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Déficit ético marca reforma ministerial de Temer

Josias de Souza

15/11/2017 03h25

Rendido à chantagem do chamado centrão, Michel Temer antecipou sua reforma ministerial. Anuncia para dezembro mudanças que planejava fazer apenas em março de 2018. A julgar pela movimentação observada em Brasília, será uma reforma inqualificável. Portanto, muito fácil de qualificar. O que vai acontecer não é propriamente uma troca de ministros. É uma troca de cúmplices.

Na prática, desenrola-se na Capital da República mais um grande conchavo —um conluio da falta de pudor de um presidente sem votos no Congresso com a carência de escrúpulos de partidos que se dispõem a apoiar o governo desde que seus apetites fisiológicos sejam saciados mais uma vez. Romero Jucá, líder do governo, estima que serão trocados 17 ministros.

Temer não procura os melhores ministros. Busca os ministros mais rentáveis. Não é o primeiro presidente a fazer isso. Mas é o mais impopular, o que aumenta o preço. Retirado do PSDB, o Ministério das Cidades, por exemplo, irá para o PP —é o partido com o maior número de enrolados no petrolão. Já passou pelo ministério pasta sob Dilma. Notabilizou-se pelas irregularidades. Temer já abriu negociações com o presidente da legenda, Ciro Nogueira, que responde a inquérito por lavagem de dinheiro. Há muitos interesses envolvidos na reforma de Temer. E nenhum deles é o interesse público.

Sobre o Autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o Blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.