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Blog do Josias

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Por 2022, Bolsonaro flerta com irresponsabilidade

Josias de Souza

04/09/2019 15h34

O dinheiro público, quando é torrado às custas do endividamento do Estado, não traz felicidade. Ao contrário, conduz ao inferno da irresponsabilidade fiscal crônica. Mas isso, curiosamente, está deixando de ser uma questão financeira que Jair Bolsonaro leve a sério. Ao sinalizar a intenção de furar o teto de gastos, o presidente, que admite não entender de economia, desautoriza Paulo Guedes, o ministro a quem ele dizia ter confiado uma "carta branca" para recolocar as finanças públicas nos trilhos.

Está entendido, uma vez mais, que a carta do Posto Ipiranga não é branca e que o compromisso de Bolsonaro com o ajuste fiscal vale só até certo ponto. O ponto de interrogação. O presidente reclama que as despesas obrigatórias estão subindo e o dinheiro que sobra para o governo gastar chegará a zero em três anos. É verdade. Há três maneiras de lidar com o problema: a desejável (cortar gastos), a impensável (aumentar impostos) ou a inacreditável (chutar o balde). Bolsonaro flerta com a terceira alternativa. Faz isso porque está mais preocupado com as urnas de 2022 do que com os cofres do Tesouro.

Em duas oportunidades, Paulo Guedes sinalizou que sua paciência tem limites. Em março, num debate no Senado sobre Previdência, o ministro disse que se o presidente e o Congresso não quisessem o serviço que ele se dispõe a entregar, ele demonstraria que não tem apego ao cargo. Em maio, Guedes declarou numa entrevista: se a reforma virar uma reforminha, "pego um avião e vou morar lá fora". O ministro está longe de entregar o serviço que prometeu. Parte desse serviço é convencer o presidente de que, sem prosperidade, não haverá a popularidade que conduz à reeleição.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.