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Turma do Supremo cogita lavar ficha suja de Lula

Josias de Souza

12/10/2019 00h46

Em entrevista à BBC, o ministro Gilmar Mendes declarou que a eventual anulação da sentença do caso do tríplex do Guarujá pode atrasar o relógio dos processos em que Lula foi condenado à fase anterior à aceitação das denúncias. O que o ministro afirmou, com outras palavras, foi mais ou menos o seguinte: o Supremo Tribunal Federal cogita cometer a temeridade de lavar a ficha suja de Lula, restaurando seus direitos políticos e devolvendo-lhe a condição de disputar novamente a Presidência da República em 2022.

Caberá à Segunda Turma do Supremo decidir, até o final de novembro, se Sergio Moro foi ou não parcial ao condenar Lula. A decisão está nas mãos do ministro Celso de Mello. A previsão no Supremo é que Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski votarão a favor de Lula. Cármen Lúcia e Edson Fachin já votaram contra. Imagina-se no Supremo que Celso de Mello pode desempatar a favor de Lula. E a sentença do caso do tríplex seria anulada. Os processos sobre sítio de Atibaia e sobre o Instituto Lula subiriam no telhado.

É preciso ser claro: o que está em jogo é a anulação não de uma sentença de Moro, mas um veredicto confirmado por desembargadores no TRF-4 e por ministros no Superior Tribunal de Justiça, o STJ. O pretexto para a anulação são mensagens roubadas de celulares que contém diálogos inadequados entre o então juiz Sergio Moro e procuradores como Deltan Dallagnol. Mas não há nas mensagens nenhum vestígio de fabricação de provas.

Estamos falando de Lula. Abstraindo as condenações que agora se cogita anular, é preciso lembrar que foi com o beneplácito de Lula que o PT tornou-se a máquina coletora de propinas que converteu o Brasil numa cleptocracia que envergonha o país. Foi com o apoio de Lula que Dilma mergulhou o país na pior recessão de sua história. É esse personagem cuja ficha o Supremo deseja lavar valendo-se de pretextos precários.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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