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Blog do Josias

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Capitão usa brasileiros vulneráveis contra centrão

Josias de Souza

2009-06-20T19:02:39

09/06/2019 02h39

Ao retardar na Comissão de Orçamento do Congresso a votação do projeto que libera crédito extra de R$ 248 bilhões para o governo, o centrão disse para Bolsonaro que agora a coisa ou vai ou racha. O capitão foi ao Twitter neste sábado para informar ao centrão que a coisa tem que ir, mesmo rachada. Do contrário, o Congresso ficará muito mal com os velhos, miseráveis, aposentados e agricultores.

Sem a aprovação, escreveu Bolsonaro, "teremos que suspender o pagamento de benefícios a idosos e pessoas com deficiências já no próximo dia 25. Nos meses seguintes faltarão recursos para aposentadorias, Bolsa Família, Pronaf [agricultura familiar], Plano Safra…".

Em aliança tática com PT e PCdoB, o PL (pode me chamar de PVCN, Partido do Valdemar Costa Neto) obstruiu a votação do crédito que permitirá a Bolsonaro governar sem as pedaladas orçamentárias que derrubaram Dilma Rousseff. Foi como se a legenda do centrão declarasse para o presidente: "Se não negociar conosco, não permitiremos que realize os seus sonhos."

Ao pressionar o Legislativo esgrimindo o risco de faltar dinheiro para os brasileiros vulneráveis, Bolsonaro respondeu ao centrão no mesmo tom. Foi como se dissesse algo assim: "Se não liberarem o crédito extra, posso realizar os seus pesadelos."

A exemplo do que fizeram com outros presidentes da República, os partidos do centrão tentam arrastar Bolsonaro para o seu tabuleiro de xadrez. O grupo ainda não se deu conta. Mas meteu-se num jogo diferente. Sob Bolsonaro, os partidos jogam xadrez em cima de um sumidouro, com um presidente que se faz de maluco.

Após emparedar seus inimigos cordiais, Bolsonaro executou no Twitter algo muito parecido com um xeque-mate: "Acredito na costumeira responsabilidade e patriotismo dos deputados e senadores na aprovação urgente da matéria."

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.