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‘Jogada de mestre’ de Temer no Rio virou mico

Josias de Souza

24/08/2018 20h47

O fracasso subiu à cabeça de Michel Temer. Numa cerimônia em homenagem ao Dia do Soldado, o presidente disse que os três soldados do Exército mortos em tiroteios no Complexo do Alemão não desceram à cova em vão, pois seu governo cumprirá "a tarefa imperiosa de recompor a ordem pública no Rio de Janeiro". Temer, como se sabe, não consegue recompor nem a própria biografia, desordenada por investigações de corrupção.

Decretada há seis meses como uma "jogada de mestre", a intervenção federal na segurança do Rio tornou-se um mico. Segundo o Datafolha, 71% da população do Rio leva o pé atrás. Desse total, 59% avaliam que a intervenção não fez a menor diferença no combate à violência. Outros 12% acham que a coisa piorou depois que Temer colocou sua genialidade política a serviço do Rio.

Mais realista do que Temer, o comandante do Exército, general Villas Bôas, lamentou que os militares sejam os únicos a se engajar de fato no esforço contra a violência. Ele espetou os políticos, que recorrem às Forças Armadas para garantir a ordem nos Estados, mas não agem para mudar o ambiente de atraso humano que estimula o crime. A julgar pelo que se ouve na campanha presidencial, a coisa pode até piorar na área da segurança pública depois da troca do chefe do Primeiro Comando da Capital, instalado no Palácio do Planalto.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.