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Blog do Josias

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Facada não surtiu efeito de anabolizante eleitoral

Josias de Souza

10/09/2018 21h36

A montanha de expectativas que se formou após o atentado contra a vida de Jair Bolsonaro produziu uma grande decepção para quem planejava converter facada em anabolizante eleitoral. O Datafolha informa que o índice de intenção de votos do capitão não explodiu. Apenas oscilou dentro da margem de erro, de 22% para 24%.

A aversão a Bolsonaro revelou-se mais forte do que a comoção. A taxa de rejeição ao candidato subiu quatro pontos. Hoje, 43% dos eleitores declaram que jamais votariam nele. Em consequência, o capitão perde para qualquer adversário que se defronte com ele no segundo turno, exceto o petista Fernando Haddad, com quem está empatado. Quer dizer: Bolsonaro continua sendo um adversário dos sonhos para um segundo round.

As novidades mais relevantes da pesquisa estão no pelotão intermediário, onde quatro candidatos se engalfinham pela vaga de adversário de Bolsonaro no segundo turno. Nesse meio de campo, Ciro Gomes foi de 10% para 13%, ultrapassando Marina Silva, que despencou de 16% para 11%. Mantida a tendência, Marina tende a ficar pelo caminho. E Ciro, apesar das rasteiras que recebeu de Lula, pode tornar-se um osso duro de roer para o PT.

Eis outra novidade relevante: como esperado, Fernando Haddad tomou o elevador. Depois que Lula foi retirado do páreo pela Justiça Eleitoral, o estepe petista subiu de 4% para 9%. Encostou em Geraldo Alckmin, cujo desempenho continua pífio. Com todo o seu latifúndio no horário eleitoral, o presidenciável tucano só conseguiu fertilizar um ponto percentual em sua horta, oscilando de 9% para 10%. Logo, logo Alckmin retomará no rádio e na TV os ataques a Bolsonaro, que lhe rouba votos.

Hoje, o maior problema de Alckmin é a fidelidade do eleitorado de Bolsonaro. Se não recuperar a simpatia dos eleitores tradicionais do tucanato, Alckmin terá dificuldades para alçar voo. Restará ao PSDB, antes um pólo cativo nas disputas contra o petismo, assistir à disputa que se esboça entre Haddad e Ciro pelo espólio de Lula.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.