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Blog do Josias

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Flávio Bolsonaro descarta apoio a Renan e Maia

Josias de Souza

04/12/2018 04h18

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) tratou os dois principais candidatos às presidências do Senado e da Câmara como cartas fora do baralho do governo. "Não há a menor condição de apoiar Renan Calheiros (MDB-AL) para a presidência do Senado", declarou o filho de Jair Bolsonaro. "Rodrigo Maia (DEM-RJ) já teve seu tempo à frente da Câmara, não conseguiu garantir o quórum suficiente para a votação da reforma da Previdência", acrescentou. "Novo momento do Brasil pede um presidente inédito."

As declarações foram feitas em entrevista à GloboNews, na noite desta segunda-feira. Flávio Bolsonaro soou peremptório ao afirmar que "não há condições" de apoiar nem Renan nem Maia. "Esses nomes precisam entender que estamos vivendo um novo momento. As urnas mostraram que a população quer mudanças E tanto Renan quanto Maia não contemplam essa vontade."

Eleito para o seu primeiro mandato como senador, Flávio Bolsonaro avaliou que, sem o apoio do governo do seu pai, Renan perderá força. "O que o Renan Calheiros pode estar oferecendo aos senadores para pedir o voto?", indagou. "É uma pessoa que não vai ter essa força que tinha em outros governos junto à máquina do governo federal."

Flávio Bolsonaro citou quatro nomes alternativos para presidir o Senado: Davi Alcolumbre (DEM-AP), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Alvaro Dias (Pode-PR) e Espiridião Amin (PP-SC). Deu de ombros para a regra segundo a qual cabe à maior bancada do Senado, o MDB, indicar o presidente.

Ao explicar a ojeriza por Renan, esboçou o perfil que considera ideal para o próximo presidente do Senado: "É uma pessoa ficha limpa, que conheça a Casa e que esteja alinhado com o perfil de renovação que o Brasil está pedindo".

Embora tenha sido menos expansivo na avaliação sobre a Câmara, Flávio Bolsonaro animou-se a citar como opção para o comando da Casa o deputado João Campos (PRB-GO), um pastor evangélico.

Flavio Bolsonaro não precisava dizer o que disse. Mas já que soltou a franqueza da coleira, seria aconselhável que verificasse se há candidaturas viáveis por trás do seu rugido. Do contrário, arrisca-se a virar um leão que mia como gato quando Renan e Maia, eleitos à revelia do Planalto, sentirem vontade de exercitar sua independência na organização da pauta de votações e na escolha dos relatores para medidas provisórias e projetos de interesse do novo governo.

Sobre o Autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o Blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.