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Paulo Guedes quer ‘descarimbar’ orçamento e 'privatizar todas as estatais'

Josias de Souza

09/09/2019 03h31

No gogó, os planos do ministro Paulo Guedes (Economia) para a fase posterior à reforma da Previdência são audaciosos. Ele reiterou a ideia de "descarimbar" o Orçamento público —da União, dos estados e dos municípios. "Vamos desindexar, desvincular e desobrigar todas as despesas de todos os entes federativos", declarou. Não é só: "Eu quero privatizar todas as empresas estatais. A decisão é do Congresso".

Guedes acionou a garganta numa entrevista à repórter Cláudia Safatle, veiculada na edição desta segunda-feira do jornal Valor. Não é a primeira vez que fala em desvincular despesas orçamentárias, incluindo gastos com saúde e educação. Menciona o tema desde o discurso de posse. Seria um "Plano B", a ser acionado caso a reforma previdenciária naufragasse. Virou puxadinho do "Plano A". E entrou no calendário do Posto Ipiranga: "É para esse semestre".

Quanto às estatais, além do desejo de "privatizar todas", Guedes agora quer adiantar o relógio. O governo acaba de entrar no seu nono mês de existência. E só de uns dias para cá o ministro passou a defender que a venda de estatais trafegue em via rápida —'fast track'. Com a anuência do presidente, a avaliação do Tribunal de Contas da União e a aprovação do Congresso.

Tudo isso e mais a reforma tributária, que o governo demora a tirar do forno. Segundo Guedes, o embrulho incluirá mesmo o Imposto sobre Transações Financeiras (pode me chamar de nova CPMF). Conterá também a redução das alíquotas do Imposto de Renda das empresas e das pessoas físicas, que perderão, em contrapartida, a possibilidade de deduzir despesas médicas e escolares.

Se as coisas se resolvessem apenas com saliva, Guedes já teria migrado do estágio do falatório para a prática. O estilo do presidente da República ajuda a complicar o que já não é simples. Jair Bolsonaro parece ter feito uma opção preferencial pela polêmica. Cria uma crise atrás da outra. Antes de sua posse, estimava-se que a economia cresceria algo como 2,5% em 2019. Agora, reza-se para que chegue pelo menos a 1%.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.