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Estados viram reticências na reforma previdenciária

Josias de Souza

22/10/2019 14h29

Entenda a proposta de reforma da Previdência em 10 pontos

UOL Notícias

Num instante em que o Senado conclui a tramitação da reforma da Previdência, é preciso chamar atenção para as reticências. O que são as reticências? Elas são usadas na linguagem escrita para marcar a interrupção de um raciocínio, a supressão de informações, a insinuação de algo que fica subentendido. Estados e municípios viraram as reticências da reforma previdenciária, aqueles três pontinhos que aparecem no final das frases incompletas.

Desavenças políticas entre deputados e governadores impediram que a Câmara incluísse os servidores de estados e municípios na reforma. Decidiu-se que o Senado corrigiria o problema. Para evitar que a íntegra do texto tivesse que retornar à Câmara, os senadores optaram por enfiar a encrenca dentro de uma emenda constitucional paralela.

Engordada com penduricalhos que ofuscam o essencial, essa PEC paralela deveria tramitar junto com o texto principal. Mas ficou para depois. Ainda que passe na Comissão de Constituiçao e Justiça nesta semana, não chegará ao plenário do Senado antes de novembro. Se for enviada à Câmara, o destino mais provável da PEC paralela será o gavetão dos assuntos pendentes. Não há boa vontade dos líderes para aprovar a proposta.

A exclusão de estados e municípios transforma a mexida previdenciária numa reforma Saci-Pererê. Falta uma perna. Resolve o problema da União por algum tempo. Todos sabem que a solidez dos cofres administrados por governadores e prefeitos é uma lenda que vai explodir como realidade nas arcas do Tesouro Nacional. Ainda assim, mesmo conhecendo a magnitude do problema, os congressistas tratam esse pedaço da reforma como os três pontinhos que, na gramática, sinalizam as coisas incompletas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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