PUBLICIDADE
Topo

Zero Três culpa vítimas por mortes em Paraisópolis

Josias de Souza

09/12/2019 22h33

Eleito por São Paulo, o deputado federal Eduado Bolsonaro pendurou nas redes sociais um vídeo sobre a morte de nove jovens durante ação policial num baile funk de Paraisópolis. Num instante em que o governo de São Paulo decidiu elevar de seis para 38 o número de policiais militares afastados das ruas por envolvimento na ação que resultou nas mortes, o filho Zero Três de Jair Bolsonaro culpou as vítimas. Ele deu um conselho ao jovem paulistano: "Quer preservar sua vida? Frequente outros lugares".

Eduardo Bolsonaro declarou: "Você indo para esse tipo de local, onde ocorrem os chamados pancadões, onde há um consumo de drogas, isso acaba por atrair bandidos. E a probabilidade de sua vida ficar em risco aumenta, e muito. Então, a exemplo do que sempre fui aconselhado dentro de casa, evite esses lugares". O vídeo foi gravado em Omã, num giro oficial que o deputado realiza no Oriente Médio.

As investigações ainda não foram concluídas. Mas o filho do presidente da República isentou preventivamente os policiais de culpa. Deu de barato que todos os participantes do baile de Paraisópolis são drogados. "Você não precisa de droga pra viver. E nem é tirar onda ficar andando com vagabundo armado. Pelo contrário, você está colocando sua vida em risco. Paraisópolis está aí. É um exemplo disso. Lamentavelmente morreram nove pessoas, mas de maneira nenhuma podemos culpar a Polícia Militar por isso".

Na versão oficial, os policiais perseguiam dois homens numa moto na madrugada de domingo (1º). Na perseguição, os policiais teriam sido alvejados por tiros. Entraram na rua onde se realizava o baile funk. Disseram ter sido hostilizados. Pediram reforço. Deu-se, então, o tumulto que resultou nas mortes por pisoteamento.

Num primeiro momento, o governador paulista João Doria (PSDB) avalizou a versão policial. Disse que o protocolo da PM não seria alterado. Depois, recuou. Declarou que "todas as teses" estão sob investigação. Admitiu rever os protocolos policiais. "Não tenho compromisso com o erro", afirmou.

Eduardo Bolsonaro analisa o episódio munido apenas de certezas: "Quem tá errado é bandido que dá tiro pra cima da polícia e a população que não coopera com as autoridades. A polícia tá aí pra manter a ordem e a disciplina. E todos os trabalhadores gostam disso. Quem não gosta disso é marginal e pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. Todo meu apoio aos policiais militares".

Sobre o autor

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na ''Folha de S.Paulo'' (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro ''A História Real'' (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de ''Os Papéis Secretos do Exército''.

Sobre o blog

A diferença entre a política e a politicagem, a distância entre o governo e o ato de governar, o contraste entre o que eles dizem e o que você precisa saber, o paradoxo entre a promessa de luz e o superfaturamento do túnel. Tudo isso com a sua opinião na caixa de comentários.

Josias de Souza