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Blog do Josias

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Debate sobre prisão virou um balé de elefantes

Josias de Souza

10/04/2018 16h20

O debate sobre a prisão de condenados na segunda instância virou um balé de elefantes. A questão parecia simples. O Supremo tinha uma jurisprudência. Que foi reafirmada no julgamento que negou um habeas corpus a Lula. O Partido Ecológico Nacional (PEN), uma legenda inexpressiva, entrou em cena. Autora hipotética de uma ação contra as prisões, a formiguinha do espectro partidário tentou abrir as celas por meio de uma liminar. A petição seria levada ao plenário do Supremo nesta quarta-feira pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Súbito, o PEN irrompe em cena para informar que Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, o advogado que encabeça o rol de subscritores da liminar, não mais o representa. A formiguinha destituiu o doutor, defensor de vários réus na Lava Jato. A legenda informa: além de desistir da liminar, deseja retirar de circulação a própria ação que questiona as prisões na segunda instância.

"O povo está pedindo, não podemos favorecer o Lula", disse o presidente do partido, Adilson Barroso, às voltas com os seus 15 segundos de fama. "O nosso partido é de direita. Como não tenho o dom da futurologia, não sabia que essa ação serviria para beneficiar o PT." O advogado Kakay sustenta que, nesse tipo de ação, o autor não tem a opção de desistir.

No momento, graças à movimentação da formiguinha, o balé de elefantes foi congelado no seguinte estágio: um ministro do Supremo cogita submeter aos colegas um pedido de liminar anexado a uma ação que pode destrancar as celas. A ação interessa a muita gente, sobretudo a Lula e aos outros corruptos com sentença de segunda instância. Mas não interessa ao PEN, o suposto autor da ação. Tudo isso quatro dias depois do encarceramento de Lula.

Moral da história: quando a esperteza é grande demais, a formiguinha engole o elefante.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.