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No buraco, poder político recebe terra por cima

Josias de Souza

31/05/2018 00h54

Com a paralisação dos caminhoneiros em declínio, o país começa a voltar à normalidade. E o normal no Brasil, como se sabe, é a anomalia da corrupção. A Polícia Federal voltou às ruas para estourar um balcão de venda de registros de sindicatos que funciona no Ministério do Trabalho. Coisa comandada pelo PTB do ex-presidiário do mensalão Roberto Jefferson. Que rapidamente declarou não ter nada a ver com o ocorrido.

Uma pesquisa do Datafolha revelou que 87% dos brasileiros apoiam a paralisação dos caminhoneiros. Para 56% das pessoas, os caminhões deveriam inclusive continuar parados. Esses dados são reveladores de uma sociedade de saco cheio, capaz de se autoimolar com uma crise de desabastecimento só para sinalizar sua extrema insatisfação com o governo em particular e com os políticos em geral.

Entre os encrencados da nova investida policial está o número 2 da pasta do Trabalho:Leonardo Arantes. É sobrinho do deputado Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara. Só não foi preso porque está, veja você, em missão oficial na Inglaterra. A investigação vai longe. Só há uma certeza: Michel Temer manterá o Ministério do Trabalho o domínio do PTB. É por isso que quase 9 em cada dez brasileiros adoraram ver caminhões atravessados nas estradas. O poder político já sabia que estava no buraco. Descobre agora que o brasileiro quer jogar terra em cima.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.