Blog do Josias de Souza

Eleitor reprovaria saída de Doria, indica pesquisa

Josias de Souza

Pesquisa feita por encomenda da liderança do PSB na Câmara de Vereadores de São Paulo indica que 78% do eleitorado paulistano reprovaria a eventual renúncia de João Doria (PSDB) ao cargo de prefeito para concorrer ao governo do Estado. Apenas 22% disseram considerar a troca “importante”. O PSB é o partido do vice-governador Márcio França, que assumirá a poltrona de Geraldo Alckmin em abril e já anunciou que disputará a reeleição.

Ouviram-se 1.891 pessoas na cidade de São Paulo, entre quinta (8) e sexta-feira (9). A liderança do PSB não informa o nome do instituto responsável pela pesquisa, feita para orientação partidária. Indagados sobre o que fariam se Doria renunciasse, 71% disseram que não votariam nele para governador. Outros 29% afirmaram que dariam seu voto a Doria.

Em outubro do ano passado, o Datafolha divulgou uma pesquisa análoga. Naquela época, Doria ainda flertava com a ideia de concorrer ao Planalto. Verificou-se que 58% dos paulistanos preferiam que ele ficasse na prefeitura. Apenas 10% aprovavam sua candidatura presidencial. E 15% apoiavam uma hipotética candidatura a governador.

Nesta sondagem do Datafolha, apenas 18% dos entrevistados manifestavam a intenção de votar em Doria para a Presidência. Um percentual maior, de 26%, dizia que votaria nele para governador. A maioria declarou que não votaria nele de jeito nenhum para o Planalto (55%) ou para o Palácio dos Bandeirantes (47%).

Marcio França tenta se firmar como candidato único do campo político de Geraldo Alckmin, que se equipa para concorrer à Presidência. Mas João Doria vem repetindo que não há hipótese de o PSDB abrir mão de disputar o governo de São Paulo. A pesquisa do PSB oferece matéria prima para França fustigar o rival.

Nada menos que 72% dos entrevistados concordaram com a tese segundo a qual, se Doria renunciar à prefeitura, terá mentido na campanha, “como fazem os demais políticos”. Apenas 28% consideraram que ele já cumpriu as promessas que fez na eleição municipal.

Doria não é o primeiro tucano a enfrentar esse tipo de dilema. Em junho de 2005, quando José Serra era prefeito e cogitava disputar a Presidência da República, o Datafolha verificou que 67% dos paulistanos diziam que ele deveria permanecer na prefeitura. Acabou prevalecendo no PSDB a candidatura presidencial de Alckmin, derrotado por Lula no segundo turno. Serra disputou o governo estadual. A despeito do nariz torcido do eleitor para a renúncia ao cargo de prefeito, ele venceu a eleição.