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Gigantismo imobiliário de Davi diminui o Senado

Josias de Souza

25/02/2019 07h01

Com 81 senadores nos seus quadros, o Senado da República escolheu ser presidido por um membro do baixo clero: Davi Alcolumbre. Fez isso para se livrar do constrangimento de uma quinta presidência do cardeal Renan Calheiros, cujo prontuário precede a biografia. De repente, descobre-se que Davi é um gigante imobiliário que gosta de brincar de esconde-esconde com a Justiça Eleitoral.

A banda novata do Senado, que votou em Davi imaginando que higienizaria o comando do Senado, deve desanimar ao ler na Folha a notícia sobre o vício do personagem de ocultar imóveis em suas declarações de bens à Justiça Eleitoral. Ele faz isso desde o final da década de 90, quando ingressou na política.

A troca de Renan por Davi ensina aos senadores novatos que chegaram a Brasília com uma vontade incontrolável de fazer o bem que, na política, às vezes é difícil até evitar o mal. Davi chegou à presidência do Senado sem ter exercido nenhuma outra função de destaque. Não havia ocupado nem a liderança do seu partido, o DEM.

Sem nenhum desrespeito ao personagem, apenas considerando sua carreira e suas naturais limitações, é difícil imaginar Davi Alcolumbre exercendo cargos de responsabilidade semelhante em qualquer outro lugar que não seja o Congresso. Não podendo elevar a própria estatura, os senadores mantiveram rebaixado o pé-direito do Senado, acomodando o impensável na linha de sucessão da Presidência da República.

– Atualização feita às 21h05 desta segunda-feira (25): O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, culpou a morosidade dos cartórios por "eventuais inconsistências" em suas declarações à Justiça Eleitoral. Leia aqui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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