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Governo negociou ovos que a galinha não botou

Josias de Souza

06/11/2019 15h34

O governo administrou o leilão de petróleo realizado nesta quarta-feira com exacerbado otimismo. Cacarejou os ovos antes que a galinha os botasse. Pior: fritou os ovos inexistentes e serviu 30% da proteína a governadores e prefeitos, 15% para cada. Isso compôs a negociação para aprovar no Congresso o chamado novo pacto federativo. Em vez de R$ 106,5 bilhões, arrecadaram-se no leilão R$ 69,9 bilhões. É um recorde. Mas houve uma frustração de receita de R$ 36,6 bilhões.

O leilão não foi "mega", como se anunciava. As grandes petroleiras internacionais não deram as caras. Não houve competição —ágio zero. A Petrobras respondeu por 90,2% de toda a arrecadação. Das quatro jazidas ofertadas, só duas foram arrematadas. Sozinha, a estatal brasileira comprou uma área (Itapu). Levou a outra (Búzios) em sociedade com duas companhias chinesas (CNODC e CNOOC), que entraram com participações mixurucas: 5% cada uma. A soma de decepções resultou numa grande frustração.

Os técnicos começam a procurar os erros. Avalia-se que o governo foi com muita sede ao pote de óleo. Puxou para cima o bônus que as empresas precisam pagar na assinatura dos contratos. E deixou em aberto a cifra que terá de ser desembolsada pelos compradores depois da assinatura dos contratos, para compensar a Petrobras pelos investimentos que realizou nas áreas oferecidas. Dinheiro de investidor não gosta de interrogações.

O governo agora terá de recalibrar suas contas antes de levar novamente a leilão as duas jazidas que sobraram: Sépia e Atapu. Na seara política, os operadores de Brasília serão reconvocados à mesa para discutir o pacote de reforma do Estado que o ministro Paulo Guedes acaba de anunciar. Os negociadores terão de realizar a mágica de desfritar ovos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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