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Fundo eleitoral de R$ 3,8 bi é teste de resistência

Josias de Souza

04/12/2019 20h10

A Comissão de Orçamento do Congresso aprovou versão preliminar do relatório que eleva de R$ 2 bilhões para R$ 3,8 bilhões o fundo que custeará a eleição municipal de 2020. A coisa passou em votação simbólica, sem que deputados e senadores precisassem levar a cara à vitrine.

Às claras, o avanço sobre o bolso do contribuinte seria apenas vergonhoso. No escurinho do voto simbólico, a vergonha se transforma num desafio à paciência alheia. É uma espécie de teste de resistência para verificar qual é a capacidade limite do saco nacional.

Mal comparando, é como se os parlamentares, num retorno à infância, brincassem de soprar balões para descobrir qual é o ponto exato de ruptura que antecede a explosão.

O deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, declarou: "Nas democracias, as eleições precisam ser financiadas, e o financiamento privado está vedado. É preciso construir no financiamento público…"

Justo, muito justo, justíssimo. Mas não precisa tratar verba pública como se fosse dinheiro grátis. Rodrigo Maia reconheceu: "Tem que verificar o valor e de onde virá o recurso, para que a sociedade compreenda, com o mínimo de desgaste possível para o Congresso".

Considerando-se que as eleições gerais de 2018 custaram R$ 1,8 bilhão e que o Tesouro Nacional está quebrado, o desgaste de destinar de R$ 3,8 bilhões para o custeio da eleição de prefeitos e vereadores será máximo.

Quem já encheu balões na infância sabe que o ponto exato de ruptura só costuma ser descoberto quando não adianta mais nada.

Num cenário em que o desemprego se mistura ao desamparo social, a pretensão de elevar o fundo eleitoral para R$ 3,8 bilhões revela que os congressistas buscam obstinadamente o ponto de ruptura. Ainda não notaram que o saco nacional já está cheio.

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

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