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Bezerra eleva déficit estético da gestão Bolsonaro

Josias de Souza

19/09/2019 09h38

A batida da Polícia Federal no gabinete do senador Fernando Bezerra (MDB-PE) mostra que a expressão "diz-me com quem andas que eu te direi quem és" não quer dizer muita coisa para Jair Bolsonaro. Fernando Bezerra é líder do governo no Senado. Portanto, um presidente que se elegeu prometendo ser implacável com a corrupção escolheu ser representado no Senado por um político encrencado com a lei.

Há quatro meses, Bolsonaro voou para o Nordeste, em sua primeira viagem à região após a posse, levando Bezerra a tiracolo. Por uma trapaça da sorte, a incursão ocorreu no mesmo dia em que que o TRF-4, tribunal que julga as causas da Lava Jato, determinou o bloqueio de R$ 258 milhões em dinheiro ou bens de Bezerra.A decisão foi motivada por uma ação de improbidade administrativa movida pela força-tarefa de Curitiba.

Antes de virar líder de Bolsonaro, Bezerra foi apoiador de Lula, ministro de Dilma Rousseff e avalista da nomeação do primogênito Fernando Bezerra Filho, também alcançado pela batida policial, para o posto de ministro de Minas e Energia da gestão de Michel Temer. A opeaçao da PF deixa o governo Bolsonaro um pouco mais sem nexo.

A experiência de Fernando Bezerra ajuda Bolsonaro a obter no Senado os votos para aprovação de extravagâncias como a indicação do filho Eduardo Bolsonaro para a embaixada em Washingotn. Mas o custo político é alto. Bezerra eleva o déficit estético da gestão Bolsonaro. Nesta quinta-feira, o senador telefonou para o ministro Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil. Colocou o cargo de líder à disposição de Bolsonaro. O Planalto ainda não se manifestou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.