro."

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.