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Josias de Souza

Bala de prata de Dilma falha na primeira batalha

Josias de Souza

11/04/2016 21h50

Ninguém esperava ver Lula cabalando votos na entrada da comissão que derrotou Dilma na primeira batalha da guerra do impeachment. Seria muito teatro. Mas pouca gente entendeu o que fazia o criador no Rio de Janeiro, numa manifestação ornamentada com artistas e intelectuais, na hora em que sua criatura tanto precisava dele em Brasília.

Ficou no ar a incômoda impressão de que Lula começa a virar a página. Empatado com Marina Silva na liderança do último Datafolha presidencial, Lula parece mais preocupado com a publicidade do aplauso de plateias companheias do que com o esforço oculto para manter unido um rebanho congressual que salta o alambrado.

Devolvido à cena brasiliense como "bala de prata" de Dilma, Lula revelou-se um traque no primeiro embate. De nada adiantaram as prome$$as feitas no escurinho do quarto de hotel. Num colégio de 65 votos, o impeachment prevaleceu por 38 a 27. Nada que permita concluir que a oposição já garantiu os 342 votos de que precisa no plenário da Câmara. Mas foi constrangedor para o governo ter de "comemorar" a derrota pouco elástica, inferior a dois terços.

O jogo não acabou. Porém, o governo dispõe de pouco tempo para esboçar uma reação. A batalha do plenário está marcada para domingo. Por ora, a coreografia favorece os partidários do impeachment, já que a bancada dinheirista admite tudo, menos ficar do lado perdedor. Às voltas com dificuldades para confirmar sua própria nomeação para o ministério, Lula já não é o mesmo sedutor de outrora. E tende a tornar-se irrelevante se não se der conta de que Chico Buarque não têm direito a voto no plenário da Câmara.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.