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Responda rápido se puder: Para que serve o PSL?

Josias de Souza

21/10/2019 23h59

A essa altura, diante da insensatez que prolonga a crise no partido de Jair Bolsonaro, cabe formular uma pergunta básica: para que serve o PSL? No momento, a única utilidade visível para o partido é a de servir como exemplo nos debates sobre a falência do sistema partidário no Brasil. No meio de tantas listas para trocar o líder na Câmara, um deputado que apresentasse uma proposta de dissolução do partido, a bem do serviço público, seria aplaudido nas ruas. Um outro deputado que enganchasse nessa proposta uma emenda sugerindo a extinção de todos os partidos seria aclamado nas praças públicas.

Na teoria, os partidos representam segmentos da sociedade. Na prática, tornaram-se representantes dos seus próprios interesses. Partidos pequenos são perspectivas de grandes negócios. No caso do PSL, o negócio fechado com Jair Bolsonaro resultou em milhões de dividendos. E o partido tornou-se mais uma superestrutura pendurada nos cofres públicos.

O PSL tem um grande passado pela frente. Segue o exemplo de legendas como PT, PSDB, MDB e outras logomarcas que migraram da condição de partidos para o estágio de meras cascas, esvaziadas de qualquer tipo de conteúdo. O caso do PSL é ainda mais grave, porque a legenda ficou vazia antes de obter o recheio. No papel, é Partido Social Liberal. Na prática, não é partido, virou uma guerrilha. Não é social. E segue a lógica do patrimonialismo, não do liberalismo.

Quem ainda encontra tempo para desperdiçar com o acompanhamento da política encontra quase tudo no processo de derretimento do PSL, exceto interesse público. A consequência disso é que, a partir de uma crise que teve origem em declarações de Jair Bolsonaro, criou-se uma turbulência política num instante em que o governo do mesmo Jair Bolsonaro precisa de tranquilidade para produzir prosperidade. A maior vítima da insensatez é você.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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