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Bolsonaro porta-se como um banana no laranjal

Josias de Souza

15/10/2019 15h01

Jair Bolsonaro enxergou na batida de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal em endereços do correligionário Luciano Bivar, presidente do PSL federal, uma oportunidade a ser aproveitada. Para o capitão, o agravamento das suspeitas que rondam Bivar no escândalo do laranjal serve de "justa causa" para que sua tropa parlamentar possa acompanhá-lo no desembarque do PSL sem abrir mão de mandatos e da verba pública do fundo partidário. O pretexto seria ótimo, não fosse por um detalhe: no caso das candidaturas femininas laranjas, Bolsonaro escolheu desempenhar o papel de um banana. Ele se absteve de exercer a autoridade presidencial na hora oportuna.

Houve um momento em que Jair Bolsonaro poderia ter saído do laranjal tomando o caminho da moralidade. Foi quando a Polícia Federal abriu inquérito para apurar a suspeita de que o ministro Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo, serviu-se de candidatas laranjas para desviar verbas públicas do fundo eleitoral do PSL em Minas Gerais. O presidente já havia exonerado o ministro palaciano Gustavo Bebianno sob o pretexto de que ele avalizara candidaturas de laranjas quando presidiu o PSL nacional, durante a campanha de 2018. Era só manter a linha. Mas o capitão preferiu conservar Marcelo Antônio no ministério.

Há 11 dias, a Polícia Federal indiciou e o Ministério Público denunciou Álvaro Antônio por falsidade ideológica, apropriação indébita e associação criminosa. Foi como se a conjuntura oferecesse a Bolsonaro uma segunda chance para agir. Mas a cabeça do ministro do Turismo continuou equilibrando-se sobre o pescoço. Para complicar, surgiram indícios de que parte do desvio mineiro pode ter sido usado para pagar despesas da campanha do próprio Bolsonaro em 2018. O presidente tornou-se, então, uma oportunidade a ser aproveitada pelos correligionários que enxergam um quê de cinismo na cobrança que ele faz por transparência partidária.

Se o comportamento de Bolsonaro e as investigações da Polícia Federal tivessem caminhado na mesma direção, o capitão não precisaria nem deixar o PSL. Poderia encostar Luciano Bivar contra a parede e reividicar a chave da milionária caixa preta partidária. Com a vantagem de reforçar o discurso anticorrupção que exibira ao longo da campanha presidencial. Ao oscilar entre a marcha a ré e o ponto morto, Bolsonaro apenas reforçou a sensação de que a nova política é coisa muito antiga, é banana amassada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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