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Blog do Josias

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Rivais põem poder de Renan em caixa de fósforo

Josias de Souza

07/02/2019 04h40

Até bem pouco, a democracia brasileira era constituída por três poderes: o Executivo, o Judiciário e Renan Calheiros. Multiuso, Renan funcionava junto com os outros poderes. Mas também podia funcionar sem nenhum dos outros. Ou até contra eles. Isso tudo mudou. No momento, o poder de Renan cabe numa caixa de fósforos.

Ao vincular-se à frustrada tentativa de Renan de voltar à presidência do Senado, o MDB transformou a desidratação do seu ex-todo-poderoso num processo de derretimento partidário.

Dono da maior bancada do Senado (13 senadores), o MDB deveria ocupar a presidência e um outro posto de sua preferência na Mesa diretora da Casa. Em privado, o presidente do partido, Romero Jucá (RR), diz que isso teria acontecido se o MDB tivesse escolhido Simone Tebet (MS) para representá-lo na eleição do Senado. Ao esticar a corda, Renan e sua enorme rejeição tornaram-se cabos eleitorais de Davi Alcolumbre (DEM-AP), elegendo-o presidente do Senado.

Com a vitória de Davi, o MDB teve de se contentar com a segunda-secretaria do Senado, entregue a Eduardo Gomes (MDB-TO). Parceiro de infortúnio de Renan, o PT obteve um posto ainda mais vexatório. Sentou o senador Jaques Wagner na poltrona de terceiro-suplente —atrás do PPS (três senadores) e o do PDT (quatro).

Se tudo correr como foi planejado pelos algozes de Renan, a humilhação será concluída na semana que vem, no processo de escolha dos presidentes das comissões do Senado. O MDB deve ficar com a comissão mais importante, a de Constituição e Justiça. Mas isso só será respeitado se o partido aceitar o nome selecionado pela banda vitoriosa: Simone Tebet (MDB-MS), a senadora que desafiou a empáfia de Renan, perdendo na bancada por 7 votos a 5.

Davi Alcolumbre e seus aliados planejaram o escanteamento do MDB pró-Renan guiando-se pelos ensinamentos de um ótimio professor. Chama-se Renan Calheiros. Elegeu-se presidente do Senado para o biênio 2015—2016 numa disputa contra o então senador Luiz Henrique (MDB-SC).

Após derrotar o rival, Renan excluiu da composição da mesa os partidos que ousaram votar contra ele, a começar pelo PSDB. Grão-duque do tucanato nessa época, Aécio Neves travou um memorável bate-boca com Renan (reveja no vídeo abaixo). Hoje, Aécio faz companhia a Renan no caldeirão em que são dissolvidas as biografias tóxicas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.