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Blog do Josias

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Que tipo de cidadão Dias Toffoli deseja proteger?

Josias de Souza

18/07/2019 21h22

O presidente do Supremo se esforça para justificar a decisão que suspendeu processos e inquéritos recheados com dados do Coaf. Ele disse: "Só não quer controle do Judiciário quem quer Estado fascista e policialesco, que escolhe suas vítimas." Ele acrescentou: "Não se faz Justiça por meio de perseguição e vingança sem o controle do Poder Judiciário". Faltou definir "perseguição" e "vingança".

Flávio Bolsonaro é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Suspeita-se que beliscava pedaços dos contracheques de funcionários do seu gabinete. O filho de Jair Bolsonaro não está só. A investigação alcança 21 deputados estaduais e seis ex-deputados. Coisa multipartidária —do PT ao PSL. Estamos falando da Assembleia Legislativa do Rio. Ali, deputado toma posse na cadeia.

Pois bem, relatório do Coaf citado pela defesa de Flávio apontou operações bancárias suspeitas de 75 servidores e ex-servidores da Assembleia. Entre eles o faz-tudo da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, que já admitiu ter coletado nacos dos salários da equipe do gabinete do Zero Um. Os investigadores requisitaram e obtiveram autorização da Justiça para apalpar os sigilos bancários dos suspeitos após farejar indícios de crimes nos relatórios do Coaf. Relatórios cujo compartilhamento já foi validado pelo Supremo em decisões colegiadas.

Cabe perguntar: Onde foi que Toffoli enxergou "perseguição e "vingança"? Por que usou o recurso de Flavio como pretexto para suspender investigações a granel? Por que desfez nas férias, em despacho liminar e solitário, o que o Supremo havia validado em decisões colegiadas? Toffoli disse ter agido "em defesa do cidadão". O Coaf não lida com cidadão honesto. Se o órgão cometeu excessos, que sejam apontados, punidos e corrigidos. Fora disso, é mordaça. Algo que só interessa a malfeitores.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.