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PMDB tornou-se uma superestrutura apodrecida

Josias de Souza

17/11/2016 20h22

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Em menos de 24 horas, dois ex-governadores do Rio de Janeiro foram em cana. Isso é coisa para o livro dos recordes. O preso de hoje, Sérgio Cabral (PMDB), tem mais peso político do que o de ontem, Anthony Garotinho (PR). Isso porque o grupo de Cabral continua comandando o Rio, agora por meio do governador Luiz Fernando Pezão.

A primeira consequência prática da nova prisão é que Pezão terá ainda mais dificuldades para aprovar o seu pacote de maldades fiscais. Difícil exigir sacrifícios de uma sociedade que se sente assaltada por seus governantes. Para complicar, entre os presos está Hudson Braga, que foi coordenador da campanha de Pezão em 2014.

Presidente nacional do PMDB e líder do governo Temer no Senado, Romero Jucá disse que a prisão de Cabral não prejudica o partido. Para Jucá, o problema é só de Cabral. Avalia que a encrenca não interfere nem mesmo na rotina do governo do Rio. Então, tá! Quem quiser que acredite. Quem preferir pode prestar atenção na segunda consequência da prisão de Cabral.

Ao enviar Sérgio Cabral para a cadeia, a Lava Jato potencializa a impressão, já bem disseminada, de que o PMDB é uma superestrutura apodrecida. A situação é de uma simplicidade estarrecedora. Os principais caciques do partido do presidente da República Michel Temer pisam distraídos nos interesses da República, atormentados pela sensação de que a qualquer momento um pedaço de investigação pode cair sobre suas cabeças. O único consolo dos caciques é que o caso do PMDB não é único. A podridão é um fenômeno suprapartidário no Brasil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.